Investimentos não acompanharam incentivos fiscais do governo

Pedro do Coutto 

Os principais jornais do país destacaram o fato de a receita pública verificada no primeiro trimestre deste ano ter ficado abaixo da expectativa oficial, acentuando portanto que os investimentos, sejam públicos ou privados, não refletiram os incentivos fiscais proporcionados pelo governo.

A Folha de São Paulo, por exemplo, reportagem de Carolina Oms, ressalta que as aplicações de capital, sem considerar a inflação oficial acusam um acréscimo de apenas 7,4%, praticamente a metade da elevação dos gastos com custeio, incluindo pessoal e material e encargos com a Previdência Social. Com isso, o chamado superávit primário, total das despesas públicas excluído o pagamento de juros para girar a dívida interna, que no primeiro trimestre de 2-12 fora de 33 bilhões desceu no igual período deste ano para 19,9 bilhões de reais.

Essa questão de superávit primário, aliás, precisa ser melhor colocada. Não existe, de fato. Se uma família, por exemplo, excluir de suas despesas mensais os gastos com alimentação, certamente alcançará um superávit contábil. Mas não real. Os encargos financeiros são concretos, não mudam porque se adota critério de classificação e comunicação diferente.

DÍVIDA INTERNA

As despesas com os juros da dívida interna são muito elevados. Basta consultar o Diário Oficial de 30 de janeiro de 2-13, página 16, para saber que no decorrer de 2012 o Tesouro Nacional despendeu nada menos que 140,5 bilhões apenas para manter o endividamento no nível de 1 trilhão e 500 bilhões de reais.

No exercício passado, média aproximada de 12 bilhões por mês. Se o patamar da dívida foi o mesmo, no primeiro trimestre deste ano os juros levaram a um desembolso da ordem de 35 a 36 bilhões, ultrapassando o superávit primário de 19,9 bilhões de reais. Inclusive é possível que a redução de tributos fixada pelo governo tenha levado empresários a aplicar a diferença no mercado financeiro, e não em programas de investimentos. Se assim houver acontecido, como é possível, o Tesouro deixou de arrecadar mais e, paralelamente, passou a ter um acréscimo de despesa com o pagamento de juros.

As matérias econômicas requerem sempre uma observação bastante ampla de todos os seus ângulos. Pois muitas vezes as medidas aparentemente indicam numa direção, mas no decorrer dos dias ganham rumos diferentes. É difícil prever ou calcular adequadamente todos os efeitos. Inclusive uma face deve ser acrescentada a qualquer análise. Não apenas confrontar o percentual de qualquer aumento verificado com a taxa de inflação, registrada pelo IBGE e pela Fundação Getúlio Vargas, como também com o índice de crescimento demográfico. A população brasileira cresce à velocidade de 1,2% ao ano, significando que a cada período de doze meses nascem no país praticamente 2 milhões de crianças.

São seres humanos que necessitam de políticas públicas essenciais. Acrescentam-se aos quase 190 milhões de jovens, adultos e idosos que formam nossa população. Este pindice de correção demográfica deve ser incorporado às matérias  de análise técnica da realidade econômica brasileira. Assim, os investimentos públicos e particulares devem ser estudados em comparação com os índices inflacionários, mas não apenas com eles. E sim, também, levar-se em conta que o crescimento do PIB tem de superar a inflação, mas também ampliar-se além da soma do índice inflacionário com o crescimento da população. O resultado do primeiro trimestre não foi positivo. Vamos esperar que  melhore muito daqui para frente.

 

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3 thoughts on “Investimentos não acompanharam incentivos fiscais do governo

  1. Excelente artigo do Sr. Pedro do Coutto, que nos mostra que a Economia começou a cobrar o preço das Desonerações Fiscais, (queda de +- 10% na arrecadação Federal no primeiro trimestre/2013). Apesar também da baixa dos Juros, principalmente a tx. Básica Selic, da baixa da Energia Elétrica, do subsídio da Gasolina, etc, o Investimento, Público e principalmente o Privado cresceu muito pouco. Aumentou-se um pouco a Poupança Privada, mas não o Investimento, prevendo-se o crescimento do PIB/2013, apesar de todos esses esforços na direção certa, de 3,5%. Mais uma vez se mostrou verdadeiro o ditado Popular: Uma mão forte, (Presidenta Dilma Rousseff), pode levar o cavalo até a beira do rio, mas não pode forçá-lo a beber. Se bem que 01 Trimestre é muito pouco para dar uma base, não deixa de ser preocupante. Por algum motivo, tem-se a impressão que o Gov. Dilma “não é amigo dos Negócios”, que é muito centralizadora, seu Vice-Presid. muito sumido, enfim: Todo mundo fica com medo, inseguro, e a incerteza é a maior inimiga do Investimento. A Presidenta Dilma tem que se lembrar que Economia Política é 20% Economia e 80% Psicologia. Ela domina bem os 20% da Economia, mas é MÁ PSICÓLOGA. Por isso que eu digo que ela tem que sorrir mais, usar de bom-humor, se reunir muito com o Pessoal da FIESP, (de todas as Federações), e tomar “muitas pingas juntos”, para insuflar CONFIANÇA nesses Empresários tão arredios.

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  2. Bacana o artigo, Sr. Pedro.

    Não dá para comparar as grandezas que o senhor menciona. Temos de achar uma que seja elemento comum. E a grandeza que une o crescimento da população com a do PIB é o PIB per-capta.

    Aí viriam muitos e diriam que esta grandeza não mede a distribuição. E, é verdade. “Paripassu” com o crescimento deve andar a distribuição da riqueza. Entra, então, o índice de GINI.

    O Brasil é de difícil administração, pois apresenta enormes e profundas deformidades econômicas e sociais de demorada solução. Creio que o PT acreditou que iria mudar isso como quem joga três palitos – rapidamente. Está patinando.

    Poupança e investimento, eis a dualidade em que o nosso País precisa penetrar. Nós, brasileiros, precisamos entender isto.

    Precisamos entender, também, que sem investimento em infraestrutura,que gere economia de logística, diminuição do custo-Brasil e integração nacional, por parte do governo, não haverá crescimento no investimento privado. Como tal investimento não anda, por uma questão de limitação financeira, estamos numa “camisa de onze varas”, engessados na fórmula petista de crescimento da economia pelo estímulo do consumo. E só isso.

    Uma observação: as ferrovias não ficarão prontas antes de 2020; sabendo disto, fica o governo petista enchendo linguiça com o programa de bolsas e fazendo discursos em torno delas e do baixo índice de desemprego que está em 5,7%, conquistado com a política de aumento do consumo. Política já esgotada; mas, mantida em detrimento da poupança.

    Se fosse um governo ousado – no bom sentido -, estaria investindo pesado, desde o começo de sua administração em educação. Preocupado, verdadeiramente, com a mudança de rumo do Brasil.

    Vemos, então, que o projeto petista corresponde a um projeto de poder e não a um projeto de País.

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