Juiz federal lança livro que pretende abrir a “caixa preta” do Judiciário

caixa pretaFrederico Vasconcelos
Folha

(…) “No Brasil, a Justiça tarda. Os poderosos muito raramente são punidos. Sonegar tributos é quase permitido. Negros, pobres e analfabetos são a maioria da população carcerária. Um processo pode demorar anos e anos. É difícil ter os próprios direitos respeitados, mas, com um pouco de astúcia, é fácil escapar aos rigores da Lei.” (…)

O juiz federal Nagibe de Melo Jorge Neto, Mestre e doutorando em Direito pela Universidade Federal do Ceará, decidiu enfrentar essas questões. Depois de 13 anos de atuação como magistrado, está lançando o livro “Abrindo a Caixa-Preta: por que a Justiça não funciona no Brasil?“

APRESENTAR AS CAUSAS

Ele pretende apresentar as causas de nossas mazelas para um público amplo, estudantes e profissionais do Direito, mas também para qualquer cidadão preocupado com o Brasil. Trazer elementos, atiçar um debate que ainda é morno e mal colocado.

O paradoxal é que milhares de pessoas trabalham para que a Justiça funcione: advogados, juízes, promotores, defensores públicos, policiais, servidores dos órgãos que compõem o sistema de Justiça. Trabalham muito e de boa-fé. Gastamos uma fortuna no orçamento do Poder Judiciário e dos demais órgãos do sistema de Justiça. Parecemos atolados. O que nos falta?” — pergunta o autor.

A sociedade brasileira precisa participar desse debate, entender o funcionamento do Poder Judiciário e dos demais órgãos que compõem o nosso sistema de Justiça. Temos boas leis no Brasil, mas precisamos todos entender por que é tão difícil fazer cumprir e respeitar as leis, por que é fácil escapar delas”, diz Nagibe de Melo Jorge Neto.

Segundo o juiz, o Estado de Direito ainda não foi completamente implantado no Brasil.

Esse é o desafio da nossa geração. Fazer com que a Lei seja aplicada de modo efetivo e igual para todos. Fazer com que as pessoas tenham razoável grau de certeza de que a Lei será cumprida e será capaz de protegê-las, de que as dívidas serão pagas, de que os criminosos serão punidos. Sem isso não é possível efetivo combate à corrupção. Sem isso não é possível desenvolvimento. Sem isso estaremos sempre esperando para entrar no clube dos países ricos”.

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LAMPIÃO, LULA E A CAIXA-PRETA

A seguir, trechos do primeiro capítulo do livro, sob o título “Lampião, Lula e a Caixa-Preta do Poder Judiciário”:

Contam que Lampião escolheu o caminho do cangaço pela ineficiência do Poder Judiciário. A pendenga começou com o assassinato de seu pai, pelo que ele fez uma queixa na Justiça. Ao que parece, a Justiça deu de ombros, não se envolveu muito com a causa. O juiz teria dito: você precisa de um advogado e três testemunhas. Passado algum tempo e decepcionado com aquilo, Lampião entregou-se ao cangaço. Munido de uma espingarda e 300 balas disse: diga pro juiz que agora eu tenho um advogado e 300 testemunhas!

Lula não precisava de advogados nem de testemunhas, não precisava de armas nem de balas. Lula tinha votos, muitos votos e queria fazer a reforma do Judiciário. No segundo turno de sua primeira eleição presidencial, em 2002, Lula teve 52,8 milhões de votos, tornando-se o Presidente mais votado da história do Brasil e o segundo mais votado do mundo. O primeiro lugar pertence a Ronald Reagan nas eleições americanas de 1980.

(…) Passados mais de 12 anos da reforma, todos podemos perceber que o Conselho Nacional de Justiça não foi capaz de assegurar uma Justiça justa, célere e eficaz. No Brasil, a Justiça tarda.

(…) Era necessário produzir dados, tentar unificar as políticas dos diversos Tribunais do país em uma única política nacional do Poder Judiciário. Essa passou a ser a missão número um do Conselho Nacional de Justiça — CNJ. Mas ainda estamos perdidos. Em grande parte porque a sociedade conhece muito pouco o Poder Judiciário. Por mais que se abra, por mais que se escancare. A sociedade não parece muito interessada em saber como os juízes trabalham e por que não conseguem alcançar os resultados esperados.

(…) É preciso conhecer as causas da injustiça e é preciso conhecer melhor o Poder Judiciário para que possamos reformá-lo e cobrar dele uma atuação mais efetiva. É preciso conhecer e combater para alcançar a Justiça. Este livro propõe-se a apresentar, do modo mais simples e direto possível, as causas do mau funcionamento da Justiça brasileira.

6 thoughts on “Juiz federal lança livro que pretende abrir a “caixa preta” do Judiciário

  1. O que ele conta é o que ja estamos “carecas” de saber,justiça no Brasil só funciona para os 3 Ps, ou seja pobre, preto e prostituta.
    Quem tem padrinho, aqui na terra do “cumpanhero” lula, não vai preso, e as vezes até arranca uma graninha a título de danos de alguma coisa.
    Agora se o nababo for “dazelite” e possuir riquezas que possam contratar um bom “causídico”, ai é não sera preso nunca.
    O que parece é que justiça não se faz com juiz, mas com advogado, pois muitas vezes o mesmo crime tem sentenças diferentes.
    A verdade é que tudo que é público, parece que é podre, já não se pode confiar em mais nada.

  2. Meses atrás a PF esteve no TJ CEARÁ e levou alguns DEUSembargadores acusados de vender sentenças para bandidos.

    ABAFARAM O CASO ?

    ESSE JUIZ, AUTOR DO LIVRO, TALVEZ POSSA ESCLARECER O ABAFA.

  3. RUI BARBOSA questionava a Justiça, um dos seus ditos: JUSTIÇA TARDIA NÃO É JUSTIÇA, NADA MUDOU, CONTINUA A PASSOS DE CÁGADO,COM SUA PESADA MÃO, ATINGE OS 3 Ps – POBRE, PRETO E PUTA, AOS PODEROSOS, DÁ O SALVO CONDUTO, DA LIBERDADE E PRESCRIÇÃO AOS CRIMES QUE PRATICAM SOBRE MILHÕES EX. ROUBO DO COFRE PÚBLICO.
    DE 2 ANOS PARA CÁ, APARECEU UM juiz JUIZ, Dr. SERGIO MORO EQUIPES MPF E PF. PONDO OS PODEROSOS EM CANA(PROPORÇÃO NUNCA VISTA, DE RAPIDEZ). ISSO SE CHAMA JUSTIÇA, NOS DANDO ESPERANÇA QUE AINDA TEM JUIZ, MAS A CORJA CRIMINOSA, CONTINUA A QUERER CALÁ-LO.
    CONFORME GRAVAÇÔES EXPOSTAS A NAÇÃO PELA MÍDIA,:
    OREMOS A DEUS PARA PROTEGER MORO E EQUIPES, PARA O BRASIL VOLTAR A SER UMA NAÇÃO DECENTE E JUSTA;
    RUI:SUA POESIA/PRECE “TENHO VERGONHA DE MIM, EM SER HONESTO” E “DEUS” DIRIGIDAS A ” SI” COMO POLÍTICO”:

  4. Ótima iniciativa, abrir a caixa preta do judiciário. Mas antes deveriam abrir o caixão preto da OAB, pois ali sairá coisa bem pior. Lembrando que se há juízes corruptos é porque há também os corrompedores. Quem são eles? Fácil!

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