Jornalista da Veja ridiculariza comportamento dos autores de picuinhas na internet

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Felipe Moura Brasil aponta distorçoes na web

Felipe Moura Brasil
Veja

Uma das diferenças básicas entre o autor intelectualmente honesto e o desonesto é que o primeiro dá aspas – e se atém – ao argumento do segundo quando menciona seu nome para argumentar em contrário, mas o segundo não dá aspas ao argumento do primeiro, preferindo antes fazer uma caricatura do que ele argumentou – ou do que ele representa – para afetar superioridade e demonizá-lo com a autoridade intelectual que lhe falta.

Essa caricatura, com frequência, é disfarçada em aspas que se limitam a reproduzir uma ironia e/ou uma comparação de natureza ilustrativa decorrentes da argumentação omitida, para que, sem destrinchá-las nas nuances do contexto original, o autor intelectualmente desonesto possa expô-las como constatações absurdas, afetando contra elas o mesmo repúdio que deseja incutir na plateia incauta e/ou igualmente recalcada.

BRASIL E VENEZUELA – Se afirmo, por exemplo, que “o Brasil faz nas sombras o que a Venezuela faz à luz do dia“, o autor intelectualmente desonesto afeta o seu repúdio contra o suposto absurdo da comparação, mencionando apenas que me referi às nomeações do governo de Michel Temer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e alegando que a Constituição delega ao presidente da República a função de nomear ministros para tribunais superiores.

Com isso, desonestamente projeta sobre mim a imagem de alguém que ignora as delegações constitucionais mais básicas, como se estas não fossem premissas do texto original e de dezenas de artigos publicados em mais de três anos de blog; e ainda omite integral e parcialmente os dois pontos centrais que levaram à comparação, sendo o primeiro, evidentemente, o mais forte:

1) A disposição de ministros do STF de assumir as funções do Poder Legislativo: por exemplo (conforme link embutido na primeira frase do texto original), legalizando o aborto no Brasil;

2) A tentativa do governo de emplacar ministros no TSE comprometidos de antemão com manobras que adiem o julgamento e votos que impeçam a cassação da chapa do presidente, no processo em curso no tribunal.

NAS SOMBRAS… – O leitor honesto, que vai às fontes e abre os links, compreende perfeitamente que o STF não precisa anular o Poder Legislativo como fez o Supremo da Venezuela para assumir suas funções em determinadas decisões, daí que faça nas sombras (“de modo dissimulado”, como escrevi) o que lá se faz à lua do dia.

O leitor honesto igualmente distingue o poder constitucional da nomeação de membros do TSE pelo presidente e a imoralidade, para dizer o mínimo, de ele nomear ministros PARA salvar seu mandato – imoralidade que, na prática, o próprio presidente reconhece, segundo o noticiário de bastidor, tanto que antecipou a nomeação de Admar Gonzaga justamente para não parecer que teve com ela a referida intenção.

Num momento em que Nicolás Maduro tenta usar de modo escancarado o Supremo venezuelano para salvar seu mandato, o leitor honesto também compreende a comparação – não equiparação – com o governo Temer, que tenta dissimuladamente nos bastidores – “nas sombras” – usar o TSE para salvar o dele, ainda que isto não venha a configurar (ou a provar-se) uma ilegalidade.

DESONESTIDADE – O autor intelectualmente desonesto, porém, tenta levar sua plateia para longe das fontes, cravando uma falsa interpretação específica de qualquer título ou sacada geral que sintetizem de modo ilustrativo os fatos e argumentos por ele omitidos. É um modus operandi cada vez mais comum, aliás: incapaz de contestar fatos e argumentos, o sujeito concentra seus ataques nos arremates irônicos ou ilustrativos que genericamente os condensam.

(É quase como Donald Trump dizer, em síntese, que Barack Obama criou o Estado Islâmico; e a CNN fazer verificação de fato, a sério, para explicar que é “mentira”: ele não criou.)

Por isso, aviso aos meus leitores: nunca acreditem em palavras que meus supostos críticos colocam na minha boca, nem levem a sério reações ao que eu supostamente afirmei. Venham às fontes originais no meu blog e leiam o que de fato escrevi, além das referências e livros que embasam meus textos e os conceitos neles utilizados.

SÃO COMO AMEBAS – Aqui, cito nominalmente autores relevantes, aos quais costumo dar aspas em caso de argumento contrário, como se pode comprovar exaustivamente no caso de Luis Roberto Barroso.

Dos que não têm relevância alguma, mas que parecem desejá-la com ataques pueris – não raro atribuindo a si próprios o poder de decidir quem pode ou não ser de direita, quem pode ou não ser analista político –, descrevo apenas o comportamento geral como um cientista descreve o de amebas no laboratório, sempre consciente de que é mais fácil leitores honestos aprenderem a reconhecer esses autores e suas picuinhas do que eles, ao reconhecerem a si próprios na descrição, aproveitarem a chance para se tornar pessoas melhores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enviado pelo advogado João Amaury Belém, o artigo do jornalista Felipe Moura Brasil cai como uma luva aqui na Tribuna da Internet, onde há comentaristas que se aproveitam da liberdade de expressão para encher o saco dos outros. Antigamente, dizia-se que essas pessoas não tomam Simancol, ou seja, não se mancam que não estão agradando, muito pelo contrário. Se insistirem, teremos de bloquear todos os comentários, para submetê-los a prévia moderação, em nome da sanidade mental do blog. (C.N.)

16 thoughts on “Jornalista da Veja ridiculariza comportamento dos autores de picuinhas na internet

  1. Sou leitor e comentarista desta Tribuna há anos e a considero o site mais independente do Brasil. Já tive alguns comentários meus publicados em forma de artigo e aqui se constitui num espaço de grande credibilidade. Contudo, acredito que as pessoas deveriam utilizar-se dos nomes reais e não pseudônimos. Gostaria de sugerir aos editores que publicassem mais artigos sobre a economia brasileira e o futuro que teremos envolvendo todos os setores. Eu já disse e repito que as denúncias de corrupção são importantes, mas ao mesmo tempo entediantes. Vamos falar mais de coisas que dizem respeito ao nosso cotidiano e o que podemos esperar que aconteça daqui prá frente. Agradeço a atenção.

    • O senhor quer que eu seja eu mesmo? Ora, aí vai perder a graça. No anonimato eu sou tão diverso… As vezes moro na França, num subúrbio de Paris chamado Grigny – fica chique parecer granfino; as vezes sou um poeta de Timbiricica, uma cidadezinha imaginária perto de Minas e longe de tudo. Ou, geralmente, sou um sun of a bitch que não escolhe verbo para esculhambar com o STF e os políticos canalhas da nossa pátria amada.
      Por enquanto, aqui, seu Luís, vou ser quem não sou. Quem sabe assim eu seja mais verdadeiro e autêntico do que aquele que penso ser no meu íntimo. Aqui, no anonimato, posso encher meus pulmões e bradar: freedom at last! freedom at last!
      Welcome to the internet, my friend!

  2. Por experiência própria, os “nominados”, é que mais perturbam na TI, como se fossem seres especiais, se acham no direito, indevidamente, em falar e interferir, em nome do editor Carlos Newton.

    O Editor que controla todos os comentários, pode dar seu testemunho.

  3. Esse assunto tá me fazendo ser um “excluído”! Socorro Direitos Humanos do Freixo! Me socorram!! Cade as ONGs dos excluídos socialmente?kkkkk

  4. Perfeito Felipe M. Brasil, essa turma se atém apenas ás versões e … dá-lhe versões!
    São tantas que acabam não mais correspondendo aos fatos.
    É o chamado populismo onde quem acaba dançando sem música é o convidado menos ilustre que ao chegar na entrada do salão percebe que o seu convite é para a senzala e não o salão nobre e ali começa a festa do plebeu, incauto cidadão Brasileiro Hiena.

    • Desculpe pessoal, nesse texto ai de cima que escrevi acabou que misturei com outro comentário de outra matéria quando mencionei sobre “populismo”. Na hora de postar aqui fiz essa confusão.

  5. O Felipe Moura Brasil é um jovem jornalista que vem se firmando na imprensa brasileira com artigos e notícias sempre pertinentes.

    Há comentarista aqui na TI,que deixam de comentar o conteúdo do texto,a tese,para ater-se a links, muitas vezes sem nenhuma conexão com com que é dito no texto, quando não partem à ofensa e ironismo chulo.

    Abraços Newton, e vamos para frente, porque a Ti é o melhor blog da internet.

  6. Está faltando na Tribuna da Internet um link Fale Conosco para enviarmos nossas opiniões diretamente para os Editores. As chamadas “picuinhas” não contribuem em nada para os comentários sobre artigos importantes. O que é publicado aqui não sai na grande mídia. Vamos valorizar essa independência e imparcialidade.

  7. Quando o Felipe Moura defendeu ferrenhamente o Trump, atual presidente americano, como a solução para os problemas atuais, eu me senti tentado a rebater seus argumentos, mas não pude, porque o blog do Felipe não aceita comentários. Hoje 68% dos americanos consideram o Trump um péssimo presidente.
    Embora aprecie a maneira moderna de o senhor Felipe fazer jornalismo, não concordo com suas ideias de extrema direita e também de não aceitar críticas.
    De qualquer modo, sucesso, senhor Felipe.

  8. Tenho lido vários artigos que colocam nossa sociedade cada vez mais dividida entre direita e esquerda, nas suas mais variadas expressões. Quando não se tolera o contraditório, não existe diálogo, tudo vira simplesmente fascismo. Não importa se a corrupção é de direita ou esquerda, o fato é que ela subtrai recursos públicos. Numa era de tanta informação, parece cada vez mais difícil mudar os conceitos das pessoas, mas precisamos ter a humildade de reconhecer que muitas vezes podemos estar errados e o outro pode estar certo. Vivemos um mundo de rápidas transformações, onde aquela frase “tudo que é sólido desmancha no ar” está cada vez mais presente. Vamos deixar os radicalismos de lado, caso contrário nunca haverá diálogo e o pior de tudo é a baixaria resultante de tudo isso. Não ocupamos este espaço para ofensas pessoais, estamos aqui para discutir ideias, não importante que haja concordância ou discordância. Do que jeito que vejo as coisas, fico imaginando o que vem pela frente, principalmente em um ano de eleições presidenciais.

  9. Gente, vamos em frente. Leio todos os comentários. É ruim quando partem pra agressão pessoal. São todos importantes. Já tivemos piores.

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