Jogo de empurra: Procuradoria de Minas Gerais devolve a Brasília o depoimento que envolve diretamente Lula no mensalão

A Procuradoria da República em Minas Gerais preferiu não apreciar o depoimento do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, prestado em setembro do ano passado à Procuradoria Geral da República, em Brasília. Na oportunidade, o operador do mensalão, citou o suposto envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema. Ontem, o Ministério Público Federal (MPF) em Minas remeteu o documento para o órgão no Distrito Federal.

A análise do depoimento de Valério estava, desde fevereiro, sob responsabilidade procurador da República Leonardo Augusto Santos Melo. Entretanto, no entendimento de Melo, as declarações do empresário nada teriam acrescentado às investigações que estão em curso em Minas sobre o caso e às ações em tramitação na Justiça Federal no Estado.

Foi por esse motivo que a Procuradoria em Minas enviou o depoimento para a regional do MPF em Brasília, onde teriam ocorrido os fatos descritos.

Em 24 de setembro, enquanto ocorria o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário prestou depoimento à PGR, quando disse que Lula sabia da existência do esquema e teve despesas pagas com recursos originados do valerioduto. Valério foi condenado a 40 anos de prisão pelo Supremo.

Paralelamente à análise do depoimento do operador, a PGR já vinha investigando, a pedido do Supremo, pagamentos feitos por Valério que ficaram de fora da ação principal do mensalão.

Em princípio, esses pagamentos não têm relação com as informações prestadas pelo empresário que comprometeriam o ex-presidente Lula.

“LULA DEU O OK”

Em seu depoimento prestado em setembro à Procuradoria Geral da República, o empresário Marcos Valério, relatou que o ex-presidente Lula “deu o OK” para empréstimos bancários contraídos pelo PT destinados a viabilizar o esquema de compra de votos de parlamentares e para o pagamento de “despesas pessoais”.

O operador do mensalão afirmou aos procuradores que esteve com o então presidente no Palácio do Planalto, acompanhado do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e que Lula deu “OK” para as operações financeiras.

Valério também declarou que repassou R$ 100 mil para que fossem pagas despesas pessoais do ex-presidente, por meio da empresa Caso, de Freud Godoy, na época, assessor da Presidência.

Em seu depoimento, o empresário chegou a garantir que o partido do ex-presidente pagou R$ 4 milhões em honorários dos advogados que o defenderam no processo mensalão.

As acusações provocaram a reação da presidente Dilma Rousseff, que classificou como “lamentável” o que chamou de “tentativa de desgastar” seu antecessor e principal padrinho.

Em dezembro do ano passado, durante viagem a Paris, o ex-presidente Lula afirmou que as alegações do operador do mensalão eram “mentirosas” e não voltou a comentar as acusações outra vez.
Foi no mês passado que o Ministério Público Federal em Minas Gerais recebeu o depoimento para análise.

(transcrito do jornal O Tempo)

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *