Isabelita do PT

Sebastião Nery

No jantar de aniversário de um radialista amigo, em São Paulo, em 2002, José Serra, candidato a presidente da Republica pelo PSDB-PF, tenso, pegou pelo braço o deputado e criador da Força Sindical, Luís Antonio Medeiros, e levou-o para a varanda:

– Medeiros, desta vez você vai ficar conosco?

– Não posso, Serra. Sou PL e meu partido deve apoiar o Lula. Pela primeira vez vou ficar com o Lula. Da próxima conte comigo.

– Não haverá a próxima vez, Medeiros. Será agora ou nunca. Estou com 60 anos e sei que minhas energias e chances são agora. Vi o Montoro acabar o governo gagá, aos 70 anos. (Montoro nasceu em 16 de julho de 1916, terminou o governo em 1986, e morreu em 16 de julho de 1999. Serra nasceu em 19 de março de 1942.) Vai ser tudo ou nada, Medeiros. Vou jogar tudo e passar por cima de quem se puser na minha frente.

***
SERRA

No dia seguinte, publiquei a conversa, Medeiros confirmou. Agora, 8 anos depois, novamente candidato a presidente, Serra mostrou que estava enganado. Aos 68 anos, ainda tinha energia, e muita, para disputar outra vez.

O que faltava a Serra não é energia. É campanha, é candidatura. Seu marqueteiro Luiz Gonzalez, com o ar blasé de vendedor de apartamento em Barcelona, queria que Serra fosse um sub-Lula. Então o candidato da oposição devia ser Dirceu, Palocci, Genoino, Delubio, e não Serra.

Nunca se viu uma campanha tão necessitada de Vitamina C (“Vitamina Carater”). Serra queria ser o Lula, Marina queria ser a Dilma. Se é assim, deviam ir embora para casa e deixar como está para ver como fica.

***
PROIBIÇÕES

Na eleição, ficou claro por que o Congresso e a Justiça Eleitoral proibiram comícios, cantores, camisetas e foguetes. Nunca houve campanha em pais nenhum sem isso. Foi para que os recursos de campanha fossem todos canalizados para os marqueteiros da televisão e os institutos de “pesquisa”, associados às redes de TV e grandes jornais. Juntos, manipulam tudo.

É uma catapulta. Antes,as pesquisas eram mensais.Viraram semanais. Cada semana um deles lançava seus números a serviço dos candidatos oficiais (nacional ou estaduais). E as televisões e jornalões martelavam aqueles “números” a semana inteira, de manhã, de tarde, de noite. As TVs faziam um carnaval, de hora em hora, em dezenas de jornais diários.

No fim de semana, lá vinha outro instituto escalado para a nova “pesquisa”. E nova bateria de noticiários, dezenas de vezes ao dia. A primeira “pesquisa” empurrava a segunda, a segunda empurrava a terceira e assim consecutivamente.

Com uma “maquina de governo” desse poderio, a eleição estava liquidada. E veio o parlapatão espanhol e jogou Serra na garupa de Lula. Como dizia um velho mestre do Seminário, só não relinchavam de modéstia.

***
MARINA

A campanha de Serra dizia que, quando o horário eleitoral chegasse à televisão, ele tiraria a diferença. Só piorou. A frieza do programa dele transmitia uma irreversivel mensagem de derrota. E Dilma, a Isabelita do PT, com seu “mestrado de mentira”, dizia qualquer coisa, sem compromisso com a ética.

O brasileiro tornou-se refém da TV. A TV falou, virou verdade. No “Globo”, Merval Pereira citava a Marina Silva, que denunciava “a infantilização do eleitorado brasileiro”. Não é infantilização. É “imbecilização”. E o grande culpado é precisamente a televisão. Merval sabe disso de casa.

***
BIG BROTHER

Um povo que paga, e paga caro, mais de 300 mil telefonemas, quase 400 milhões de reais, para votar no “Big Brother”, o “tele-bordel” do Pedro Bial, é um povo que foi imbecilizado. E sobretudo pela TV.

O grande crime de Lula, que um dia o pais vai pagar, é haver “somosado”, “peronizado”, “chavezado”, “mexicanizado” a democracia brasileira.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *