Julgamento do mensalão está se transformando numa fogueira das vaidades

Carlos Newton

Nosso amigo e mestre Helio Fernandes certamente é quem mais conhece o funcionamento do Supremo Tribunal Federal, pois desde jovem costumava assistir a sessões no luxuoso prédio da Avenida Rio Branco, aqui no Rio, bem perto do antigo Senado Federal, que foi demolido pela insanidade administrativa que sempre assolou este país.

Helio, que hoje assiste ao Supremo pela televisão,  diz que o funcionamento do Supremo mudou muito depois que as sessões passaram a ser transmitidas ao vivo. É a mais pura verdade. Ao assistir as apresentações dos ministros e dos advogados de defesa no caso do mensalão, essa realidade fica mais do que patente.

Em meio a essa fogueira das vaidades (expressão antiga e recentemente revivida pelo escritor americano Tom Wolfe), os ministros tendem a se digladiarem cada vez mais. Marco Aurélio Mello, por exemplo, não mede as palavras e tem criticado outros membros do tribunal, inclusive o presidente Carlos Ayres Britto, por tentarem acelerar o julgamento do mensalão.

Mello critica outros ministros

Na sessão de segunda-feira, Ayres Britto consultou os ministros sobre a possibilidade de ouvir uma defesa além das programadas para o dia. Marco Aurélio foi contra e deu entrevista à Folha ironizando o presidente e o relator Joaquim Barbosa, a quem classificou de “o todo-poderoso relator”.

Marco Aurélio disse que o “clima está tenso” na corte e fez referência ao gosto de Ayres Britto pela poesia para dizer: “Poeta geralmente é muito sereno em tudo o que faz. É contemplativo, mas nesse caso não está sendo”.

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CARNAVAL ITALIANO

O termo “Fogueira das Vaidades” nasceu na Itália, no Carnaval de 1497, quando os fanáticos seguidores do padre Girolamo Savonarola, (o mesmo que é retratado no livro “A regra de quatro”, de Ian Caldwell), reuniram e queimaram publicamente em Florença milhares de objetos, como livros, manuscritos de peças musicais, quadros, espelhos, cosméticos, roupas, mesas de jogo e outras coisas supostamente pecaminosas a que conseguiram deitar as mãos.

No Supremo brasileiro, os ministros só faltam atear fogo às vestes, como se dizia antigamente.

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