Investidores se interessam pela BR, mas querem assumir controle da empresa      

Charge do Vichy, reprodução do Arquivo Google

Mônica Scaramuzzo e Antônio Pita
Estadão

Os fundos Advent, GP Investments e a trading de energia e commodities Vitol, com sede na Holanda, estão no páreo para a compra, dessa vez, de parte relevante da BR Distribuidora, que pertence à Petrobrás, apurou o Estado. Uma fonte a par do assunto afirmou que os desfechos de uma possível proposta deverão ser analisados a partir do fim do mês. “Nesse novo formato, a BR pode ceder e ter a gestão compartilhada”, afirmou a fonte.

Líder em distribuição de combustíveis no País, a BR Distribuidora é avaliada em até R$ 30 bilhões, segundo essa mesma fonte. “Os primeiros movimentos da companhia foram frustrantes. A estatal tentou fazer no ano passado oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês), mas não avançou. Depois, manifestou desejo de vender uma participação minoritária”, disse outra pessoa a par do assunto.

INTERESSADOS – A distribuidora de combustíveis atraiu interesse de vários investidores – estratégicos nacionais e multinacionais, além de financeiros. Os fundos Advent e GP, além da Vitol, já tinham manifestado intenção de compra. Mas como o modelo anterior previa a entrada de um investidor como acionista minoritário, com até 25% de fatia, não interessou aos investidores.

Em recente entrevista ao Estado, o grupo Ultra, dono da rede de postos Ipiranga, também afirmou ter interesse na BR, desde que o ativo fosse fatiado, para evitar problemas de concentração. Para o Ultra, importavam os ativos da região Norte e Nordeste. A gestora canadense Brookfield e outras petroleiras também se interessaram pela empresa.

No fim do ano passado, a BR chegou a abrir um processo para buscar um executivo de mercado para presidir a companhia, segundo fontes pelo Estado. Dezenas de profissionais, incluindo os de empresas concorrentes, foram consultados. No entanto, o processo não avançou. Ivan de Sá é o presidente interino.

OPORTUNIDADES – Nesta quinta-feira, 14, durante evento na sede da Petrobrás, o presidente da estatal, Pedro Parente, afirmou que analisa as condições de três propostas apresentadas para a compra de participação na BR Distribuidora, mas não descarta “outras alternativas”. O executivo não revelou quais são os interessados.

No último mês, a direção da empresa apresentou ao conselho de administração estudos para ampliar a fatia de participação à venda, chegando a 50% com gestão compartilhada. Parente não quis dar detalhes das propostas em análise, mas indicou que avalia as que representam “o melhor valor” para a empresa.

Após a mudança de governo, entretanto, teria crescido na estatal a preferência por um modelo de controle compartilhado com um sócio privado. Parente afirmou que, até o momento, “foi feito pouca coisa” do plano de desinvestimentos desenhado pela estatal no ano passado. A meta é chegar a US$ 14 bilhões somente neste ano.

8 thoughts on “Investidores se interessam pela BR, mas querem assumir controle da empresa      

  1. Não pode haver muito interesse na compra por parte do setor privado em comprar participação minoritária de uma estatal. Ainda mais no Brasil em que a interferência política, comprovadamente, desvia a finalidade lucrativa da empresa e provoca distorções em seu ambiente de gestão.

    A pressào do setor privado será, com certeza, pela aquisiçào da empresa com completo controle.

    É na questão de segurança administrativa. Segurança jurídica. Segurança na finalidade operacional da empresa, na sua despolitização.

  2. Quem iria investir em uma empresa que permaneça controlada pelo estado, onde as decisões não são tomadas em benefício da mesma mas em função dos interesses do governo do momento?

  3. Prezado Wagner Pires,
    Não seria mais importante e eficiente para alavancar e resolver os problemas da Petrobrás e as demais estatais que estão em dificuldades financeiras e dar uma forte guinada para a recuperação do Brasil num curto prazo usando pelo menos 50% das reservas cambiais, que seria mais ou menos 700 bilhões de reais e continuaria ainda com 200 bilhões de dólares como reserva cambial. Creio que tirar o país desse buraco é mais importante que manter 400 bilhões de dólares com reservas.
    Um forte abraço.

  4. Não, mas as reservas internacionais são exatamente um mecanismo de proteção importantíssimo para o país se defender de uma fuga de capitais, de uma crise cambial, a qual pode ter consequências nefastas para a economia. Em 98 nossas reservas eram muito menores do que atualmente, e fomos vítimas de um ataque especulativo e de uma desvalorização cambial que quase trouxeram a inflação descontrolada de volta e só não tivemos uma crise cambial porque o FMI nos emprestou US$ 40 bilhões. A crise cambial é exatamente a falta de dólares para pagar as importações e os compromissos internacionais. A crise cambial nos rondou em 82, quando houve a quebra do México, e tivemos que centralizar o câmbio para não ficarmos sem reservas, o que ocorreu em 87, quando houve a moratória da dívida externa. Portanto, reservas são fundamentais, apesar do seu custo de carregamento, já que as reservas são aplicadas em títulos do tesouro americano, que rendem muito pouco por ano (acho que atualmente menos de 1% ao ano), e, pela dívida interna brasileira, o governo brasileiro paga a maior taxa de juros do mundo, 14,25% ao ano. No artigo da Cláudia Safatle sobre a crise cambial de 82, ela informa que, segundo o Galvêas, então Ministro da Fazenda, houve ano em que o Brasil gastou mais com a importação de petróleo e com o serviço da dívida do que a receita de exportações, daí a crise cambial. Para se ter uma ideia da inflação daquela época seguem os anos e os percentuais: 80 – 110,2%; 81 – 95,2%; 82 – 99,7; 83 – 211%.

  5. A Petrobras SA ( Petróleo) não deve vender o “controle” de nenhum Ativo estratégico, na qual fique dependente, ex. Gasodutos X Gás BR. Nem o “controle” das suas SUBSIDIÁRIAS ESTABILIZADORAS como as Refinarias, Transpetro, BR Distribuidora, etc. Uma Cia Petroleira pura depende dos caprichos da Natureza, da variação violenta do Preço do Petróleo que sempre foi mais Político do que de Mercado, etc. Uma Petroleira pura ( que só produz petróleo/gás), deve reduzir esse risco brutal, contando com Subsidiárias no Refino, Transporte, Distribuição, etc, que sempre produzem o Lucro Normal, ou trabalhar com uma LIQUIDEZ BRUTAL. Deve tentar/FORÇAR vender Contratos A VISTA, para entrega futura de petróleo, 3,5,7 anos, a preço de Mercado – um bom Desconto, digamos 25%/30% ou até o possível.
    Dentro de +- 2 anos a Petrobras SA contará com excedentes crescentes para Exportação. O problema é o aperto de CURTO PRAZO. ( +- 5 anos). Temos que aguentar.

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