Já temos time

Tostão (O Tempo)

Foi uma boa e segura atuação do Brasil. Já temos um time organizado, definido na maneira de jogar. Já temos um primeiro volante (Luiz Gustavo), que marca bem e tem um rápido passe. Já temos um time que pressiona o adversário e que recupera muita bola. Já temos um meia de cada lado (Oscar e Hulk), que voltam para marcar ao lado dos dois volantes. Já temos um time que troca mais passes, com zagueiros que raramente dão chutão.

Faltaram mais talento e organização no meio-campo. Como Luiz Gustavo passa e não avança, Paulinho se destaca por aparecer na área adversária e não há um meia de ligação, já que Oscar atua mais pelo lado, as jogadas ofensivas dependem muito da habilidade e da velocidade de Neymar, Oscar, Hulk e Marcelo, quase sempre pelos lados.

O Japão, como se esperava, mostrou um bom conjunto, mas quando chegam à intermediária, não definem as jogadas. Faltam técnica e habilidade. Vi, mais uma vez, o goleiro japonês falhar em um gol. O time correu menos e cansou na metade do segundo tempo, pois jogou no Catar na última terça-feira, pelas Eliminatórias, viajou 16 horas e não teve tempo de se adaptar ao fuso horário.

Já temos time, ainda não o suficiente para atuar no nível das melhores seleções, como Espanha, Alemanha, Argentina e Holanda.

DUAS ÓTIMAS PARTIDAS

Hoje, veremos Espanha, Itália, Uruguai e México. Quando a Espanha ganhou a Eurocopa, em 2008, não havia dúvidas, o centroavante era Fernando Torres. Ele jogava bem e fez o gol do título. Já no Mundial de 2010, na Eurocopa de 2012 e hoje, o técnico vive um dilema: colocar um fraco centroavante (Fernando Torres ou outro) ou improvisar um meia (Fábregas). O técnico tem usado as duas opções. Não agradam.

Toda equipe precisa ter um atacante, artilheiro, o que não significa que tenha de ser, obrigatoriamente, um típico centroavante. O Barcelona não joga com um falso 9, como adoram dizer. Messi é um atacante, centroavante, já que atua mais à frente e mais pelo centro. Além de fazer gols, se movimenta, recua e dá excelentes passes. Já com Fábregas, é uma improvisação.

A Itália, por ter surpreendido e vencido a Alemanha, na Eurocopa de 2012, e ter trocado o estilo defensivo e de bolas longas por mais troca de passes, tem sido bastante elogiada. Não merece tanto. A equipe tem atuado mal. Faltam melhores laterais e um companheiro para Balotelli. Os destaques são Buffon, De Rossi, o veterano Pirlo e Balotelli.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

One thought on “Já temos time

  1. A vingança da Elite, 100 anos depois

    João Carlos Nóbrega de Almeida

    O futebol pasteurizado, a “arenização” dos estádios, a farra dos “grupos de investimento”, o geneal a oito pratas e a falta de banguelas na torcida, são sinais evidentes de que o projeto de quem detém os direitos de tudo venceu. Agora só falta esperar que jogadores mulatos tenham que usar pó-de-arroz novamente para poderem jogar. Voltamos ao pré-anos20. O Football Club, enfim, se vingou da popularização.

    Abertura de Copa das Confederações, prévia da Copa do Mundo, festa na tela e nas folhas da Organização que detém os direitos de tudo. Segundo o mundo da fantasia ali presente, o povo está em festa. De fato, as pessoas que aparecem carregam cartazes de “filma nois, Galvão”, assim mesmo, com este injustificável erro de língua, que sequer possui algum argumento plausível e com viés pitoresco. Os rostos são diferentes daqueles que nos acostumamos a ver nas portas dos estádios brasileiros enquanto o Brasil foi o país do futebol.

    E esta mudança de perfil, com figuras mais brancas, repletas de mais dentes e com barbas mais bem feitas, lavadas por uma loção superior à Bozzano, embora, possivelmente, bem mais ignorantes (pelo menos em termos do esporte que pretendem acompanhar), faz parte do show, do circo, da nova era do futebol brasileiro, medíocre dentro do gramado, ufanista nas palavras do locutor e de seus auxiliares, engomado nas ex-arquibancadas e gerais, agora cadeiras a-col-cho-a-das e com do-bra-di-ças au-to-má-ti-cas.

    É sintomática a propaganda televisiva de um dos patrocinadores da seleção que chama a torcida para a rua. Houve um tempo que chamava para os estádios. É sintomático que a voz (e provavelmente a canção) que convoca a escumalha para a rua seja a do Falcão, vocalista do Rappa, fio de ex-esperança de uma juventude não vendida aos donos do país, que cantava há tempos “a minha alma está armada e apontada para a cara do sossego”. E que hoje canta algo como “torcedor, seu lugar é na rua” (e consequentemente, não é no estádio), sem sequer perceber o que isso significa. Na rua é o cacete! Orem por nós, Russo e Cazuza.

    Impossível deixar de associar o que ocorre hoje no futebol brasileiro com a mídia e, muito mais, com aquilo que historicamente ela representou em termos desta fatia cultural brasileira, o futebol. É de conhecimento de todos que ela sempre esteve do lado daquilo que representou o Football Club. É de conhecimento de todos que ela rotulou e perseguiu, por um século inteiro, tudo aquilo que representou a popularização do futebol brasileiro. É de conhecimento de todos que ela apoiou a criação da Lei Pelé e do Estatuto do Torcedor, a primeira, origem do enfraquecimento dos clubes (clubes fracos, dona dos direitos de tudo forte), o segundo, pontapé inicial daquilo em que pretendem transformar os estádios brasileiros hoje, local da elite, sobrando para o povo a rua do Falcão e do Rappa e os botecos que comprarem os canais fechados daquela que detém os direitos de tudo.

    É com um sorriso indisfarçável no canto da boca que acompanho os argumentos que defendem que liberdade de imprensa é um pilar da democracia. Seria, se ela, a imprensa, fosse honesta. Mas não é. Ela se veste com o manto da democracia. Mas democrata não é, na medida em que exerce o controle sobre a opinião das pessoas, distorcendo fatos, eliminando quem se põe contra seus interesses, espalhando seus tentáculos sobre tudo de forma condutiva. Afinal, nada pode superar seus próprios interesses econômicos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *