“Julgamentos não são políticos”, diz Moro entre aplausos e vaias, ao lado de Cardozo

Cardozo e Moro travaram um debate muito cordial

Luiza Bandeira
O Globo

Dias após ouvir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como réu na Lava Jato, o juiz federal Sérgio Moro disse neste sábado, em Londres, que “julgamentos não são políticos” e defendeu uma aplicação “ortodoxa da lei” por juízes. O juiz fez a declaração em palestra no Brazil Forum, em mesa da qual participava ainda o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que, segundo a publicitária Mônica Moura, foi responsável pela antecipação de ações da Lava-Jato à ex-presidente Dilma Rousseff. Cardozo nega. Moro foi recebido com aplausos e vaias por um auditório lotado.

Moro disse que julgamentos envolvendo corrupção de políticos têm reflexos na política partidária, mas afirmou que o juiz não pode julgar pensando nisso. “Se o juiz for julgar pensando na consequência política, ele não está fazendo seu papel de juiz. Acho que muitas vezes tem essa confusão. Como esse caso envolve pessoas poderosas, crime de elevada dimensão, se faz uma confusão no sentido de que julgamentos são políticos, quando eles não são”, frisou.

CARDOZO FEZ CRÍTICAS – A Lava Jato é acusada por opositores de fazer uso excessivo de prisões preventivas para obter acordos de delação premiada. Em sua fala, antes do pronunciamento do juiz, o ex-ministro José Eduardo Cardozo disse que prisões cautelares são medidas extremas.

“As medidas restritivas de liberdade cautelar, as prisões, só podem ser aplicadas quando nenhuma outra medida pode ser aplicada. Por que isso foi feito? Não era para proteger políticos, mas para proteger pobres que eram colocados diariamente na cadeia, como ainda são. A pena restritiva de liberdade é extremíssima, só quando não há outra alternativa. 50% da população prisional brasileira é de presos provisórios.

Além das prisões preventivas, Cardozo criticou outra medida adotada com frequência por Moro, as conduções coercitivas. Depois, disse também que juízes nunca são neutros, porque precisam tomar decisões com base em sua convicção sobre a lei. O problema, segundo ele, ocorre quando há parcialidade. “O que ele não pode ser é parcial”.

 “COTOVELADA” – Moro e Cardozo se sentaram lado a lado durante o debate. Ao iniciar sua fala, o juiz brincou dizendo que algumas pessoas esperavam confronto, mas que ele não havia dado “nem uma cotovelada” no colega. Segundo o juiz, é uma tolice pensar que eles não poderiam dividir um espaço, já que “a democracia é um espaço acima de tudo de liberdade”.

Moro, principal nome do evento Brazil Forum UK, foi muito aplaudido ao ser anunciado – houve também breves vaias. Durante o dia, o juiz foi tietado por estudantes, mas se recusou a tirar “selfies” com a maior parte.

Cardozo também foi aplaudido pela plateia, composta principalmente por estudantes brasileiros, principalmente quando afirmou que o processo de impeachment que retirou Dilma Rousseff do poder havia sido um golpe. Quando disse que não adiantava “aplaudir quando o direito suprimido era de um adversário e vaiar quando é um aliado”, ouviu um grito de “arrasou” da plateia.

PRISÃO PREVENTIVA – Ao falar sobre prisões preventivas, o juiz Moro defendeu uma “aplicação ortodoxa” da lei penal por juízes. “A prisão preventiva é excepcional, tem que se evitar o risco de um inocente ser preso. Não obstante, a lei também permite que o juiz eventualmente adote a prisão preventiva com objetivos previstos em lei, como, por exemplo, para proteger investigação criminal”, ressalvou.

Ao justificar o uso da medida, Moro disse que a investigação da Lava Jato mostrou uma corrupção “sistêmica, uma prática habitual, profissional, serial, profunda e penetrante”.

A mesa também foi a mais requisitada pelos próprios palestrantes do evento: o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad fez uma das perguntas destinadas a plateia. Ele quis saber sobre a diferença no tempo que processos levam para ser julgados em diferentes instâncias – usou como exemplo o caso conhecido como mensalão mineiro, que teve início antes do mensalão petista, mas cujo julgamento demorou mais para ocorrer.

A filósofa Djamila Ribeiro, que participará de discussão sobre gênero, também fez uma pergunta a Cardozo sobre “populismo judiciário”.

DELAÇÕES – Após o debate, o ex-ministro negou que tenha repassado informações sobre operações da Polícia Federal a então presidente Dilma Rousseff de forma ilegal.

Mônica Moura, mulher do marqueteiro do PT, João Santana, disse em delação premiada que o casal foi avisado de seus pedidos de prisão antecipadamente por Dilma, que teria recebido a informação de Cardozo.

“Talvez no desespero de conseguir redução de pena, ela tenha inventado situações. Eu nunca dei para a presidenta Dilma Rousseff qualquer informação privilegiada, jamais. Nem recebia. Essa informação não tem o menor amparo na realidade e quem pode responder isso é a Polícia Federal e o Ministério Público”, assinalou o ex-ministro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGUma aula de democracia – assim pode ser definida essa sessão do Brazil Forum, em Londres. Dois palestrantes antagônicos, defendendo posição absolutamente opostos, em clima altamente civilizado. Espera-se que Moro não seja massacrado por ter tratado Cardozo com a máxima cordialidade. Esta é a utopia democrática que a Tribuna da Internet persegue. Aliás, é bom lembrar que, numa oportunidade anterior, quando foi fotografado sorrindo ao conversar com o senador Aécio Neves, o juiz Moro recebeu muitas críticas dos petistas. Nada como um dia após o outro, diz o ditado. Vamos em frente. (C.N.)

14 thoughts on ““Julgamentos não são políticos”, diz Moro entre aplausos e vaias, ao lado de Cardozo

  1. NÃO HÁ MAIS DÚVIDA ALGUMA DE QUE O LULA TEM SIM O RABO PRESO COM A ODEBRECHT, mas o Temer e seus ministros tb, o Sarney, o presidente do senado, o presidente da câmara federal, o Jucá, o Lobão, o Kassab, o Barbalho, o FHC, o Aécio, o Serra, o Alckmin, a própria Marina Silva, um monte de deputados …, enfim a corriola toda do partidarismo-eleitoral, do gollpismo-ditatorial e seus tentáculos, velhaco$, até porque o $istema político podre leva a esses esquemas todos que aí estão sendo agora torpedeados, como nunca antes visto na história deste país, sem os quais, no espectro político-partidário-eleitoral, ninguém chega a lugar algum, salvo exceções, como já disseram o próprio Marcelinho Odebrecht e o marqueteiro João Santana, entre outros. Em assim sendo, como de fato é, eu ainda não consegui entender, por via de lógica, a razão dessa tara do Moro e da mídia, preferencial e prioritária, pelo Lula, Dilma e os petistas, se todos estão envolvidos com a Odebrecht, de forma até mais evidente do que o próprio Lula, salvo exceções como, p. ex., o PSOL e o PSTU, entre outros nanicos, que, na moral, não conseguem eleger mais do que meia dúzia de gatos pingados, de modo que não faz sentido a leniência para os empresários corruptos, e a execração pública e a cadeia para os políticos, se todos são operadores elementares e complementares do mesmo e velho $istema político que já vem podre desde a proclamação da república em 1889, no colo do qual a própria e famigerada ditadura militar tb sentou gostosamente, que para ser anistiada, face à sua avalanche de crimes, teve que entregar o poder. Então, no meu modesto modo de ver, cabe sim no caso o perdão para todos, desde que todos se rendam e entreguem o poder ao Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, alicerçado na paz, no amor, no perdão, na união e na mobilização pela mega-solução que é o que realmente interessa ao conjunto da população, para que possamos recomeçar o jogo político dentro de uma nova arena, limpa, exposta à luz do sol, dentro da qual o dinheiro será substituído pelo mérito dos interessados em se tornar autoridades eletivas, para que assim possamos dar estabilidade política duradoura para o país e a população, livre dessa herança maldita que é essa maldita guerra tribal do “quanto pior, melhor”, primitiva, permanente e insana por poder, dinheiro, vantagens e privilégios, sem limite$, que joga irmãos contra irmãos, boa só para os operadore$ do $istema político podre. E assim, sob nova atmosfera de Democracia Direta e de Política com P maiúsculo, vamos todos trabalhar em prol do sucesso pleno do bem comum do conjunto da população, do quanto melhor, melhor, tendo como foco o IDH número 1 do planeta terra. Ademais, o poder judiciário tb está precisando ser passado à limpo, a exemplo do midiático e do econômico, tanto quanto os demais poderes ora na berlinda. Portanto, vem comigo Brasil, simbora para o futuro, porque evoluir é preciso, com paz, amor, perdão, conciliação, união e mobilização pela mega-solução, inclusive porque o Brasil e o povo brasileiro não podem ficar a vida toda estacionados nesse imenso e velho mar de lama. E daí, partidarismo-eleitoral, vamos conversar ? http://www.brasil247.com/pt/247/parana247/295397/Em-Londres-Moro-insinua-que-ir%C3%A1-condenar-Lula.htm

  2. O ex-ministro José Eduardo Cardozo acha que prisões cautelares são medidas extremas.

    Também acho, pois a tradição no Brasil é os ladrões do dinheiro público ficarem impunes e o povo pagar a conta sem saber da verdade.

  3. Gilmar Mendes na Veja:

    A gente discute desde 2009 uma lei de abuso de autoridade, que é muito necessária. Aí vêm os procuradores e dizem que ela não pode ser aprovada porque vai afetar a Lava Jato. Esses mesmos procuradores propõem as tais 10 medidas contra a corrupção. Se o Congresso não as aprova, é um ataque à Lava Jato. Algumas daquelas medidas permitiam o aproveitamento de provas ilícitas. É um viés fortemente autoritário de alguém que tem uma visão de mundo que não corresponde à nossa tradição liberal.

  4. Não tenho conhecimento, para dizer se é legal ou ilegal a prisão preventiva dos indiciados em corrupção. Mas, vamos admitir que ninguém fosse preso preventivamente, é obvio que mão haveria delações e não se descobriria essa vasta corrupção, que envolve principalmente toda cúpula do PT, e os ladrões do povo , com toda a certeza da impunidade, continuariam seus enriquecimentos através da corrupção, destruindo ainda mais o país. É isso que o Cardoso queria?

  5. Concordo com CN ao comentar sobre o evento dizendo “…uma aula de democracia”.
    Muito embora não sei porque convidar José Eduardo Cardozo!
    Que importante contribuição esse NULIDADE pode ter levado ao evento..!!??.
    Ah..!!
    Provavelmente alguma tese nova do seu mentor. ..o ilustre Tomás Turbando.
    Aha sim!
    Procede!
    Data Maxima Venia.

  6. “50% da população prisional brasileira é de presos provisórios”, disse o porquinho da Dilma. No entanto, ele foi ministro da justiça e não fez nada!

  7. Estudantes brasileiros, em Londres, vaiaram o juiz Moro!

    Estudantes de quê?!

    Custeados pelo PT?!

    Porque não posso acreditar que, de sã consciência, um bando de idiotas e imbecilizados que se denomina de “estudante” apupe o magistrado que luta para combater a corrupção!

    A menos que esses aprendizes de ladrões – os ingleses têm muito que ensinar sobre pirataria e exploração de colônias – estejam na cidade inglesa em razão do dinheiro roubado da Petrobrás, então as vaias para o magistrado!

    E aplaudir o mentiroso do Cardozo?!

    O enganador?!

    O antiético profissional do Direito?!

    Esses estudantes de meia pataca, ridículos, alienados, bem que podem ficar por Londres, não os queremos no Brasil – eu, pelo menos.

    O que poderemos esperar dessa gente bizarra, que aplaude o ladrão e vaia o honesto, ou seja, enaltece o representante legal da quadrilha petista e advogado de Dilma, e degrada aquele que está colocando em prática os anseios de um povo que não suporta mais tanta corrupção e desonestidade?!

    Certamente a matéria onde serão especialistas tem como orientação intelectual as memórias de Ronald Biggs!

  8. Bendl. Acho que estes estudantes que vaiaram o Moro, estão no lugar certo.
    Segundo historiadores sérios, o império mais “ladrão” na história da humanidade, foi o britânico.
    Diziam que os ingleses entraram pobres na Índia rica e saíram ricos de uma Índia pobre.
    Hoje, estão abandonando a União Européia justamento pela falta de oportunidade de obter vantagens.
    Estes estudantes que lá estão, continuam a ser teleguiados pelo dono da UNE, o PCdoB, partido que a muito já abandonou a ideologia de esquerda e a exemplo do PT virou uma usina de enriquecimento de políticos desonestos.
    Acho também que o Sergio Moro se expõe, ao participar destes eventos sem muito sentido, afinal ele não deve explicação a ninguém sobre suas sentenças, até porque quem não concordar com elas, que entre com recurso em instância superior.

    • Prezado Jovino,

      Tens total razão quando afirmas que Moro se expõe em eventos sem muito sentido(sic).

      Concordo plenamente que essas aparições do juiz em palestras ou debates o desgasta.

      E quanto mais pública a sua imagem é veiculada pela mídia, naturalmente as críticas dos ladrões petistas aumentam contra Moro, que deveria nessas alturas se manter mais isolado, aceitar menos convites, ainda mais para o exterior.

      E, lembraste bem, pois certamente os tais “estudantes” em Londres devem ser do PCdoB, PT, essa cambada que vocifera igualdade para o pobre, pois para esse malandros e vagabundos a vida deve ser bela, rica, opulenta, evidentemente mantida pelo povo ou patrocinada pelos roubos das estatais, onde esses partidos são os responsáveis também pelos assaltos à Petrobrás e comissões sobre obras oficiais!

      Um abraço.
      Saúde e paz.

  9. Prezado Newton:

    Em relação ao assunto_ ou melhor, a foto_ envolvendo Moro e Aécio, é preciso lembrar: mesmo que estejamos fechados com o Moro, é inaceitável, inadmissível e absolutamente perigosa aquela situação. Mais ainda: havia o Temer, também, nas fotos_ não podemos esquecer disso, jamais! Inclusive, o próprio Moro se desculpou e classificou de ” infeliz” aquele momento, não é verdade?
    Segundo a “fumaça do bom direito”, juiz deve ser neutro, ou seja, ser um magistrado. Então, democracia não se confunde com promiscuidade. Até por isso, as críticas que Moro recebeu não foram, apenas, de petistas.
    Saudações,

    Carlos Cazé.

    PS: No evento que motivou a foto, comemorava-se, também, a ” escolha ” de Michel Temer como ” homem do ano”.( !?!?!?!?). Assim, só posso recitar: ” Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém. “

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