Informação a Meirelles: é o desemprego que explode as contas do INSS

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Meirelles ainda não entende nada sobre Previdência

Pedro do Coutto

O título é inspirado num romance de Carlos Heitor Cony e o conteúdo nele contido refere-se à influência negativa “mais uma” do desemprego que sufoca os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. O ministro Henrique Meirelles na entrevista a Marta Beck e Eliane Oliveira, O Globo de domingo, focalizou a antecipação das privatizações da Eletrobrás e dos aeroportos como meio de tentar equilibrar as contas públicas. Referiu-se também à reforma da Previdência Social como medida de urgência voltada para o mesmo objetivo financeiro. Chegou a dizer que, se o Congresso não aprovar a Emenda Constitucional da reforma o governo terá que colocar em prática novas medidas tributárias, as quais não desejou exemplificar.

O ministro da Fazenda não estudou profundamente a questão do déficit previdenciário. Se tivesse estudado, não veria que suas causas encontram-se em dois planos distintos, porém convergentes: a sonegação de empresas e a taxa de desemprego na escala – segundo o IBGE, de 13,5% sobre a mão de obra ativa do país. São assim 14 milhões de pessoas.

RECEITA POSSÍVEL – Partindo-se do princípio de que o salário médio brasileiro situa-se em torno de 2 mi reais por mês e considerando que as contribuições dos empregadores são de 20% sobre as folhas e a dos empregados na média de 9% dos salários, vamos verificar o seguinte: a arrecadação total para o INSS, não fosse o desemprego seria de mais 102 bilhões de reais por ano.

Os empregadores entrariam com aproximadamente 82 bilhões e os empregados com 20 bilhões. Esse é o problema essencial. É verdade que o desemprego é tecnicamente aceitável na escala rotativa de 5%. Não pode haver desemprego zero. Mas, convenhamos, a taxa de 13,5% é assustadora.

Em vários outros países, como a Espanha e França, o índice de desemprego é alto e seus governos se empenham para reduzi-lo. No Brasil o empenho do Executivo volta-se para o plano financeiro das contas públicas, deixando a esfera social para outra dimensão menos importante.

TÍTULO DO CONY – Eu afirmei que o título desta matéria é inspirado numa obra do escritor Carlos heitor Cony. Chama-se “Informação ao Crucificado”. No Brasil, crucificado é o povo envolto num maremoto que reduz os postos de trabalho. Daí o nível de descrédito que atinge o governo, da ordem de 93%, pesquisa do Instituto Ipsos, reportagem de Daniel Drumati e Gilberto Amêndola, em O Estado de São Paulo também de domingo.

A população não se sente representada nem pelos políticos de modo geral, nem pelo governo em particular. É como seus interesses legítimos fossem contestados e oprimidos pelo sistema de poder.

O sistema de poder, em vários níveis, vem sofrendo contestações em série. Uma delas, me informa o médico Pedro Campello, por parte do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro contra o ministro da Saúde Ricardo Barros. A edição mensal do informativo do CREMERJ destaca que a entidade ingressou com representação contra o ministro Ricardo Barros da Saúde por ter ele demonstrado desconhecimento do sistema público e do trabalho dos médicos e demais profissionais do setor saúde.

ESTADO DE CALAMIDADE – Essa reação, que se encontra já no Ministério Público Federal, inclui a informação de que no mês de maio a entidade entregou ao ministro um dossiê focalizando todas as deficiências que marcam a rede federal que opera no Rio de Janeiro, a qual se encontra em verdadeiro estado de calamidade.

O ministro Ricardo Barros acusou os médicos de não trabalharem, depois resolveu retratar-se, mas de maio até este final de agosto a calamidade não apresenta qualquer sinal de redução. Ao contrário. O sistema de saúde merece estar no centro do tratamento intensivo para salvar-se.

Aliás, o Brasil, como um todo, está exigindo medidas urgentes para que sua população possa salvar-se do abandono e que se encontra. O desemprego é o fator principal do desequilíbrio das contas previdenciárias, em particular, e das contas públicas de modo geral. A arrecadação de impostos no primeiro semestre ficou abaixo do esperado pelo ministro Henrique Meirelles. A culpa, evidentemente, não pode ser transferida aos assalariados. Os assalariados são as vítimas e não os culpados da catástrofe.

9 thoughts on “Informação a Meirelles: é o desemprego que explode as contas do INSS

  1. Sem dúvida, quanto maior o desemprego, maior é o deficit previdenciário. O que gera emprego é o crescimento da indústria e do comércio que se encontravam em situação pré falimentar, e algumas chegaram ao ponto de fechar as portas.
    Sem incentivo, principalmente as pequena e médias empresas, não haverá solução.

  2. Além do desemprego, é a sonegação de várias empresas, inclusive estatais, além do desvio de recursos da previdência social para outros fins.

  3. sobre um ministro da saúde que nada dela entende, nada de novo no front; afinal, já tivemos um ministro da justiça coronel jarbas passarinho…alembram-se?

    • Que tambem foi ministro da previdencia e educacao.Temos que fazer uma auditoria das dividas interna e externa ,feitas teremos troco a receber e que troco.

  4. Srs. bom dia.
    Estamos com problema muito maior do que imaginamos.
    Todos falam em aumentar o nível de emprego e eu concordo plenamente. Mas, tenho usado palito de dentes de excelente qualidade de uma marca de décadas no Brasil; como não confio no made in China, fui olhar o fabricante do palito para exclamar; Viu, feito no Brasil, por isto é bom; qual não foi meu espanto quando vi no fundo da caixa, estampado “made in China”.
    Como poderemos aumentar empregabilidade se até palitos de dentes é feito na China?!!!
    A menos que voltemos ao tempo da presidanta onde via dezenas de soldadores, montadores, esmerilhadores e outros, admitidos e parados por falta de trabalho; só para propaganda de que havia pleno emprego e hoje, estamos pagando este alto preço e continuaremos se não encararmos o problema de frente.
    Todos, completamente todos tem algo de bom para apreciarmos e até copiarmos se for o caso; vamos dar uma “pensada” no que Donald Trump falou sobre empregar os americanos e o que fazer para tal fim.
    Tenho até medo de falar, mas outra maneira de pagar esta conta, é emitir $ e deixar a conta para o povão através da inflação que advir.

  5. Este problema do déficit nas contas públicas foi causado pelos políticos nessa briga pelo poder, é simplesmente isso. Não querendo assumir a culpa empurram para o povo essa conta. Não acredito que o ministro não saiba que os trabalhadores não podem pagar uma conta que não devem. Que ele cobre dos verdadeiros devedores. É preciso coragem para enfrentar a situação, pois é muito cômodo passar a conta para o trabalhador como é de costume nesse país.

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