Jânio e Jango, aliados no golpe da renúncia

Helio Fernandes

Antonio Santos Aquino, estamos rigorosamente de acordo, vou responder pelo prazer de conversar com você, um dos grandiosos remanescentes da Tribuna impressa. Só que escrevo examinando os fatos, isenção total, você pelo emocional. Compreensível.

O comitê Jan-Jan diz tudo sobre a aliança do candidato a presidente apoiando o vice de outra chapa.

Alguns dizem que Jânio enviou o vice Jango “para contatos com China e União Soviética, comunistas”. A China ainda avançava na Grande Marcha de 1949, estávamos em 1961. Mao Tse Tung já carregava a China para a altura em que está hoje, mas era futuro e não presente.

SEM GUINADA

Nélio Jacob, Jânio não deu nenhuma “guinada para a esquerda”, ele não tinha posição em matéria de ideologia, ou melhor, a sua era a “ideologia do poder”. Foi o único brasileiro que, assumindo uma suplência de vereador em 1948 (com a renúncia de Franco Montoro, vereador eleitor pelo PDC), em apenas 12 anos chegou a presidente da República.

De vereador passou a deputado estadual, prefeito de capital, governador de São Paulo, presidente, sem nenhum estágio para reabastecimento.

Era um ator nato e, em matéria de finanças pessoais, um gênio. Viveu a vida toda, depois do ostracismo, uma parte em Londres, com o dinheiro da renda daquele “maravilhoso” terreno da Vila Maria.

Nunca foi de esquerda, centro ou direita, era apenas janista. Não renunciou coisa nenhuma, o golpe deu errado. Tanto isso é visível, que na primeira eleição depois do fracasso em deixar a Presidência, tentou “recomeçar” tudo.

Foi candidato a governador de São Paulo, perdeu para Ademar de Barros. Em 1985, se candidatou a prefeito, se elegeu, já velho, cansado, exausto, mas mostrando que não queria abandonar coisa alguma.

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PS – Mario Sergio Conti, que não para em lugar algum, estreou no Globo, com o que chama de “princípios do colunismo”. Mas que parecem mais diversionismo, divertimento sem graça, nada a ver com colunismo, e o que é mais grave, sem princípios.

PS2 – Na estreia, dividiu a matéria em 36 blocos, apenas um deles parece razoável. Mas nega o colunismo, apesar de juntar Ivan Lessa e Paulo Francis, que jamais foram colunistas.

PS3 – Há muito tempo não vejo um espaço vazio ficar ainda mais vazio depois de pretendidamente ter a pretensão de preenchê-lo. Em vez de colunismo, parece uma autobiografia amarga, desalentada, sem sentido e deslocada. Em tudo.

PS4 – É inacreditável a paciência de ter que consultar enormes dicionários, como são os do Aurélio ou do Houaiss. Para selecionar os mais ilegíveis, didaticamente impublicáveis, desvalorizados, com ausência total de méritos.

PS5 – O colunista estreante pelo menos acertou em cheio num ponto, que visivelmente não era o seu objetivo. Basta recortar e guardar o que chamou de “princípios do colunismo”, fazer rigorosamente o contrário, e estará contratado ou pelo menos “sondado” por outros concorrentes.

PS6 – Lendo (?) Mario Sergio Conti, e o fato de não parar em lugar algum (e não por vontade própria), lembrei do verso primoroso de Antonio Maria: “Vim de fracasso em fracasso”.

PS7 – “Marxismo é reducionismo”. Engraçadíssimo. Mas precisa de um ano inteiro para explicar o sentido e traduzir o conteúdo. No caso, não vale o que está escrito, mesmo porque o bicheiro Castor de Andrade já morreu.

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6 thoughts on “Jânio e Jango, aliados no golpe da renúncia

  1. Se o golpe do Jânio tivesse dado certo, não teríamos um desgoverno de comunistas loucos pra tomar o poder de direito e de fato, instalando aqui uma filial de Cuba.
    Hoje, o quadro é algo semelhante.
    Mas 2014 vem aí. A revolução será no voto.
    Chega de roubalheira.

  2. Prezado Hélio Fernandes, tenho o senhor como um dos poucos brasileiros nacionalista,
    defensores dos interesse nacionais. Passei a ler e gostar da Tribuna da Imprensa, algum
    tempo depois do golpe de 64. Outro ato de Jânio, muito importante, foi num momento
    em que as músicas estrangeiras invadiam as nossas rádios, principalmente a americana, Jânio
    criou uma lei, que para cada música estrangeira tocada nas rádios, seriam tocadas 3 músicas
    nacionais. Na época houve comentário de que Jânio iria colocar em pauta as leis de remessa de
    lucros e reforma agrária, era um governo que não agradava a UDN. Por tudo isso considerei: uma guinada para esquerda,

  3. A renúncia de Jânio foi um golpe copiado das várias renúncias do ditador egípcio Nasser(1918 – 1970) e da renúncia de Fidel Castro.
    E a fuga de Jango foi outro golpe fracassado, copiado da fuga do último Xá do Irã.
    De fato, a única ideologia de Jango foi o alcoolismo, não o comunismo ou o anti-comunismo.

  4. Aquele “maravilhoso” terreno de Vila Maria daqueles tempos “maravilhosos”, quando as telefonistas da Casa Piano madrugavam para chegar no antigo escritório da rua São José, antigo Distrito Federal, para aguardarem as demoradas linhas telefônicas com N.York e Genebra, enquanto os aviões saiam de Brasília rumo ao Santos Dumont com malas de abobrinhas (notas de mil novinhas em séries), que nem contadas individualmente eram, para depósitos (a cabo telefônico) em contas secretas. Enquanto isso se passava em nível federal, Jânio anos antes já escolhia pessoalmente em seu gabinete de prefeito os empreiteiros de obras em São Paulo para seu “maravilhoso” e eterno terreno de Vila Maria, que lhe possibilitou viagens por mais de 20 anos de navios para o Reino Unido, onde era conhecido como sofisticado apreciador dos mais finos destilados dos pubs londrinos. O mais cômico é muitos anos depois desinfetou no primeiro dia do ano de 1986 o assento que aquele suplente do Montoro e superlativo de PhD (royalties para o Millor) ousou se sentar às vésperas de eleição, assinou o termo de posse e no dia seguinte, 02/01/86, retornou a Londres deixando como prefeito durante 6 meses aquele empregado do Itaú para administrar SAMPA.

  5. Hélio você além de ser um homem destemido de uma coragem invejável como profissional, nunca deixando de dizer tuas verdades. Também faze-nos refletir sobre passagens de nossa história que nos instiga a responder: Os comitês Jan-Jan, ou comitê como dizes existiram sim e foram ventilados pela imprensa após as eleicões de 1960.Sem dúvida foram feitos a revelia de Jango. A razão é muito simples de assim entendermos: Jango duas ou três vêzes encontrou-se com Janio antes da eleição. Eram de partidos ideológicamente irreconciliáveis (inimigos mesmo), PTB e UDN. Quem tinha voto era Jango provado ao eleger-se com mais votos que Juscelino. Um acôrdo para eleger um inimigo presidente? Fugiria à lógica que deve prevalescer em qualquer análise. Poderiamos perguntar: A quem interessava o comitê Jan-Jan? Ao PTB e a Jango é que não era.

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