Investigação sobre a máfia da merenda em São Paulo continua travada

Estudantes fizeram protestos, mas não adiantou nada

Tiago Dantas
O Globo

Seis meses após a Polícia Civil de São Paulo deflagrar a Operação Alba Branca, continua emperrada a investigação sobre um grupo acusado de fraudar a venda de suco de laranja para a merenda escolar do governo estadual de São Paulo e de pelo menos 22 prefeituras. O processo, que corre o risco de ser anulado, ainda não apontou culpados. O inquérito que apura a participação de deputados no esquema também está travado.

Ao longo da investigação, nomes de prefeitos, secretários e funcionários públicos de dezenas de prefeituras foram citados em escutas telefônicas como integrantes na rede de corrupção, mas ninguém foi indiciado. Dois advogados ainda acusam policiais e promotores de terem coagido seus clientes a dizer coisas que não queriam nos depoimentos. A denúncia está sendo investigada pela Corregedoria da Polícia Civil, mas é contestada pelos policiais.

DELAÇÃO – O advogado Pedro Menin, que defendeu Marcel Ferreira Júlio, apontado como o principal lobista do esquema, abandonou o caso em abril, alegando que não concordava com a forma como os depoimentos estavam sendo tomados. Após ficar foragido por 72 dias, Marcel se apresentou à polícia em 31 de março e resolveu fazer uma delação no dia em que seu pai, o ex-deputado Leonel Júlio, foi preso. O depoimento está sob sigilo.

Em junho, o Ministério Público de São Paulo decidiu encaminhar o caso à Justiça Federal, alegando que 92% dos recursos usados pelas prefeituras para comprar o suco vinham do governo federal, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Os advogados alegam que, como o caso envolve verbas federais, os policiais não tinham competência para continuar o inquérito. À frente do caso, o promotor Leonardo Romanelli não comentou.

DENÚNCIA – A Polícia Civil começou a investigar a máfia da merenda em julho de 2015, a partir da denúncia de um ex-funcionário da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf). Em janeiro deste ano, seis pessoas foram presas. Numa segunda etapa, em março, mais sete foram detidos. Hoje, ninguém está preso.

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