Jogadas futuras na política

Carla Kreefft

Nos bastidores do PT, crescem as especulações sobre a possibilidade de o governador de Pernambuco (PSB), Eduardo Campos, ser o candidato a presidente em 2018 apoiado pelos petistas, caso a presidente Dilma Rousseff consiga ser reeleita.

A ideia teria sido de autoria do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que viu o seu aliado crescer politicamente e começar a ganhar visibilidade nacional. A análise mais interna do partido é que, neste momento, uma possível candidatura de Campos não chega a ameaçar a reeleição da presidente Dilma, mas poderia forçar a realização de um segundo turno, o que implicaria investimentos eleitorais mais altos. Diante desse quadro, teria ficado determinado que a cúpula petista, comandada por Lula, vai fazer todos os esforços para convencer Campos a não encarar uma candidatura e para manter o PSB na base de sustentação do governo federal.

O PT ofereceria ao pernambucano uma ajuda na eleição de alguns candidatos socialistas aos governos estaduais, um cargo de relevância na equipe da presidente Dilma em um eventual segundo mandato e ainda a abertura de uma negociação em torno de uma candidatura presidencial em 2018.

Para alguns petistas, o preço da desistência de Campos está muito alto. Esses preferem que o governador Pernambuco seja candidato agora e corra o risco de ser derrotado nas urnas. Entretanto, na visão de Lula e de seus mais próximos, a história é bem outra. Eles avaliam que o PT precisa fazer um gesto de cortesia para a sua base aliada em 2018. A tática é mostrar que partido não está interessado apenas em um projeto de poder, o que já virou mote de campanha do pré-candidato a presidente pelo PSDB, o senador Aécio Neves. Apoiando um candidato de outro partido, o PT demonstraria desprendimento e ainda poderia se apropriar do discurso da “importância da alternância do poder”, sem que com isso perca espaços importantes no governo federal. Em outras palavras, se Campos for eleito em 2018, o PT continuaria dominando a máquina pública federal ainda que tenha no comando um presidente socialista.

A cúpula petista também avalia que o partido não tem grandes lideranças prontas ou capazes de estarem prontas para uma disputa nacional em 2018. Assim, seria adequado apoiar um aliado e até apostar na possibilidade de sua reeleição, evitando que o PSDB volte ao governo central até que o PT tenha novos nomes em condições de fazer a disputa eleitoral com viabilidade. Uma das apostas futuras do partido seria o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Algo semelhante foi feito em Belo Horizonte na primeira eleição do prefeito Marcio Lacerda. Resultado: o PT sai do governo no segundo mandato.

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2 thoughts on “Jogadas futuras na política

  1. “Acabei de receber uma ligação telefônica do nosso ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se solidarizando com nosso partido e com o nosso ministro Orlando Silva. Ele disse: ‘Vocês têm que resistir, o ministro tem que resistir’. E devemos. A história de nosso partido é a resistência. Nós temos que ter confiança na presidente Dilma Rousseff. Hoje nós temos uma relação de respeito mútuo com ela – afirmou Rabelo para uma plateia de cerca de 500 pessoas, entre filiados, militantes e representantes de 76 diretórios do PCdoB no estado do Rio.

  2. Sinceramente,não acredito.Os petistas acreditam que quem o ex-presidente apoiar,ganha.Ou quem sabe ellle próprio?Em BH,sem o PSB não tinham nenhuma chance.

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