Joaquim Levy afirma que a recuperação do país será a longo prazo

Pedro do Coutto

Numa exposição feita em Washington para o FMI, o ministro Joaquim Levy afirmou que a recuperação da economia brasileira será lenta, a longo prazo, devido ao que ele classificou de desaceleração global e desequilíbrios domésticos. A matéria está bem exposta na edição de O Globo de 2 de junho pela correspondente do jornal, Flávia Barbosa, acrescentando que 2015 será um ano de grave recessão. Embora tenha dito que a recuperação será lenta, à base de uma estratégia de longo prazo, o titular da Fazenda admitiu uma reação do Produto Interno Bruto no segundo semestre, em decorrência do ajuste fiscal e da colocação em prática do programa de venda, pelo governo de concessões para empresas privadas explorarem rodovias, ferrovias e portos. Mas esta é outra questão.

As declarações de Levy provavelmente desagradaram a base política do governo, já que ele sustentou que a reconstrução será feita tijolo por tijolo, e que esta é a melhor forma possível em vez de “tentar manter algo anticíclico” mas, penso eu que, ao defender a estratégia de ações a longo prazo, implicitamente reconheceu uma tomada de posição nitidamente anticíclica. Já que, como é lógico, somente se pode recuperar o que se perdeu, caso contrário não teria cabimento o esforço de resgate acentuado pelo próprio titular da Fazenda. Além disso, o ministro da Fazenda assinalou, ao enfatizar a nova estratégia de crescimento, que “vamos encarar este mundo por um tempo”.

PARAR DE CAIR

O chefe da equipe econômica do governo Dilma Rousseff ressaltou que, quando as coisas estiverem estruturadas, espera a economia parar de cair e começar a crescer lentamente. Assim falando, reconheceu tacitamente que a economia está em queda, pois só se freia a queda quando algo está caindo. As palavras do ministro da Fazenda realçam, é claro, uma firme posição política que ele conquistou no governo, tanto assim que reconheceu ser o mais importante trabalhar visando ao soerguimento econômico. Acrescentou: “São na verdade reformas estruturais disfarçadas em coisas simples”.

Neste ponto, confesso que não entendi o que ele quis dizer. Porém, na sequência, ele afirmou ser importante também que o Brasil comece a modernizar o sistema tributário, que é burocrático e oneroso. Nesta frase ele confessou diretamente ter herdado um sistema fiscal arcaico, porque somente se pode modernizar o que se encontra ultrapassado no tempo e no espaço, deixando antever as restrições que continua fazendo ao desempenho da própria presidente Dilma Rousseff em seu primeiro mandato, antes portanto da reeleição.

REEQUILÍBRIO FISCAL

Dando continuidade a sua exposição, Joaquim Levy afirmou ser fundamental o reequilíbrio fiscal para aumentar o nível de poupança pública classificando sua importância para elevar os investimentos e a confiança no suporte da poupança privada.

Mas como pode se defender a elevação dos investimentos privados no Brasil quando o BNDES financia (como ficou revelado pelos repórteres Eliane Oliveira, Daniele Nogueira e Ruben Berta na edição de ontem de O Globo) projetos privados em outros países, inclusive a juros mais baixos do que os cobrados aqui dentro. Além do mais, surge uma dúvida, a partir da constatação que os créditos foram em dólar. A dúvida é sobre que montante incidem as taxas do BNDES sobre os valores repassados. Incidirão sobre o total em dólares ou em reais? Mas esta é outra questão.

RECUPERAÇÃO A LONGO PRAZO

O fato essencial é que a recuperação lenta, a longo prazo, colide com os interesses políticos dos partidos que apoiam o governo por temerem reflexo negativo nas urnas de 2016. Para a oposição, ao contrário, em matéria de voto não poderiam ter sido melhores as afirmações do titular da Fazenda. Afinal de contas, todos esperam sempre efeitos rápidos, nem sempre possíveis para recuperar a desestruturação destacada por Joaquim Levy e a busca do tempo perdido com problemas estruturais e atuações anticíclicas. É isso aí.

24 thoughts on “Joaquim Levy afirma que a recuperação do país será a longo prazo

  1. Agrada-me o título quando se reporta a um governo, reinado ou império, que comece por:
    Ascensão e Queda …
    As explicações de Levy levadas por ele ao Tio Sam, evidenciam a Ascensão e Queda do governo do PT.
    Acabou a farsa; terminaram as mentiras sobre avanços sociais, país preparado para crescer, que não haverá mais “pibinho”.
    A realidade deste governo é a incompetência, o logro, explorar o povo, usá-lo, e tirar-lhe a maior parte de seus salários à base de impostos, taxas e tributos!
    Eis um governo maléfico, mal intencionado, desde o início enganando, ludibriando, mas roubando, lesando, e instituindo a corrupção, desonestidade, corroboradas pela imoralidade e conduta permanentemente antiética.
    Eis um partido de criminosos, que desde que assumiu o poder o plano era esse mesmo, arrasar com este País, que não suportaria o prejuízo que iria nos ocasionar.
    Evidente que, de modo a evitar que a oposição desse em grito em razão desse procedimento, o PT foi hábil em distribuir o roubo com vários partidos e parlamentares venais, traidores do povo e da Pátria.
    Acordo bem concatenado, rumo ao erário público, e lambuzar-se com o dinheiro da população brasileira.
    O governo petista deveria ter um fim à moda cubana, no paredão.
    Jamais, na sua história, o Brasil se viu frente a tantos desmandos, descalabros, e administrações tão deploráveis quanto às petistas!
    Os imundos não desfraldam a bandeira do Brasil, mas a cubana, a vermelha do MST, e querem ardentemente um banho de sangue nesta Nação.
    Afirmo categoricamente que, independente de o PT perder as eleições em 2018 à presidência do Brasil, ELE NÃO VAI ENTREGAR O PODER PACIFICAMENTE!!!
    O poder que os petistas desfrutam é muito grande, e seguirão com mais sofreguidão ao roubo até a próxima eleição para lotar as burras do partido e seus dirigentes.
    Enfrentaremos mais escândalos, descobertas tão vultosas em desvios de dinheiro, que das duas uma:
    Ou apeamos o PT do governo à força ou abandonemos o País!
    Esperem quando a caixa preta do BNDES for aberta … porque nas transações com outras nações feitas pelo banco, constataremos bilhões que foram para os bolsos petistas, e em valores que o petrolão é troco de ônibus!
    Enfim, Levy é o mensageiro que alerta o resto do mundo quanto à nossa falência … não, não econômica e monetária, porém moral, ética, decência e honra!
    Treze anos, o número do partido, o tempo exato que durou até cair, período da infâmia, de desajustes, de organizações criminosas, de bandidos instalados no poder.
    Um dia vão cair, nem que seja na marra!

    • Caro Bendl,
      Há mais de cinquenta anos que acompanho as idas e vindas da economia brasileira.
      Sempre me angustiou a nossa propensão a “voos de galinha”, a impulsos pontuais que deixam de aproveitar com sustentabilidade as correntes ascendentes da economia mundial e nos deixam vulneráveis às inevitáveis descaídas que se seguem.
      Vi a corrupção minar os nossos recursos, em maior ou menor grau, durante todo este tempo.
      Vi a decepção do povo com o falso caçador de marajás.
      Vivi muitos ciclos de inflação até chegar àquela desesperante que antecedeu o Plano Real. Tive a esperança de que pelo menos dessa vez tivéssemos aprendido a lição e nos tornados capazes de não cair de novo nas velhas armadilhas.”
      Não vi, nestes cinquenta anos, antes, durante e depois do regime militar, nenhum momento em que tivéssemos realmente em andamento um projeto de Brasil que contasse com a união de todas as camadas da sociedade e com um interesse dos políticos que superasse seus interesses pessoais.
      Mas nunca, nunca mesmo, vi um período de incompetência de governo, de aparelhamento do estado, de corrupção institucionalizada, de destruição da economia, de mentira e de descaramento político como nestes doze anos de governo petista.
      O Levy pode ter seus defeitos, mas ao menos é um realista. Como você disse, é o mensageiro que está tendo a coragem de dizer claramente o que o governo vem escondendo do povo. O caminho para sair da derrocada vai ser longo e difícil. Só espero que não matem o mensageiro, como faziam os governantes antigos ao receberem más notícias…
      Um abraço do
      Wilson

      • Caríssimo Wilson,
        O preocupante é que não APRENDEMOS!
        Entra e sai governo nesses últimos sessenta anos, e ouvimos as mesmas promessas, que a qualidade de vida será melhor, as mesmas baboseiras e mentiras de sempre, e cada vez pior!
        Nessas alturas estou para mudar até mesmo o meu pensamento com relação aos governos anteriores e esses dois do PT, que os responsáveis por essas crises infindáveis, inflação, corrupção, estagnação econômica … somos nós mesmos!
        Como gostamos de ser iludidos, enganados e ludibriados.
        Parece que o povo se transforma à beira de uma urna, que esquece os problemas, os parlamentares ladrões, e vota nos mesmos, inacreditavelmente.
        Bom, pelo menos temos um contingente de brasileiros absolutamente contra o PT e seus criminosos, que se não mudarem de opinião já ano que vem devemos começar a faxina com creolina e desinfetar as prefeituras chefiadas pelo PT e cúmplices, de modo que para 2018 terminemos de limpar o Brasil dessa gentalha de uma vez por todas!
        Um abraço, Wilson.

  2. O Patolino descobriu a polvora.
    Temos de pagar as contas da Copa dos 10×1, mais pra frente as Olimpiadas, fora os bilhões desviados dos cofres públicos,
    Mensalão, Petrolão, CBF, FIFALÂO, Metrô de São Paulo, Santas Casas, Roubanel, Das-Lú
    Por falar nisso, se o ricardao teixeira no ano da copa movimentou 464 milhões em contas, (segundo os jornalões)., quantos terá movimentado nos 25 anos á frente da Casa Bandida de Futebol, CBF.????

    • Armando,
      Sabemos da tua simpatia pelo PT, e pelos esforços que fazes para amenizar seus crimes contra o Povo e União!
      Tentar compensar os roubos petistas por procedimentos iguais de outros partidos, que governam alguns Estados da Federação, é chover no molhado.
      Político, parlamentar, todos, indistintamente são desonestos.
      Agora, curioso seria averiguar esses prejuízos que enfatizas em São Paulo pelo PSDB, e compará-los aos do PT e, tanto eu quanto o Armando, teríamos uma raiva incontida sobre os bilhões roubados de nós, o povo brasileiro!
      Acho que o caminho é este, de se somar os danos que os partidos de todas as matizes nos ocasionaram e jamais votar neles, mas não se fazer uma espécie de competição para se alardear quem é o ladrão menor, pois ladrão é ladrão, tanto faz de cinco reais ou cinco bilhões.

  3. O grande e experiente Sr. PEDRO DO COUTTO analisa a palestra do Ministro da Fazenda LEVY, para o FMI esta semana, onde o Czar da Economia prevê que: devido a desequilíbrios Fiscais e desaceleração da Economia Global, nossa recuperação será de Longo Prazo ( + de 2 anos ), recessão -1,5% do PIB em 2015, Zero em 2016, e pequenos crescimentos ainda abaixo do cresc. potencial a partir de 2017. A estratégica Eleição Municipal de 2016 estará dentro desse cone de sombra, o que apavora o PT-Base Aliada.
    Desnecessário dizer que se não se implanta o Plano LEVY, a deterioração Econômica seria contínua, com aumento do Deficit, do Endividamento Público, do Deficit do Balanço de Pagamentos, e da queima dos quase US$ 400 Bi. de Reservas, em +- 3 anos. Depois simplesmente o FIM DO PLANO REAL do Presidente ITAMAR FRANCO.
    Nossa Economia é dominada em +- 60% pelo Capital Internacional que atua nos mais dinâmicos e rentáveis setores. O FMI é o “guarda de trânsito do Capital Internacional”. Se o FMI der o sinal Verde que o Ministro LEVY foi buscar, o Capital Internacional VEM, se der o sinal Amarelo (caso atual), sai devagarinho, e se der o sinal Vermelho, aí é o estouro da boiada, foge apavorado.
    Enquanto estabiliza Macro-Economicamente a Economia, através do TRIPÉ, (Metas de Inflação; Superavit Primário e Câmbio Flutuante), o Ministro LEVY não pode buscar o Crescimento atuando pela lado da DEMANDA ( aumento do CRÉDITO e da MASSA SALARIAL, esses a curto Prazo se contrairão). Então tem que atuar pelo lado da OFERTA ativando o INVESTIMENTO. Ora, o Investimento Público, enquanto se ESTABILIZA a Economia também fica TRAVADO, só sobra então o INVESTIMENTO PRIVADO, principalmente o INTERNACIONAL, especialmente em INFRA-ESTRUTURA, daí a importância do FMI.
    Mas o INVESTIMENTO, além claro da Taxa de Juros e da Taxa de Retorno do Investimento (ROI), depende especialmente de CONFIANÇA, coisa que o Governo DILMA perdeu em seu primeiro Governo. O Ministro LEVY, agora, faz das tripas coração, para recuperar essa CONFIANÇA PERDIDA.
    Por isso ele fala tanto também em Reformas Estruturais, pois é sabido que o Governo PT-Base Aliada especialmente o Governo DILMA I, não foi muito “Pró-Mercado” interferindo muito em PREÇOS, em tentar CONTROLAR o LUCRO dos Investidores, etc, que nossa Legislação Ambiental (Federal, Estadual e Municipal) é extremamente complexa e DEMORADA, que nossa JUSTIÇA é LENTA para DESEMBARGAR, etc,etc, e que tudo isso mina a CONFIANÇA dos Investidores em Infra-estrutura.
    Temos que recuperar a CONFIANÇA. Abrs.

  4. Respondendo ao Sr. Pedro.

    Para os empréstimos em moeda externa o banco se utiliza de uma cesta de moedas cujo custo de capitação no mercado financeiro mundial é repassado no financiamento.

    Na determinação do custo médio contabiliza-se o custo de capitação + variação cambial + taxa de juros e despesas não tributadas + imposto de renda.

    O saldo final é em reais.

    Portanto, o BNDES, utilizando-se da contabilização da cesta de moedas estrangeiras, incorpora os custos de manutenção dessa cesta, seja o de capitação, seja o da variação cambial e incorpora a taxa de juros contratual e o imposto de renda sobre a operação, incidindo sobre esse montante em reais.

          • Encargos da Cesta de Moedas (ECM)

            Os Encargos da Cesta de Moedas (ECM) referem-se às condições financeiras para a concessão de financiamento com equivalência em dólares americanos mediante a utilização de recursos captados pelo BNDES em moeda estrangeira.

            ECM = Taxa de Juros Variável + Imposto de Renda

  5. O custo da cesta de moedas no processo de intermediação financeira realizada pelo BNDES em empréstimos externos é apenas mais um componente do custo dos financiamentos. Ela compõe apenas o custo financeiro.

    O custo dos financiamentos com recursos do BNDES são assim compostos:

    Em operações diretas = Custo Financeiro + Remuneração do BNDES + Taxa de Risco de Crédito

    Em operações indiretas = Custo Financeiro + Remuneração do BNDES + Taxa de Intermediação Financeira + Remuneração da Instituição Financeira Credenciada

    A) Custo Financeiro

    A composição do custo financeiro inclui um ou mais dos seguintes índices:

    TJLP – Taxa de Juros de Longo Prazo;

    TJ-462 – Taxa de Juros Medida Provisória 462 = TJLP + 1,0% a.a.;

    Cesta – Variação do dólar norte-americano ou variação da UMBNDES acrescido dos encargos da Cesta de Moedas;

    Taxa Fixa acrescida da variação do dólar norte-americano;

    LIBOR + Sobretaxa Fixa acrescida da variação do dólar norte-americano;

    IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo acrescido de encargos;

    TS – equivalente à Taxa Média SELIC (TMS) acumulada, apurada pelo Banco Central do Brasil em base diária;
    TJ3 – custo flutuante de mercado em Reais equivalente à taxa de juros, em Reais, formada pela aplicação de encargo fixo sobre taxa fixa de juros de mercado, para o prazo de 3 meses, apurada e divulgada pela BM&F BOVESPA (código TJ3) com base nos preços de referência dos contratos de DI-Futuro;

    TJ6 – custo flutuante de mercado em Reais equivalente à taxa de juros, em Reais, formada pela aplicação de encargo fixo sobre taxa fixa de juros de mercado, para o prazo de 6 meses, apurada e divulgada pela BM&F BOVESPA (código TJ6) com base nos preços de referência dos contratos de DI-Futuro.

    As linhas de apoio às exportações utilizam também os seguintes índices:

    LIBOR acrescida da variação do dólar norte-americano;

    TJFPE – Taxa de juros fixa pré-embarque acrescida da variação do dólar norte-americano.

    O custo dos recursos do BNDES tem origem nas fontes (FAT, BIRD, BID, etc.) onde são captados os recursos que dão lastro para a sua operação. No custo de captação, além da taxa, incidem também as variações de moedas/encargos, que são repassadas nas suas operações de financiamento.

    O Custo Financeiro será Cesta para operações com empresas cujo controle seja exercido, direta ou indiretamente, por pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, destinadas a investimentos em setores de atividades econômicas não enumerados pelo Decreto nº 2.233/97Link para um novo site

    B) Remuneração do BNDES

    Remunera a atividade operacional do BNDES. Varia em função das prioridades para atuação do BNDES.

    C) Taxa de Risco de Crédito

    Remunera o risco de crédito do BNDES. Varia em função do risco de crédito do tomador do financiamento.

    D) Taxa de Intermediação Financeira

    É a taxa que reflete o risco sistêmico das Instituições Financeiras Credenciadas, limitada a 0,5% ao ano. As operações com Micro, Pequenas e Médias Empresas, operações na Linha Apoio às Exportações – Pré-embarque Empresa-Âncora e na Linha Modernização da Administração Tributária e Gestão dos Serviços Sociais Básicos – BNDES PMAT estão isentas da taxa de intermediação financeira. Nas operações na Linha Leasing de Bens de Capital incide Taxa de Intermediação Financeira independentemente do porte da empresa arrendadora ou arrendatária.

    E) Remuneração da Instituição Financeira Credenciada

    É a taxa que reflete o risco de crédito assumido pelas Instituições Financeiras Credenciadas, e será determinada pela instituição repassadora dos recursos.

  6. Vê-se assim que o BNDES em empréstimos externos vai buscar em bancos múltiplos como o BID e o BIRD os recursos a serem repassados em empréstimos a governos estrangeiros, intermediando o financiamento da prestação de serviços de empreiteiras nacionais.

    De fato as condições externas de empréstimos e juros estão muito mais acessíveis do que no mercado interno, o que, obviamente, permite ao banco realizar operações compondo juros remuneratórios abaixo até do que a nossa Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

  7. IBGE e a PNAD contínua mensal:

    A taxa de desocupação no trimestre móvel encerrado em abril de 2015 foi estimada em 8,0% para o Brasil, ficando acima da taxa do mesmo trimestre do ano anterior (7,1%) e superando, também, a do trimestre encerrado em janeiro de 2015 (6,8%). Já o rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos (R$ 1.855) ficou estável frente ao trimestre de novembro a janeiro de 2015 (R$ 1.864) e em relação ao mesmo trimestre do ano passado (R$ 1.862). A massa de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos para o trimestre encerrado em abril (R$ 165,5 bilhões) também não apresentou variação estatisticamente significativa em ambos os períodos de comparação.

    Fonte: IBGE.

    • Como a População Economicamente Ativa (PEA) é de cem milhões de pessoas, os 8% de desocupados correspondem a 8,0 milhões de pessoas.

      Em um ano o contingente de desocupados cresceu 985 mil, ou seja, 14,0%. É a maior variação na taxa de desocupação dos últimos anos afirma o IBGE.

  8. Como é bom, no espaço de um artigo do grande e experiente Sr. PEDRO DO COUTTO, trocar ideias com Pessoas como os ilustres Sr. WAGNER PIRES, meu Mestre Sr. FRANCISCO BENDL, Sr. ARMANDO, Sr. ROBERTO NASCIMENTO e em especial o Sr. WILSON BAPTISTA JÚNIOR que fez questionamentos interessantes, muito bem Respondidos pelo Sr. FRANCISCO BENDL em termos POLÍTICOS, e que eu gostaria de responder em termos Econômicos.

    Questiona o Sr. WILSON BAPTISTA JÚNIOR, de observar nossa Economia há mais de 50 anos e nesse tempo todo constatar MUITA INSTABILIDADE, muito surto Inflacionário, Crises Fiscais, Monetárias e Cambiais, sempre muita Dívida Pública, e quando as coisas iam bem, surtos positivos tipo “Voo de Galinha”, curtos. Papai também sempre nos dizia não entender: Como que o Brasil tendo com sua Marinha de Guerra, Exército e Força Aérea, junto com os Aliados, ter invadido a Itália ocupada pelos Nazistas, e tendo terminado a II Guerra Mundial como VENCEDOR, tem na sua Economia todos os sintomas dos Países que perderam Guerra?

    Depois de pensar muito sobre o Assunto, chegamos a seguinte conclusão sobre as Causas dessa situação:
    1- O Povo BRASILEIRO ainda não aprendeu que o maior Fator de Produção é o HOMEM, mil vezes mais importante que todas as Riquezas Naturais do País, óleo do Pré-Sal incluso. Que a CRIANÇA BRASILEIRA será o grande MOTOR do crescimento Econômico FUTURO, e a começar pelas mais POBRES, deveriam ter a melhor NUTRIÇÃO, EDUCAÇÃO, INSTRUÇÂO que o Brasil pode dar, e o BRASIL pode DAR MUITO MAIS.
    2- Que como nos ensinou o grande ADAM SMITH (1776), o que faz a Riqueza de uma Nação é o TRABALHO. e que esse Trabalho pode ser PRODUTIVO ou IMPRODUTIVO. O Trabalho PRODUTIVO é o que agrega VALOR aos Produtos: ( Agricultura, principalmente INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO e Serviços ). O Trabalho IMPRODUTIVO é o que NÃO AGREGA VALOR AOS PRODUTOS, ( Governo, Serviços Domésticos, Clero……). Deve o País que quer PROSPERAR incentiva ter o máximo de GENTE fazendo TRABALHO PRODUTIVO, e o mínimo em TRABALHO IMPRODUTIVO.
    3- Que só a EMPRESA COM MATRIZ no Brasil CAPITALIZA 100% do Lucro gerado, na Economia Nacional. As Empesas com Matriz no Exterior CAPITALIZAM só +- 20% do Lucro gerado na Economia Nacional. Que quem depende dos OUTROS ( Dívida Pública financiada com Capital Externo, Multi-Nacionais Estrangeiras, etc), nunca será cabeça, mas cauda. Daí, as Crises e Voos de Galinha. Enquanto não entendermos isso, é DIFÍCIL, Abrs.

    • Mestre Bortolotto,
      Pois esta é a grande dádiva da TI, que se alguns comentaristas abordam o lado político, outros, especialistas, dedicam-se à economia.
      Não acredito que exista um espaço como este nacionalmente, que ofereça à discussão ambos os lados do mesmo problema, basta escolher.
      Aprecio em demasia quando o meu mestre participa dos comentários do excelente Wagner Pires, um professor emérito nesta área de extrema complexidade para governantes brasileiros, haja vista que a quantidade que já passou por mim e por ti, Bortolotto, ainda não aprendeu o suficiente, razão pela qual o Brasil se arrasta, anda de lado, mais recua que avança!
      Desta forma, o mestre Bortolotto com a sua didática inigualável, troca em miúdos o idioma economês, que se utiliza o professor Wagner, possibilitando que estultos e mentecaptos como eu, entendam um pouco a respeito dos porquês sobre as mesmas dificuldades que o entra e sai governo sem que resolvam as equações econômicas relativas a esta terra, povo e País.
      No entanto, Wagner, Bortolotto, Fuchs, nossa equipe de especialistas, há muito aponta quais seriam os caminhos que deveríamos percorrer, diferentemente da teimosia dos incompetentes, corruptos e desonestos governantes, que só pensam em roubar e lesar a população, vergando-lhe as costas pela insuportável carga tributária!
      Ora, como faltaria o tempero de uma análise política real a respeito do procedimento desses governos anteriores e atuais, a TI oferece gente gabaritada também nesta área, ocasionando que se debata amplamente uma questão.
      Um abraço, mestre Bortolotto que, além da sua especialidade nas finanças, trata-se de um sábio quanto às relações humanas!

    • Prezado Bortolloto,
      Nada há a acrescentar à sua explicação. É exatamente isso.
      Apenas um comentário sobre Adam Smith:
      Quando fiz meu curso de economia (foi o que fiz por último, já maduro e com alguma experiência como executivo) discuti várias vezes com meus professores e, mais tarde, com economistas reconhecidos, porque eles só tinham lido Adam Smith, Ricardo, Marx em apostilas resumidas preparadas pelos que os ensinaram nos cursos que fizeram. Um deles, com que tive alguns contatos profissionais, riu de mim e disse que não era preciso que os alunos os estudassem mais a fundo do que isso. Não era importante.
      Nenhum deles, por incrível que pareça, tinha lido as obras autênticas dos homens que formaram as grandes vertentes do pensamento econômico. Estudavam depois alguns livros modernos sem saberem direito os fundamentos do assunto de que estavam tratando. E era com esta bagagem pouco sólida que se propunham a ensinar as gerações seguintes. De onde sairiam, por sua vez, os novos professores…

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