INSS: empréstimo consignado é um desastre para aposentados

Pedro do Coutto

Na noite de terça-feira 6, o Jornal Nacional exibiu reportagem sobre a armadilha que se oculta sob a forma de uma ilusão amarga configurada no empréstimo aos aposentados e pensionistas do INSS, através de desconto em folha. É fato. O governo federal jamais deveria não só patrocinar, mas permitir tal sistema. Inclusive realizado por bancos estatais, como é o caso da Caixa Econômica e do Banco do Brasil. Não há dúvida que se trata de maneira de aumentar ainda mais os lucros da rede financeira e reduzir seus riscos. Verdadeiro alçapão, método perverso na essência.

O INSS é responsável pelo pagamento a 26 milhões de aposentados e pensionistas. Setenta e cinco por cento deles ganham apenas o salário mínimo. Logo apresentam carências já forçadas por compras a prazo  a juros de pelo menos 4% ao mês, enquanto a inflação encontrada pelo IBGE para os últimos doze meses é de 7%. Muito bem. Os juros mensais cobrados pelos créditos consignados em folha são de 2,5%. Sem calcular os montantes, este percentual significa 30% ao ano. Como os inativos podem resgatar tais créditos se o próximo reajuste, em Janeiro, será de 14% de acordo com a lei em vigor? Quatorze por cento para os que recebem o piso. Para a fração que hoje está acima do mínimo não se sabe quanto será.

Não há a menor lógica. De um lado, incidência de 30, de outro 14%. Não pode dar certo. Sobretudo porque os preços sobem mensalmente. Os salários ao fim de cada ano. O reajuste dos valores do trabalho humano, ou de seus direitos sociais, está sempre correndo atrás da velocidade inflacionária. A sucede, não a antecede. O desgaste, portanto, é maior. Mas é outra questão.

A armadilha dos bancos, ajudados incrivelmente pelo poder público, é sofisticada. Contratam artistas de renome e conceito para fazer peças publicitárias sedutoras, direcionadas, é claro, para pessoas mais velhas. Transmitem a falsa ideia de que os tomadores dos empréstimos consignados estão sendo espertos. Usam a imagem conquistada nas novelas da Globo para iludir e, no final, incentivar o crédito arrasador. Mas vão em frente, sem remorso e sem consciência do mal que estão praticando.

No caso de terem consciência, sua situação ética piora ainda mais. Estão traindo a confiança dos que os admiram.Hoje, internado, doente, mas quando escrevia página semanal na Veja, Millor Fernandes foi firme e preciso: “Peço que deixem de falar comigo, quando me encontrarem na rua, os artistas que aceitaram fazer propaganda do crédito consignado”. O grande jornalista e artista está absolutamente certo. Mas o crédito consignado pode ser enquadrado como propaganda enganosa e assim proibido. Aceitá-lo ou não, como um veneno, é uma opção dos pensionistas e aposentados.

Outra armadilha, que tem os bancos por trás, no caso inevitável, é a antecipação de metade do décimo terceiro salário. Governantes ostentam a medida como favor. Não é benefício algum. A antecipação tem dois motivos não aparentes: elevar a retenção dos resíduos dos saldos individuais, pois ninguém faz a conta cair a zero. Aumentar o movimento de compras financiadas, dando a ilusão de que nós tivemos acréscimo em nossos vencimentos.

Vale  a pena observar que toda antecipação do décimo terceiro é acompanhada por um reforço nos espaços publicitários nos meios de comunicação. Para este caso, no entanto, é preciso apenas ter cuidado. Na hipótese do desconto em folha é uma ilusão. É fazer a pessoas mais velha deixar-se levar e cair no poço da falsidade. Aliás há muitos por aí.

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