Interferncia na PF j est mais do que comprovada, porm Moraes no conclui o inqurito…

Bolsonaro j retaliou 18 delegados da PF - Patria Latina

Charge do Erasmo (Arquivo Google)

Pepita Ortega e Luiz Vassallo
Estado

A delegada da Policia Federal Denisse Dias Rosas Ribeiro considera que continua a haver possibilidade de interferncia no processo de extradio do blogueiro Allan dos Santos, aliado do presidente Jair Bolsonaro. Permanece ainda latente o risco de ocorrncia de novos eventos com potencial de causar prejuzo ao fluxo normal da apurao, registrou a delegada em documento enviado ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do inqurito das milcias digitais.

Em despacho datado do ltimo dia 29, Denisse indicou que as medidas relativas extradio ativa de Allan abrem o caminho para que novas aes ou omisses, no mbito da Secretaria Nacional de Justia, prejudiquem a tramitao do processo, diante da possibilidade de eventual pedido de complemento de informaes, ou por inobservncia de prazos, ou por retardo nas comunicaes aos rgos executores. Nessa linha, a delegada, chegou a defender a necessidade da adoo de aes mitigadoras e desestimuladoras de tentativas de interferncia no fluxo normal do processo.

AFASTAMENTOS SUSPEITOS – Desde o pedido para incluso do nome do blogueiro na lista de Difuso Vermelha da Interpol, as tratativas de extradio do blogueiro so marcadas por suspeitas de interferncia.

A delegada da Polcia Federal Silvia Amelia da Fonseca foi exonerada do cargo de diretora do Departamento de Recuperao de Ativos e Cooperao Jurdica Internacional (DRCI) aps andamento do pedido de extradio do bolsonarista.

Alm dela, a delegada Dominique de Castro Oliveira, que processou a determinao para incluir nome de Allan dos Santos na lista de foragidos internacionais, recebeu uma ordem da PF para deixar posto na Interpol e retornar superintendncia da corporao em Braslia.

RELATO A MORAES – O documento remetido a Alexandre de Moraes detalha informaes colhidas em depoimentos aps notcias de suposta tentativa de embarao efetivao da extradio de Allan dos Santos, no mbito da Secretaria Nacional de Justia.

A PF diz ter identificado que o atual secretrio da Secretaria Nacional de Justia, Jos Vicente Santini, ao tomar cincia do pedido de extradio de Allan dos Santos, solicitou a Slvia Amlia Fonseca de Oliveira, ex-diretora do DRCI, acesso caixa de documentos restritos da unidade, alm de determinar a alterao do fluxo de referidos processos de extradio ativa para inclu-lo como instncia de deciso.

Os investigadores dizem ainda que a ento diretora no acatou imediatamente o comando referido por ausncia de previso normativa, sugerindo o encaminhamento do pedido para anlise jurdica.

EXONERAO DESMOTIVADA – Nessa linha, a PF diz que os depoimentos colhidos durante as apuraes, indicam que a exonerao da delegada do DRCI est ligado ao fato de no ter dado cincia tempestivamente ao SENAJUS (medida no prevista em norma) da existncia do pedido de extradio, tendo dado prosseguimento normal ao procedimento com o encaminhamento da demanda.

Em razo das informaes, a Polcia Federal chegou a elaborar uma hiptese criminal, indicando que Santini, ao determinar a alterao do fluxo necessrio para tramitao de processos de extradio ativa, incluindo a etapa de submisso do pleito ao Secretrio Nacional de Justia, com o propsito de criar instncia, at ento inexistente, no pedido de extradio de Allan dos Santos aos Estados Unidos, poderia vir a configurar embarao s investigaes sobre as milcias digitais.

COMPASSO DE ESPERA – A hiptese em questo, no entanto, acabou suspensa pelos investigadores enquanto se aguarda o fim da tramitao do processo de extradio de Allan dos Santos. A PF entendeu que as medidas realizadas por Santini acabaram no impedindo o envio do pedido de extradio aos EUA, uma vez que se deram aps o DRCI cumprir sua funo.

Ainda segundo a corporao, os atos subsequentes realizados pelo secretrio no incidiram, at o presente momento, de maneira a interferir efetivamente na tramitao, mesmo porque a demanda ainda se encontra sob o crivo das autoridades americanas. A interferncia, portanto, apesar de presente o risco, ainda uma cogitao, diz o relatrio.

INTERFERNCIAS CLARAS – Entre os depoimentos colhidos para apurar a suposta tentativa de embarao extradio de Allan dos Santos, a PF ouviu Silvia Amlia, ex-diretora do DRCI. Ela relatou PF que a unidade atua como autoridade central nos casos de extradio, sendo que no h participao do Secretrio do Senajus nos processos e que somente tem acesso ao sistema onde tramitam os pedidos de extradio os servidores lotados na Coordenao de Extradio e Transferncia de Pessoas Condenadas e a diretoria do DRCI.

No entanto, no caso de Allan dos Santos, o chefe de gabinete da Senajus, Alexandre Rabelo Patury, e a assessoria de comunicao do rgo teria procurado o coordenador o CETPC, Rodrigo Sagastume para esclarecimentos sobre tal pedido de extradio. Na ocasio, Silvia orientou Rodrigo a informar que o processo j havia sido encaminhado ao Ministrio das Relaes Exteriores.

Ainda segundo a ex-chefe do DRCI, o chefe de gabinete do ministro da Justia Anderson Torres, Antnio Ramirez Lorenzo, teria solicitado a Priscila Campelo que atuou na diretoria do DRCI durante as frias de Silvia informaes sobre os trmites de pedidos de extradio ativa.

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NOTA DA REDAO DO BLOG
A matria cita outros depoimentos, mas vamos parar por aqui, pois j se constata que a interferncia na PF est mais do que comprovada, e no se sabe o motivo da indeciso do relator Alexandre de Moraes. Certamente, est aguardando a chegada do Messias, como fazem os cristos fundamentalistas. Mas possvel que o Messias no chegue to cedo e, mesmo assim, o inqurito precisa ser concludo talvez no Dia de So Nunca, como se dizia outrora. (C.N.)

2 thoughts on “Interferncia na PF j est mais do que comprovada, porm Moraes no conclui o inqurito…

  1. Os que mandam e desmandam aqui esto sempre um com medo do outro, e natural pois a realidade deles diferente dos mortais comuns que trabalham duro, tem salrios baixos e benefcio quase nenhum.

    No se espera mais nada da justia, as coisas rolam de um lado para o outro e sempre terminam a favor do criminoso.

    Basta ver o que aconteceu com a lava jato, depois de investigar, buscar provas robustas e abundantes,, convocar uma multido de testemunhas, denunciar um bando de gente metida na sujeirada de Luiz Incio, processar os bandidos, resgatar bilhoes de reais, condenar um batalho de ladres , a vem um ministro, depois de cinco anos, e diz: o foro de Curitiba no adequado.

    Quanta grana se gastou em todo esse trabalho desde as investigaes at as prises, para depois se jogar tudo no ralo.

    Ningum pode prever onde isso vai parar pois a irresponsabilidade dos dirigentes brasileiros ultrapassou o limite de qualquer possibilidade de convivncia com os fatos que nos deparamos diariamente.

    No h espao suficiente para se denunciar tantas falcatruas, e muito menos conscincias honestas capazes de entender porque so to perversos.

    Todavia, precisamos resistir aos malfeitores que se sentem a vontade mas sabemos que no h mal que no se acabe.

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