Joaquim Levy reduz o espaço político de Dilma Rousseff

Pedro do Coutto

Seja qual for o desfecho final do abalo criado pela ausência do ministro Joaquim Levy no anúncio oficial dos cortes fixados para o orçamento deste ano, o fato marcante foi o reflexo político da atitude em relação ao Palácio do Planalto cuja equipe principal viu-se surpreendida pelo vazio ocupado pelo titular do Planejamento, Nelson Barbosa. Digo desfecho final porque Natuza Nery, na Folha de São Paulo de domingo, assinalou que a substituição gerou o temor de que, insatisfeito, poderia deixar a Fazenda. De outro lado, no Globo, também domingo, Geralda Doca sustentou que Joaquim Levy estaria magoado pela realidade de o governo estar cedendo a pressão dos partidos da base aliada, incluindo setores do PT, contra o ajuste fiscal.

Mas na edição de segunda-feira, a manchete principal do Valor destacava que, apesar de julgar-se atingido em seu projeto, o chefe da equipe econômica permaneceria na Fazenda. Seria uma forma, ao mesmo tempo de acrescentar o posto a seu curriculum no universo financeiro, e também continuar a luta que empreendeu, mesmo sentindo-se derrotado no capítulo que passou. Entretanto, penso eu, o problema não é tão simples. Ao contrário, é bastante complexo.

AJUSTE RECESSIVO

Isso porque o projeto de conter gastos públicos, menos no que se refere aos juros pagos pela dívida interna, pode ser essencial, mas é recessivo. Aliás, este ponto foi muito bem focalizado por Flávio José Bortoloto e Wagner Pires, na Tribuna da Internet de segunda-feira, quando sustentaram que o panorama é sempre problemático e difícil, quando se depende de negociação com credores para obter investimentos externos. A política de Joaquim Levy está voltada para restringir o crédito interno e ampliar o campo para aplicações externas de capital. Daí porque os juros da Selic foram parar na escala de 13,35% ao ano, taxa real, portanto, de 5%, descontada a inflação de 8,2% nos 12 últimos meses. Estão entre os juros mais altos do mundo, garantidos inclusive pelo tesouro Nacional.

CAMINHOS DIVERSOS

Como se constata, a contradição entre o programa básico do governo e as modificações neles inseridas pelo diretor licenciado do Bradesco torna-se flagrante. O ponto comum, sem dúvida, deve ser a busca do desenvolvimento econômico e social. Porém por caminhos diversos. O antigo confronto entre o monetarismo e o estruturalismo. O primeiro coloca o saneamento da moeda como degrau primeiro e essencial. O segundo, ao contrário, parte da expansão dos salários para incentivar o mercado de consumo e, com isso, escapar do peso de um desemprego na mão de obra produtiva. São questões de tempo, vamos admitir.

Entretanto, o tempo é um desafio essencial. Sobretudo no momento em que declina a popularidade da presidente Dilma Rousseff. Basicamente, ela precisa de espaço. Joaquim Levy está reduzindo seu campo de atuação.

 

9 thoughts on “Joaquim Levy reduz o espaço político de Dilma Rousseff

  1. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO analisa o abalo causado pela ausência do Czar da Economia, Ministro da Fazenda JOAQUIM LEVY, no dia do anúncio oficial dos CORTES no Orçamento Federal 2015, que acabaram sendo feitos pelo Ministro do Planejamento NELSON BARBOSA. Acha o grande Jornalista PEDRO DO COUTTO, que isso tira “Espaço Político” da Presidenta DILMA. E tira mesmo.
    Mas a meu juízo, mais do que o Ministro da Fazenda JOAQUIM LEVY, quem deu “o Recado” foi o Capital Internacional e seu Associado Capital Nacional (Parte do Sistema Financeiro Nacional, Multi-Nacionais, etc) que dominam +- 60% da Economia do Brasil, e é portanto Majoritário.
    No Governo DILMA I, ela executou sua Política Econômica como se a Economia do Brasil fosse INDEPENDENTE do Capital Internacional, e Minoritária, comandando +- 40% da Economia ( Setor Estatal e Iniciativa Privada com Matriz no Brasil), procurou INDUZIR crescimento “na marra”. A parte Majoritária, Capital Internacional e seu Associado Nacional, que comanda +- 60% da Economia do Brasil, isso com viés de alta, mostrou sua Força, e a Política Econômica de DILMA I, “deu com os burros na água”.
    Fizeram então um acordo Político, no Governo DILMA II, ela mudaria em 180 graus sua Política Econômica que seria conduzida pelo novo Czar da Economia, Ministro da Fazenda LEVY,( AUSTERIDADE à la FMI), ou haveria “grande revoada de CAPITAIS para Nova York”, etc,etc, talvez até alto risco de Impeachment. A Presidenta DILMA teve que aceitar, pois quem é DEVEDOR sempre é subordinado ao CREDOR.
    Só que quando a coisa começou “a apertar”, o PT cujo Presidente de Honra, Presidente LULA, conclamou os “Movimentos Sociais e Sindicatos associados ao PT” de agitarem contra o Plano LEVY, a Base Aliada se rebela e não obedece ao Governo, o PDT vota maciçamente contra o Plano LEVY e não perde Ministério, não acontece Nada, etc,etc. Então o CAPITAL INTERNACIONAL e seu associado NACIONAL, resolveram mandar um “Aviso”, que foi perfeitamente ENTENDIDO e será OBEDECIDO. Nada mais que isso.
    O BRASIL nunca quis fazer o esforço necessário para ter uma Economia com maioria de CAPITAL BRASILEIRO, (Empresas com Matriz no Brasil), agora paga o preço de sua DEPENDÊNCIA. Abrs.

  2. Estimado Sr. Flávio José Bortolotto … Bom dia!

    Que falta faz Dona Zélia Cardoso de Melo … aquela que nos ensina como tratar os credores – só pago como posso!!! e o Lula é que levou a fama kkk KKK snif

    Abraço!

  3. Prezado Sr. LIONÇO RAMOS FERREIRA, Bom Dia.
    Peço Vênia para discordar da Política Econômica da Ministra da Fazenda ZÉLIA CARDOSO DE MELLO, no Governo FERNANDO COLLOR DE MELLO, que também tentou enfrentar o Capital Internacional via EMBARGO da POUPANÇA NACIONAL ( +- US$ 300 Bi), que depois de quase 3 anos, quando foi DESEMBARGADA em parcelas, tinha menos da metade de Poder de Compra original. Foi um Super Imposto de Renda, cobrado da POUPANÇA, que no fim também não deu em nada, terminando tudo em Impeachment do Presidente COLLOR. Abrs.

    • Estimado Sr. Flávio José Bortolotto … saudações!

      Desculpas pelas provocações … porém, o objetivo é aprender com o mestre … a senhor me lembra muito o saudoso Alberto Tamer, colunista do Estadão; tinha um modo próprio de mostrar a Economia – e era certeiro, como o senhor, o Wagner Pires e o Martin Berto Fuchs o são!!!

      Estes +- US$ 150 Bi é que lastrearam o Plano Real – conforme entrevista dada por FHC ao ex-presidente português Mário Soares, em que FHC reconhece que o Real só foi possível por causa do Collor???

      Abraços.

  4. Reduz o espaço político da Dillma?? Masss.. o espaço político dela já é ZERO!!! Quem manda nessa joça, todos sabem, é Lulla e os banqueiros!!! Dillma é apenas uma funcionariazinha mequetrefe……

  5. “A política de Joaquim Levy está voltada para restringir o crédito interno e ampliar o campo para aplicações externas de capital. Daí porque os juros da Selic foram parar na escala de 13,25% ao ano, taxa real, portanto, de 5%, descontada a inflação de 8,2% nos 12 últimos meses. Estão entre os juros mais altos do mundo, garantidos inclusive pelo tesouro Nacional.”

    Perfeita observação do Sr. Pedro do Coutto, aproveitando arrazoado de segunda-feira feita pelo Mestre Borotolotto.

    Só uma observação: a taxa básica de juros real brasileira levando em conta a taxa nominal de 13,25% e a inflação acumulada até abril de 8,17%, é de [(1,1325/1,0817) -1] x 100 = 4,70% a.a.

    Sexta-feira, dia 29, depois de amanhã, portanto, o IBGE estará divulgado o PIB brasileiro referente ao primeiro trimestre de 2015 em suas Contas Trimestrais.

    Por enquanto a referência é uma espécie de prévia feita pelo Banco Central que utiliza-se do índice IBC-Br para aferir o nível de atividade econômica. Pelo índice do BACEN a economia encolheu -1,98% no primeiro trimestre.

    Vamos aguardar o que o IBGE diz.

  6. Concordo com a posição de Flávio José Bortolotto. Aliás, naquela ocasião Roberto Campos classificou a medida Collor/Zélia de TUNGADA. Tungada, ainda nas palavras de Roberto Campos, sobre a parte de habitantes mais importante de qualquer país, os POUPADORES.

    O mal causado pela dupla Collor/Zélia ao país foi monstruosa, em valores, só superada muito anos depois, pela parelha Lula/Dilma.

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