Joaquim Barbosa pode ser o Beppe Grillo brasileiro na sucessão?

Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

A frase mais importante que Joaquim Barbosa pronunciou na entrevista que concedeu a correspondentes internacionais diz respeito não à justiça, mas à política. Ou, mais especificamente, a 2014.

Uma possibilidade?

Perguntaram a JB se ele tinha planos políticos. Ele afirmou não ter o “physique du rôle”. Mas fez um acréscimo que faz pensar.

Essencialmente, ele disse que as pessoas estão cansadas dos “políticos tradicionais”. Daí, segundo ele, as máscaras de carnaval com seu rosto, que aliás não foram vistas nas avenidas, e a ventilação de seu nome para concorrer à presidência.

NA ITÁLIA

O cansaço com a política tradicional se mostrou verdadeiro na Itália, com a fenomenal votação dada a Beppe Grillo, um antigo comediante que conquistou o coração de uma massa copiosa de eleitores com seu discurso de que os políticos tradicionais não prestam.

E no Brasil? Barbosa poderia ser nosso Grillo? É presumível que ele gostaria, e não pouco. É um homem cuja ambição tem pernas lépidas.

Ela o levou, no passado, a abordar um homem que não conhecia – Frei Betto — em busca de apoio para chegar ao STF, num caso já clássico de caradurismo ilimitado. JB fez o chato – o que mais incômodo do que ser abordado por alguém que não conhecemos e que deseja nos usar de escada? — diante de Frei Betto sem embaraço.

VAI OU NÃO VAI

É presumível que o caso Grillo vá ser objeto de reflexões de Barbosa. Num resumo, ele teria dois fatos a considerar. Um diria a ele: vai. O outro diria: não vai.

O primeiro, o do vai, é que a mídia daria certamente um apoio estrondoso, quase incondicional a ele. O “caçador de marajás”, o bordão pelo qual a mídia ajudou a promover Collor rumo à presidência, seria reciclado. Talvez se tornasse, na versão 2014, o “caçador de corruptos”.

O segundo, o do não vai, é que Dilma não é Berlusconi. Basta ver seus índices de popularidade.

Haverá aí um combate entre a vaidade e a razão. Se a vaidade triunfar, JB disputará a presidência em 2014. Se a razão vencer, ficará onde estar.

A vaidade costuma bater a razão.

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