Juiz Moro demonstra que é possível colher informações sem delação premiada

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

O instrumento da delação premiada tem sido fundamental para o sucesso da força-tarefa da Lava Jato, não há a menor dúvida. Mas o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, está mostrando que é possível colher importantes informações sem que exista a abertura proporcionada pelos acordos de colaboração. Nesta sexta-feira, por exemplo, ao interrogar o empresário José Antunes Sobrinho, sócio da empreiteira Engevix, que recentemente desistiu de fazer delação premiada, o magistrado conseguiu uma revelação da maior importância. Sobrinho afirmou ao juiz que o empreiteiro Leo Pinheiro, então presidente da OAS, comunicou-lhe que um acordo estava sendo feito entre as empresas envolvidas na Lava Jato para que seus dirigentes não fossem ouvidos na CPI da Petrobras.

O sócio da Engevix relatou que Leo Pinheiro então lhe sugeriu que procurasse o senador Gim Argello, vice-presidente da CPI, para resolver a blindagem, em troca do pagamento de R$ 5 milhões ao parlamentar.

Com esse depoimento, que não envolve delação premiada, o juiz Moro conseguiu consolidar uma investigação delicadíssima, que envolve suborno a parlamentares dos mais diversos partidos, inclusive o deputado Sérgio Guerra, já falecido, mas que à época era presidente nacional do PSDB.

ARGELLO E DELCÍDIO – Algumas informações colhidas por Moro terão de ser enviadas ao Supremo, por envolverem parlamentares com foro privilegiado, mas o processo de Gim Argello continua com o juiz da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, onde o ex-senador está preso desde abril deste ano.

Ao se referir a um encontro no aeroporto de Brasília com o ex-presidente da OAS, que é réu na mesma ação de Argello, Sobrinho afirmou que Leo Pinheiro  estava articulando grupos de empresas da Lava Jato que fariam colaboração para executivos não prestarem depoimento na CPI.

Nesta sexta-feira, o senador cassado Delcídio Amaral também depôs na ação penal contra o antigo colega de Senado e reafirmou que os empreiteiros Julio Camargo, da Toyo Setal, e Ricardo Pessoa, da UTC, disseram a ele que pagaram quantias a Gim Argello em troca de serem poupados na CPI.

“Uma vez o Ricardo me contou que pagou R$ 5 milhões. Ele estava bem injuriado com isso. O Julio fez pagamentos da ordem de R$ 2 milhões” — disse Delcídio, segundo a repórter Silvia Amorim, de O Globo.

LAVA JATO AVANÇA – Na tradução simultânea de tudo isso, a Lava Jato está avançando bastante, apesar do fatiamento que tem sido feito pelo relator Teori Zavascki, que está distribuindo inquéritos e processos para a primeira instância da Justiça Federal em São Paulo e Brasília.

O inquérito sobre Lula e Delcídio, por terem tentando evitar a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, por exemplo, vai passar a correr em Brasília, enquanto São Paulo ficou com a operação Custo Brasil.

A situação realmente está ficando confusa, mas os outros juízes federais que estão conduzindo inquéritos e processos do esquema de corrupção (Vallisney de Oliveira, Brasília, e Paulo Azevedo, São Paulo) têm procedido com o mesmo rigor do juiz Sérgio Moro. Não existe temor de que haja um retrocesso.

O problema maior é o Supremo, onde inquéritos e processos avançam devagar, quase parando, circunstância que facilita que ocorra prescrição da punibilidade. Mas tudo são conjeturas, porque nada impede que o Supremo passe a operar na mesma frequência dos juízes Moro, Oliveira e Azevedo. Pelo menos, é o que se espera que ocorra.

6 thoughts on “Juiz Moro demonstra que é possível colher informações sem delação premiada

  1. Caro Newton, o STF, A MUITO PERDEU A CONFIANÇA DO ZÉ MANÉ E VIROU stf, 8 representantes do PT & CIA, LULA SOLTOU A MAIOR INJURIA: TAXANDO OS MINISTROS DE COVARDES, MENTIU, OS MINISTROS SÃO CORAJOSOS, ESTUPRAM E VILIPENDIAM A Srª JUSTIÇA, COM SUAS SENTENÇAS VERBORRAGICAS, ANDAM À PASSOS DE CAGADO, MAS… SÓ PENSAM EM AUMENTAR SEUS GORDOS SALÁRIOS E MORDOMIAS, FORA DUAS FERIAS, SERVIR AO CIDADÃO QUE LHES PAGA SALÁRIO E MORDOMIAS,HONRANDO À JUSTIÇA, NEM PENSAR.
    A ESPERANÇA É O JUIZ SERGIO MORO E DEMAIS JUÍZES NOVOS, QUE ESTÃO CUMPRINDO SEU DEVER FUNCIONAL, QUE SE MULTIPLIQUEM NOS TRIBUNAIS, PARA POR NA CADEIA OS LADRÕES PÚBLICOS E PRIVADOS DO COFRE PÚBLICO, SAÚDE, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA, TRANSPORTE, EMPREGO.
    ROGUEMOS A DEUS PELOS JUÍZES, QUE DIGNIFICAM A JUSTIÇA.
    A TODOS NÓS, LEMBRO QUE HÁ UMA JUSTIÇA, QUE PRESTAREMOS CONTAS ALÉM TÚMULO, A DIVINA, QUE ESTÁ NA CONSCIÊNCIA,, E JULGARÁ NOSSAS OBRAS, INFORMAÇÃO DE JESUS: EM SEU EVANGELHO: A CADA UM SEGUNDO SUAS OBRAS E PAGARÁS ATÉ O ÚLTIMO CEITIL, SÃO LEIS CÓSMICAS
    QUANDO VÍ A TEMPOS, NA MÍDIA, A FOTO DO PRESIDENTE DA SUPREMA CORTE DA SUÉCIA, PELA MANHÃ, SÓ, SEM SEGURANÇAS E MORDOMIAS, AGUARDANDO O ÔNIBUS QUE O LEVARIA AO TRABALHO NO TRIBUNAL, PENSEI: QUE RESPEITO E HONRA A Srª JUSTIÇA E AO CIDADÃO, QUANDO O BRASIL TERÁ UM JUIZ CHAMADO MINISTRO DE NOSSA SUPREMA, QUE SE AMESQUINHA PROTEGENDO OS CORRUPTOS.
    87 ANOS, NESTA VIDA MATERIAL EM FASE TERMINAL, NÃO VEREI, NO BRASIL, O EXEMPLO SUECO DE AMOR AO PRÓXIMO, A,O DEVER CUMPRIDO!. NA PRÓXIMA REENCARNAÇÃO, SE FOR NO BRASIL, QUEM SABE, ENCONTRAREI UMA PÁTRIA, SEM CORRUPÇÃO, E JUÍZES SENDO JUÍZES, E UM POVO FELIZ, SEM MISÉRIAS.
    MAIS UMA VÊS ROGO A DEUS, PELO BRASIL E PELA HUMANIDADE, DESGARRADA DO AMOR FRATERNO, PELA NÃO ACEITAÇÃO DE JESUS, O CRISTO QUE NOS DEIXOU A MENSAGEM: EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA, E NINGUÉM VAI AO PAI A NÃO SER MIM.

    • Operador ligado a Temer admite ter recebido R$ 1 milhão da Engevix

      Delator da Lava Jato, sócio da empreiteira afirma que o dinheiro era propina por obra na usina nuclear Angra 3
      DANIEL HAIDAR
      24/06/2016 – 19h53 – Atualizado 24/06/2016 20h41
      O empresário José Antunes Sobrinho, um dos donos da construtora Engevix, é mantido em prisão domiciliar a poucos metros da força-tarefa em Curitiba. Vem de Antunes a acusação, em uma proposta de delação premiada, de que o presidente interino Michel Temer foi o beneficiário de R$ 1 milhão de propina, paga pela Engevix, como recompensa por um contrato de R$ 162 milhões da empreiteira com a Eletronuclear. ÉPOCA revelou o caso no fim de abril. Temer negou as acusações na ocasião. Na proposta de delação, Antunes conta que o ex-coronel da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, sócio da empresa de arquitetura Argeplan e “pessoa de total confiança de Michel Temer”, ganhou o principal contrato de construção da usina Angra 3 com a Eletronuclear, no valor de R$ 162 milhões, e se comprometeu a subcontratar a Engevix para realizar a obra. Em troca, a empreiteira pagaria R$ 1 milhão para “suprir interesses de Michel Temer”, de acordo com Antunes.
      A proposta de delação premiada revela detalhes sobre o caso. Lá, Antunes diz que pediu para que uma prestadora de serviços da Engevix fizesse o pagamento para Lima, para disfarçar. Segundo a proposta de delação, o repasse foi feito pela empresa Alúmi Publicidades, que prestava serviços de mídia para o aeroporto de Brasília, controlado pela Engevix. Segundo ÉPOCA apurou, houve realmente um pagamento da Alúmi para a PDA Projeto, outra empresa de Lima. A PDA recebeu R$ 1,1 milhão em outubro de 2014, pagos pela Alúmi, na reta final da eleição daquele ano. Procurada por ÉPOCA, a Alúmi confirma o repasse de dinheiro à PDA. Lima confirma o recebimento da quantia. Os dois afirmam, no entanto, que se trata apenas de serviços prestados pelo amigo de Temer, não de propina.

      Com as revelações do executivo, o dinheiro pode ser rastreado pelos investigadores para que seja verificado se Temer foi de fato beneficiado, como afirma Antunes – o que, novamente, o presidente interino nega com veemência. Pouco tempo depois do pagamento da propina, Lima fez viagens ao Panamá e ao Uruguai, dois conhecidos paraísos fiscais usados por operadores da Lava Jato para esconder dinheiro.
      (…)….

      http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/06/empresario-ligado-temer-e-acusado-de-receber-r-1-milhao-em-propina.html

  2. Tudo muito bem, tudo muito bom, eu só quero saber quando que os partidos políticos que receberam o dinheiro roubado da Petrobrás e de outras falcatruas, devolverão as quantias “doadas”!

    Da mesma forma eu gostaria de saber se, os que fizeram delação premiada – e passo a entender melhor a expressão “premiada” -, também precisam devolver os roubos que praticaram contra o erário e povo brasileiro ou se o “prêmio” por botarem a boca no trombone e entregarem seus cúmplices – na minha época o delator era escorraçado do meio, era como se fosse uma doença altamente contagiosa ambulante e todos dele se afastavam -, permanece em poder do ladrão como “bonificação”, haja vista os casos de Cerveró e Sérgio Machado, dois dos maiores ladrões contra a estatal brasileira, que receberam suas “punições” em prisão domiciliar nas suas mansões, adquiridas através de roubos e condutas ilícitas!

    Nesse meio tempo, o ladrão que roubou um supermercado, uma joalheria, um bar … que obteve uns reais com este ato ilegal está trancafiado em celas putrefatas em presídios considerados os piores do mundo, os nossos, do Brasil!

    No entanto, os que roubaram BILHÕES, “sofrem” em “cadeias” maravilhosas, com piscinas, quadras de jogos, televisões de tela plana, um conforto inigualável, que a maioria absoluta dos brasileiros jamais vai conseguir ter uma casa com tanta riqueza e espaço!

    Seria justo este tipo de compensação à delação “premiada”?

    Seria justo para com os cidadãos deste País que foram roubados, explorados, cujo dinheiro roubado fez falta à saúde, educação e segurança, que tivessem esta “negociação” com a Justiça em troca de nomes que também participaram dos crimes?

    Ora, a punição não só diminui substancialmente quanto ao tempo de prisão, quanto proporciona ao delator, figura deplorável e abjeta, que mantenha consigo uma boa parte do roubo, o seu patrimônio, e ainda passe o tempo que deveria estar preso em … casa, melhor, no seu castelo, na sua fortaleza, no seu palácio!

    A meu ver estamos sendo ludibriados duplamente:
    Pelo ladrão, que enriqueceu roubando o que era nosso, do povo, e pela Justiça, que desejando demonstrar eficiência e eficácia, negocia com um reles bandido uma condição nababesca de vida, se este entregar o “esquema” que redundou em roubos e prejuízos ao país e população.

    Será que, no Brasil, o crime compensa e, ainda por cima, chancelado pela Justiça, inacreditável e surpreendentemente?!

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