José Serra busca mais espaço político na área de Henrique Meireles

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Charge sem assinatura, reprodução do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Reportagem de Gabriela Valente, enviada especial de O Globo à Índia para cobrir a reunião dos BRICS, edição de segunda-feira, reproduz declarações do ministro José Serra prevendo a queda da taxa Selic, não só agora, mas também nos próximos meses. A opinião é razoável sobre o prisma técnico, confirmou-se nesta quarta-feira, mas sob o ângulo político representa um avanço no espaço do ministro Henrique Meireles.

Pois o assunto, sem dúvida, é da competência do ministro da Fazenda e não da esfera de atuação do titular das Relações Exteriores. No fundo da questão, a queda dos juros pagos pelo governo para girar a dívida interna de quase 3 trilhões de reais depende da decisão de Meireles, em sintonia com Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central.

A declaração de José Serra pode até ter influído favoravelmente no mercado financeiro, mas nem por isso deixa de significar uma penetração do espaço administrativo da Fazenda; como a isso reagirá Meireles? Não se sabe ainda, mas, claro, satisfeito ele não ficou. Inclusive porque estávamos às vésperas da reunião do Copom, Comitê de Política Monetária, não de política voltada às relações internacionais.

MAIS UM CAPÍTULO – O episódio, a meu ver, significa mais um capítulo da trajetória da sucessão presidencial de 2018, na qual Serra coloca-se desde já como um dos candidatos, disputando com Geraldo Alckmin e Aécio Neves, todos três do PSDB.

José Serra traçou um roteiro para tentar viabilizar seu nome, como candidato de união entre seu partido e o PMDB de Michel Temer. Mas será a alternativa mais viável? É possível que sim, é possível que não. O próprio Michel temer considerou cedo para que o tema seja colocado sob análise e discussão. Ministro de Temer, Serra busca seu apoio.

Mas o presidente da República, mesmo se desejasse, não poderia se definir ou mostrar uma tendência agora. Se optasse por um dos três mosqueteiros, estaria lançando os dois outros tucanos em oposição a ele a ao seu governo. Além disso, desagradaria o PMDB, com base na estratégia de rolar o tempo para avaliar uma candidatura própria, ou então valorizar seu apoio.

DAQUI A DOIS ANOS – A sucessão para o Palácio do Planalto está marcada para daqui a dois anos. E, em matéria política, dois anos são uma eternidade entre o presente e o futuro próximo.

A calma é essencial para alguém consolidar uma candidatura. Revelar ansiedade é um lance negativo. Não só para um político, mas para qualquer pessoa, seja qual for seu rumo ou setor de atividade.

Na minha impressão, o ministro das Relações Exteriores não levou em conta a sensibilidade que marca o universo das relações políticas interiores. Me lembro do que aconteceu com o governador Carlos Lacerda, no dia 2 de abril de 64, na reunião no Palácio Guanabara. Ele estava ao lado dos governadores Ademar de Barros, de São Paulo, Magalhães Pinto, de Minas, e de Petrônio Portela, do Piauí.

CASTELO BRANCO – Foi anunciada a escolha do general Castelo Branco para a presidência da República, voto indireto, início da ditadura militar. Magalhães Pinto pronuncia-se lembrando ter sido o primeiro a lançar a derrubada de João Goulart.

Carlos Lacerda, em abril de 64, antecipa sua candidatura em outubro de 65. Sou amigo de Castelo, seu admirador e quero ser seu sucessor em 65.

Naquele momento colidiu com a ideia militar de poder que durou 21 anos. Ademar de Barros e Lacerda foram cassados. Magalhães, preterido.

2 thoughts on “José Serra busca mais espaço político na área de Henrique Meireles

  1. Estimado Sr. Pedro do Coutto … sds!

    Há outra versão que li em algum lugar:
    1 – telefonaram para Adhemar dizendo que Magalhães e Lacerda concordavam com Castello Presidente … e Adhemar então também aceitou;
    2 – aí telefonaram para MP com os mesmos resultados;
    3 – finalmente ligam para Lacerda, que pede tempo … e liga para Adhemar e Magalhães que informam aceitar Castello … e Lacerda dá o OK!!!

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