Jaula para os animais

Carlos Chagas

Não é preciso ler mais do que uma edição de jornal para despertar indignação. Para constatar o horror que nos assola. Imagine-se quando se tem por obrigação ler um jornal todos os dias. Ou diversos jornais.

Perto de Brasília um bebê de dois meses foi encontrado carbonizado e mutilado. Em São Paulo, um casal é acusado de matar a pancadas um filho de dois anos. Crianças são jogadas do oitavo andar. Outras deixadas sem qualquer atendimento. Muitas sofrem por anos seguidos violência sexual por parte de pais, padrastos e tios. A pedofilia cresce no interior e nas grandes cidades, até via Internet. Nem é preciso falar da exploração do trabalho infantil e do número de menores seviciados no país inteiro.

Fosse na China e em menos de um mês depois de apuradas as responsabilidades os autores desses crimes hediondos já teriam levado uma bala na nuca, obrigando-se suas famílias a pagar o custo da munição.

Aqui, no máximo alguns são identificados, presos e, na maioria das vezes, libertados por múltiplos recursos ou pela desídia das autoridades policiais e judiciárias.

Alguma coisa precisa ser feita de imediato. A pena de morte agride a natureza, ainda que se fosse feito um plebiscito, mais de 80% da população votaria a favor. Mas parece o mínimo adotar a prisão perpétua, sem direito a benefícios de qualquer espécie. Animais desse quilate merecem a jaula. Sem contemplação.

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UM OLHAR PARA FORA

Nesse período de recesso parlamentar e dos tribunais superiores, vale um olhar para fora. Quem estará armando os rebeldes na Síria, da mesma forma como antes na Líbia? Por que são cassados e caçados apenas ditadores que se opõem às grandes potências do mundo capitalista? O que dizer da família que há quase 200 anos oprime a Arábia Saudita e permanece impoluta no poder, por vender petróleo ao Ocidente a preços módicos?

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ELITISMO UNIVERSITÁRIO

Está sendo rejeitada pela maioria dos professores universitários em greve a proposta do ministro Aloísio Mercadante de conceder 45% de aumento salarial para a categoria. Por quê? Porque esse benefício seria estendido apenas aos que detém diploma de doutorado e lecionam em tempo integral. São minoria. O grosso da classe carece da condição de manter uma só atividade e continuará assim, caso apenas sejam favorecidos aqueles que chegaram ao topo profissional.

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DE NOVO O CONSELHO DE COMUNICAÇÃO

Decidiu a mesa do Senado reconvocar o Conselho de Comunicação Social, há quatro anos sem funcionar. Criada pela Constituição de 1988, a instituição deveria dispor de poder normativo e decisório, mas viu-se transformada em mero apêndice desimportante da cúpula do Congresso, em órgão apenas consultivo. Nada do que o Conselho sugeriu foi aproveitado, nos anos em que atuou. Resultado: morreu de morte morrida, não de morte matada. Desinteressaram-se todos. Agora, quem sabe, possa ressurgir em outros padrões.

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