Jogados para escanteio, aliados reclamam de “escalação” de Bolsonaro

Indicações de Lorenzoni têm prevalecido na composição do governo

Jussara Soares
O Globo

A formação do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro vem causando descontentamento entre aliados. Duas semanas após o início da transição, apoiadores de primeira hora durante a campanha e integrantes de grupos técnicos sentem-se preteridos pela falta de sinalização de Bolsonaro de que terão espaço na administração federal. A reclamação é que as indicações do futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) têm prevalecido na composição do futuro governo, deixando em segundo plano apoiadores que apostaram no militar ainda na pré-candidatura.

Ao longo da campanha, entusiastas da candidatura de Bolsonaro se reuniam em grupos de WhatsApp para discutir propostas para áreas técnicas como saúde, educação, infraestrutura, agricultura e meio-ambiente. Assim como aconteceu com o general Osvaldo Ferreira, que coordenou o grupo de planejamento mas deve ficar fora, não são poucos os nomes que perderam força ao longo do tempo.

PELO CAMINHO –  O senador Magno Malta, que chegou a confirmar seu nome como ministro, tem tido pouco espaço na composição do governo. Também ficaram pelo caminho Henrique Prates, diretor do Hospital do Amor, antigo Hospital do Câncer de Barretos, Luiz Antonio Nabhan Garcia, principal conselheiro de Bolsonaro para o agronegócio, e Stravos Xanthopoylos, especialista na área de educação que chegou a ter conversas com o então presidenciável.

Com a eleição, no entanto, os consultores deixaram de ser solicitados, ao passo em que novos nomes, levados a Bolsonaro pelas mãos de Onyx e outros políticos, começaram a ser cogitados para cargos. “Eu fui convidado para ser consultor quando o presidente eleito ainda era pré-candidato. Também havia generais trabalhando e, depois, unimos esforços. Outros nomes surgiram após a eleição”,  disse um dos consultores que chegou a integrar um grupo coordenado por Paulo Guedes, que assumirá o superministério da Economia.”Eu me sinto com o dever cumprido e pronto para servir ou, então, seguir o meu caminho”, disse.

INDICAÇÕES – Na última quarta-feira, dia 14, Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, esteve em Brasília para uma reunião com Bolsonaro, na qual indicou nomes para compor o Ministério da Educação. A irmã do piloto de Fórmula 1, que se aproximou de Bolsonaro por meio da deputada federal eleita Joice Hasselmann (PSL-SP), estava acompanhada de Mozart Neves, diretor do Instituto Ayrton Senna, e de Priscila Cruz, da ONG Todos Pela Educação. Mozart é agora um dos cotados para a pasta.

O futuro incerto do senador Magno Malta tem gerado constrangimento. Malta garantiu que será ministro, mas ainda não foi anunciado por Bolsonaro. O presidente eleito, que sonhava com o senador como vice, declarou após a vitória que queria tê-lo ao seu lado no Planalto. Entretanto, diante dos últimos movimentos de transição, uma das hipóteses é que Malta ocupe um cargo sem o status de ministro.

“O Bolsonaro tem gratidão a ele (Malta), mas um cargo que não seja o de ministro soará como um “prêmio de consolação””,  observou um integrante da equipe de Bolsonaro. Entre os “escanteados”, o temor é que se repita o que aconteceu com Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista (UDR). Considerado o principal conselheiro de Bolsonaro durante a campanha para o agronegócio, perdeu força e viu o Ministério da Agricultura parar nas mãos da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS), da Frente Parlamentar para o Agronegócio.

“VELHA POLÍTICA” – Após a escolha, Nabhan, que criticou a atuação de Onyx Lorenzoni, declarou que no futuro governo ainda permanece “a velha política”. Desde então, o ruralista está afastado do núcleo duro de Bolsonaro. Quem também não deve compor o futuro governo é o empresário Paulo Marinho, cuja casa no Jardim Botânico, no Rio, abrigou profissionais que produziam programas de TV de Bolsonaro para o segundo turno. Ao O Globo, ele disse que nunca teve a pretensão de integrar a equipe em Brasília.

6 thoughts on “Jogados para escanteio, aliados reclamam de “escalação” de Bolsonaro

  1. Na verdade, ora, Bolsonaro tornou-se uma carniça nobre, objeto de disputa duma urubuzada, composta por: GENERAIS, FILHOS, PSL e PASTORES. E assim a ideia-mãe vai-se fragmentando como fezes de cachaceiro.

  2. Caro Jornalista,

    -Uma coisa é ser aliado para que o candidato vença as eleições.
    -Outra coisa é participar do governo só porque foi aliado durante as eleições.
    São duas situações diferentes.

    Se esse “pensamento petista” não for extirpado, o Bolsonaro terá que imitar o PT e fazer QUARENTA MINISTÉRIOS as pessoas que contribuíram para a sua vitória nas urnas, e mais outros quarenta para acomodar os parlamentares dos novos partidos aliados do Congresso que tornarão possível a governabilidade e a aprovação de projetos de interesse do governo.

    Portanto, uma vez vencida a eleição e se o presidente não for um MERCENÁRIO, os aliados passam a ser aqueles que tornem possível a governabilidade. Portanto, passadas as eleições, o presidente não pode deixar de se aliar a um senador para se aliar ao dono da Lojas Havan, por mais que este tenha contribuído com o pleito…

    Além disso, se essas pessoas, ao serem preteridas, ficarem com raiva dele, FICA EVIDENTE que não estavam pensando no país, mas apenas nos próprios bolsos e na chance de usar um ministério para roubar.

    -Isto posto, ao ficarem de fora do Governo, o presidente não perde nada e o país ainda sai ganhando.

    Abraços.

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