Investigar, para honra desta nação

Carlos Chagas

O círculo vai se fechando em torno do Lula. Certas perguntas, porém, precisam ser respondidas antes que o primeiro companheiro fique sem saída.

Quantas viagens ele fez às custas de empreiteiras, como presidente e ex-presidente da República, a países da Africa, América Latina e outros continentes, para alavancar negócios de empresas brasileiras junto a autoridades estrangeiras?

Quanto recebeu dessa intermediação, a título de palestras ou comissões pelo sucesso da contratação de obras e serviços?

Qual era seu patrimônio e de seus filhos antes dessas viagens e como ficou após a última realização?

NÃO É ILEGAL

Essas três indagações se entrelaçam a partir de duas constatações: não é ilegal para um presidente ou ex-presidente atuar para o sucesso de empresas brasileiras empenhadas em trabalhar em outros países. Também não é ilegal para ex-presidentes faturarem em função de seus esforços para o crescimento de empresas brasileiras.

O que põe essas operações sob suspeita de crime é se presidentes ou ex-presidentes agiram pressionando ou mesmo sugerindo a bancos e entidades estatais, como o BNDES, para privilegiarem empresas brasileiras empenhadas em obras e serviços externos.

Torna-se necessário apurar se houve participação ou influência do Lula nos financiamentos e créditos concedidos às empreiteiras. Não se trata de missão impossível, ainda que árdua. Se executada com critério e pertinácia, poderá inocentar ou condenar o ex-presidente da República. Não é ilegal trabalhar e faturar, ainda que muitas vezes pareça imoral. Constitui crime, porém, traficar influência. Por isso, donos, diretores e funcionários dessas empresas encontram-se na cadeia. Investigar, mais do que necessário, é imprescindível, para honra desta nação.

FALTA DE CORAGEM

Demitir é sempre penoso, muitas vezes cruel e injusto. Faz, no entanto, parte de qualquer administração. Se um ministro não vai bem, ou se uma empregada doméstica vai mal, haverá que substituí-los, de preferência depois de esforços para melhorar suas performances. Muitas vezes com dor, ainda que na maior parte dos casos quem demite imagine afirmar-se como poderoso e implacável.

Agora, demitir sem olhar nos olhos, pelo telefone ou por notinhas plantadas no jornal, é antes de tudo covardia. Falta de coragem. Pior ainda se por injunções pouco éticas, malandragens e armações indignas.

One thought on “Investigar, para honra desta nação

  1. Não é ilegal ganhar dinheiro às custas dos conhecimentos e oportunidades que o cargo de presidência dá ao indivíduo. Acho que qualquer presidente ou ministro deve fazer as intervenções necessárias para que o seu país ganhe prestígio e divisas com bons negócios.
    Incorreto é agendar viagens com propósito específico de fazer negócios tentando incluir algumas empresas amigas. Esta função é de ministros, mas pode ser feita por presidentes também. Isto é moralmente condenável, mas não chega a ser crime. O lobby é mundial.
    Criminoso é utilizar o cargo para influenciar fortemente e fazer acontecer os vários empréstimos do BNDES, com taxas subsidiadas e com retorno e garantias duvidosas, aqui e no exterior. Isto é muito grave.
    Se houve algum crime, foi o de desvio de dinheiro público via BNDES para os bolsos dos empreiteiros amigos e dos apaniguados do poder. Este desvio, além de abastecer os bolsos de alguns intermediários, financiou campanhas de candidatos. Assim, basta verificar como o dinheiro do tesouro brasileiro, via contratos “sigilosos” BNDES, foi remetido para outras nações ou empresas ou órgãos, quando, por ordem de quem, para que obras, com que critérios, quanto lucro foi gerado para o tesouro brasileiro em cada operação, etc. Tecnicamente, pode ser desvendado se houve crime ou não, pois se o tesouro brasileiro obteve lucro, ótimo. Caso contrário e se constate negligência nos critérios, cadeia para os responsáveis, como, aliás, deveria estar acontecendo com os conselheiros da Petrobras que fizeram a compra da sucata de Pasadina. Quem está pagando pela gestão criminosa da empresa? Quem está sendo responsabilizado? Nos EUA quem gere temerariamente dinheiro alheio e provoca prejuízos vai em cana. Aqui no Brasil, ninguém sabe de nada, e basta a palavra do enganador para que tudo fique na mesma.
    A gestão do estado brasileiro, infelizmente, é uma grande teia de cumplicidade no mal. Quem cai nesta teia não consegue mais sair, mesmo querendo.

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