Jobim pensa em golpe?

 Carlos Chagas                                                       

A novela chegou ao capítulo mais previsível  com uma frase tão simples quanto contundente: “ou você pede para sair ou eu saio com você”. Durou menos de cinco minutos o diálogo da presidente Dilma com o ministro Nelson Jobim, no palácio do Planalto. Arrogância, presunção  e soberba tinham ficado em Tabatinga, na Amazônia, de onde  foi tirado às pressas pela presidente, obrigando sua volta rápida para Brasília.                                                        

Bobo, o já agora ex-ministro não é. Pode ter tido seus defeitos, desde que ocupou o ministério da Justiça e a presidência do Supremo Tribunal Federal, como, em especial, o minitério da Defesa. Sempre quis ter a última palavra, do alto de seus quase dois metros de altura e cem quilos de peso. Terá sido, a sua demissão, bem engendrada operação estratégica, numa sucessão de entrevistas, declarações e comentários  de conteúdo beligerante, contra o governo  e  sua chefe. O resultado  não poderia ser outro, que ele sabia desde o início.  

A conclusão, assim, é de que a novela não terminou. Algum objetivo Jobim persegue. Constituir-se em alternativa para a sucessão presidencial beira as raias da paranoia, impossível através  de  métodos ortodoxos,  como sair candidato na convenção do PMDB e,  depois,  ser o mais votado. Estaria, então, jogando numa crise dos diabos, institucional, econômica e social? Pensaria em situação há décadas banida de nossa realidade, o golpe?                                                       

Quem quiser que decifre a esfinge, mas o homem mexeu no tabuleiro. Armou jogada fácil de ser prevista, a provocação. Com alguma finalidade, além de sua demissão. Quem quiser que especule… 

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O PRÓXIMO                                                        

Antônio Palocci, Alfredo Nascimento, Nelson Jobim… A pergunta que não quer calar é sobre quem será o próximo.  Coincidência ou não, trata-se de três ex-ministros impostos a Dilma Rousseff  pela vontade do Lula. Existem outros, como, também, alguns indicados partidariamente, daqueles que  não seriam ministros se a presidente tivesse podido formar o seu ministério. Fulanizá-los, para que? Estão à vista de todos, uns capazes, outros nem tanto. �
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CONSELHOS DE DELFIM                                                        

O governo Figueiredo estava no primeiro ano quando nova crise do petróleo abalou o planeta. A OPEP aumentou outra vez o preço do barril, que chegou aos 20 dólares. Mario Henrique Simonsen, ministro do Planejamento, e Karlos Rischbieter, da Fazenda, recomendavam férrea política de contenção, admitindo até o racionamento. O presidente refugava, mais inclinado a ouvir Delfim Netto, então ministro da Agricultura, e Mário Andrazza, ministro do Interior. O choque não demorou, Simonsen foi primeiro, Rischbieter depois, levados a demitir-se.                                                        

Delfim, escolhido para comandar a economia, despertou euforia sem limites, em especial no empresariado paulista. No discurso de posse, resumiu numa frase sua estratégia: “Este país só sairá da crise crescendo mais!”. Realmente, crescemos e saímos, apesar dos percalços.                                                        

A crise está aí, de novo. Mundial, como a do petróleo. Tão perniciosa ou mais, conforme se vê na vertiginosa  queda das bolsas de valores. Agora que caminhamos para ser a  quinta economia do mundo, repete-se a mesma dicotomia: sairemos dela pela recessão ou pelo crescimento? Pena que falte um Delfim, no ministério Dilma Rousseff…

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TUCANOS EM FUGA                                                        

Poucos partidos perdem tanto tempo como o PSDB, empenhado em  dissecar a corrupção no governo e, em paralelo, esquecido de que crise mais aguda exige outro tipo de atuação. Alguém conhece o diagnóstico dos tucanos para o país enfrentar a tempestade que vem por aí? De José Serra a Fernando Henrique, entre tantos emplumados cidadãos, quem já se debruçou na análise de alternativas para superarmos o empobrecimento, o desemprego e a redução da atividade econômica?

O  Alto Tucanato encontra-se  em fuga, como se a situação não lhe dissesse respeito. Seus principais economistas preocupam-se em ganhar dinheiro através de consultorias a clientes privilegiados e de  atividades bancárias pouco claras. Perdem excepcional oportunidade de dar uma lição aos companheiros, estes tambpem empenhados  em cuidar de  seus interesses pessoais, todos imaginando que a crise é problema apenas do governo. Vão arrepender-se.

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