Itália só libertou Pizzolato porque Brasil não deu garantias

Jamil Chade
O Estado de S. Paulo

O Tribunal de Bolonha alerta que o Brasil não deu garantias de que o Complexo da Papuda teria condições de assegurar a proteção de Henrique Pizzolato e confirmou que tomou a decisão de não extraditá-lo baseada apenas nesse argumento. Mas a corte rejeitou o argumento do brasileiro de que o processo do mensalão foi “político” e que ele não teve o direito de se defender.

Ao fugir do Brasil, Pizzolato declarou que iria provar nas cortes italianas que havia sido alvo de uma “injustiça”. Ao sair da prisão, o brasileiro ainda elogiou a Justiça italiana, dizendo que era “muito melhor que a brasileira por não se basear na imprensa”.

Na terça-feira, porém, a Corte publicou a argumentação de sua decisão, tomada há uma semana e que soltou Pizzolato da prisão de Modena. A corte derrubou nove dos dez argumentos da defesa do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil.

O advogado do brasileiro na Itália, Alessandro Sivelli, havia alegado aos juízes que seu cliente sofreu um processo político no Brasil, que não teve a possibilidade de recorrer, que provas foram escondidas e que ele não teve como se defender. Para a Corte, as alegações são “todas infundadas”.

CASO DA PAPUDA

Mas o que mais pesou foi a violência nas prisões e o fato de que o Brasil não deu garantias diante “fenômeno alarmante da falta de segurança e de ordem nas penitenciárias brasileiras”. “A Corte entende que o Brasil nada exprimiu sobre esse fenômeno”, disse. “A situação que gera violência súbita entre os detentos não se alterou significativamente e ainda há risco”, acusa a corte.

Um dos pontos destacados foram os dois homicídios ocorridos neste ano na Papuda, em julho e agosto. Sivelli havia usado os casos para mostrar que os riscos eram reais e a corte acatou. Para ela, existe uma “situação dramática e endemicamente caracterizada pela violência”. “Papuda foi teatro de recente episódio de violência e há um perigo concreto de um tratamento desumano e degradante (a Pizzolato)”, declarou.

“No caso específico da Papuda, o complexo penitenciário foi palco de episódios de violência incontroláveis e é irrelevante que agressões tenham ocorrido em setores diferentes daquele para onde o governo brasileiro afirma que Pizzolato será levado”, afirmou a corte. “Tais eventos não foram contestados pelo Brasil” e mostram a “extensão e difusão do fenômeno”, afirmou sentença.

One thought on “Itália só libertou Pizzolato porque Brasil não deu garantias

  1. E o governo acobertou de forma desabergonhada os novos crimes que esse bandido cometeu em sua fuga. Ele so foi indiciado no dia seguinte das elricoes. O falecido Celso Pizzolato tinha ate conta e usava cheque ao contrario do presidente do BB.

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