Já se cogita da substituição de Haddad

Carlos Chagas

A luz está passando de amarela para vermelha no semáforo do PT postado diante da eleição para a prefeitura de São Paulo. Fernando Haddad não passou dos 3%, na pesquisa divulgada pelo Ibope. Continua patinando nesse percentual desde que lançado pelo ex-presidente Lula, seis meses atrás.

Farão o quê, os companheiros? Marchar para o cadafalso por lealdade à sua maior estrela? E o desgaste capaz de atingir o próprio Lula, caso seu ex-ministro da Educação não cresça como candidato, pelo menos em condições de passar para o segundo turno? Melhor seria cogitar desde já de sua substituição, ainda que um prazo para recuperar-se possa chegar até junho. O diabo é que inexistem opções. Marta Suplicy teve seu nome erodido, menos por falta de possibilidades, mais pelo seu comportamento egoísta depois de garfada. Não se integrou na candidatura Haddad. Rui Falcão, presidente do partido, vem produzindo trapalhadas capazes de excluí-lo junto a seus companheiros. E mais quem?

De qualquer forma, já se ouve o toque de retirada no campo de batalha. Afinal, como superar José Serra, Celso Russomano, Netinho de Paula, Sonia Francine, Gabriel Chalita e Paulo Pereira da Silva, todos situados acima de Fernando Haddad?

O ex-presidente Lula tem feito milagres, mas ficará muito difícil inverter as tendências agora reafirmadas. Ele espera superar os últimos empecilhos de saúde para mergulhar na campanha, mas seria justo obrigá-lo a percorrer diariamente a cidade de São Paulo na carroceria de um caminhão?

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CONDENADA AO SUCESSO

Infla o balão do governo a confirmação dos presidentes da França, François Hollande, e da Rússia, Wladimir Putin, na reunião Rio+20, feita pelo telefone à presidente Dilma. Tudo indica a presença de outros importantes chefes de estado, inclusive dos Estados Unidos e da China.

Como acentuou o chanceler Antônio Patriota, ontem, na Comissão de Relações Exteriores do Senado, sobressai o caráter universal da política externa brasileira, assumindo contornos de maturidade.

Um reparo, apenas, na performance do ministro das Relações Exteriores: ao abordar a presença brasileira no mundo, deu como certa a reeleição do presidente Barack Obama, em novembro. A previsão parece óbvia, mas se por hipótese os ventos mudarem e a eleição vier a favorecer o candidato republicano, não faltarão intrigantes para lembrá-lo de que o governo brasileiro posicionou-se antes da hora em questões da economia interna americana.

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MEIA DEFESA

Bateu firme o Procurador Geral da República ao afirmar que provém dos mensaleiros as críticas à sua decisão de não ter aberto processo contra Demóstenes Torres quando recebeu os autos do inquérito da Operação Vega, em 2009. Para ele, fica inequívoca a intenção do PT e outras forças para desviar as atenções do julgamento do maior escândalo político nacional dos últimos tempos, o mensalão.

Tudo bem, Roberto Gurgel terá razão no diagnóstico, mas falta explicar porque deixou engavetada a evidência de participação do senador goiano, junto com alguns deputados, nas lambanças de Carlinhos Cachoeira. Certamente seus argumentos serão fundamentais para sufocar intrigas.

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DELAÇÃO PREMIADA?

Não descansa a central de boatos que cerca os trabalhos da CPI do Cachoeira. Ontem, corria entre deputados e senadores que compõem o grupo a hipótese de o bicheiro solicitar na Justiça de Goiás o benefício da delação premiada. Em troca de uma sentença mais branda, estaria disposto a abrir o véu de suas atividades ilegais junto a políticos, governantes e empresários. Seria, como se repete, barro no ventilador sobre sua própria quadrilha.

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ENDURECIMENTO PARA VALER

No despacho de ontem com o ministro Guido Mantega, a presidente Dilma recomendou a manutenção da mesma postura diante dos bancos, pela redução dos juros: exigir do sistema financeiro privado os mesmos esforços desenvolvidos pelos bancos estatais.

O ministro da Fazenda comunicou haver recebido com satisfação informação da Febraban, pelo seu presidente, Murilo Portugal, de não terem sido da entidade os conceitos exarados por um de seus consultores, de críticas ao governo. Os bancos privados empenham-se na preservação do diálogo com Brasília.

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