Movimento suprapartidário contra a corrupção e pela democracia parece que está decolando.

Altamir Tojal

A primeira passeata, em 31/7, reuniu 200 pessoas. No domingo 28/8, foram 400 do Leblon a Ipanema, protestando com alegria e confiança contra a impunidade e pelo aperfeiçoamento da governança pública e da democracia. Iniciativas como esta, do Movimento 31 de Julho, estão vencendo uma grande inércia política.

Há uma multidão de pessoas complacentes com a corrupção, gente que acha que a “faxina contra a pobreza” justifica o roubo, a impunidade e a fraude política. Ignoram ou fingem ignorar que a corrupção produz miséria e conspira contra a democracia.

Há os que acreditam na propaganda do governo e os que não acreditam em nada, não lêem, não discutem, não gostam de política e sempre se lamentam depois que votam.

Há também os que não protestam porque têm medo de perder empregos, contratos, bolsas e por aí vai. Alguns obtiveram isso com esforço próprio e por direito, mas temem retaliações dos que estão no poder. E há os que se calam porque estão se beneficiando dos abusos e da corrupção.

Sem pressão da sociedade, a corrupção vai continuar, mesmo com o sai e entra de ministros e altos funcionários. A bandidagem no governo está sendo revelada porque ainda há imprensa crítica no país e porque há uma luta de vida e morte pelo poder dentro do governo. E porque as pessoas estão indo para a rua protestar.

Até agora, nada mudou de concreto no modelo que tornou epidêmica a corrupção no Brasil. Os ministros e altos funcionários são varridos dos cargos, mas continuam no poder rindo da gente e desfrutando do produto de seus atos criminosos. Por muito menos, os bandidos pobres vão para a cadeia. Bandido do poder também tem de ser julgado e preso, tanto os corrompidos como os corruptores, independentemente da sigla partidária e do tamanho da conta bancária.

Os corruptos desmoralizam a política e a democracia para continuarem no poder. Nós queremos mais democracia para tirá-los do poder. O país precisa de mudanças profundas no sistema político. Tem de aperfeiçoar o sistema eleitoral e a governança pública. E para isso, o único caminho é a pressão popular.

O movimento contra a corrupção não é um movimento contra a política e os políticos. São os corruptos que querem o povo alienado e com raiva da política. Quando o povo perde a confiança na política, os corruptos e os totalitários ficam à vontade no poder, se reproduzem e se perpetuam.

Este é um movimento contra a corrupção, mas um movimento social não faz sentido se for somente contra. É preciso ser afirmativo também. A corrupção passou a ser uma epidemia no Brasil porque o sistema eleitoral e o modelo de governança pública foram desvirtuados pelo aparelhamento de ministérios, repartições e estatais, pelo toma-lá-dá-cá. Privatizaram o governo para interesses pessoais e de seus partidos.

Para corrigir isso, é preciso mais política e mais democracia. A gente não tem resposta pronta para aperfeiçoar o sistema político. Mas a gente sabe que a resposta está na democracia.

O movimento é, portanto, contra a corrupção, mas é também pela democracia, pela liberdade de pensamento, pela liberdade de expressão e de manifestação. Por um sistema eleitoral melhor, por um sistema melhor de governança pública.

A essência de um movimento da sociedade são as pessoas na rua. É a alegria de protestar, de chatear os ladrões e vigaristas. Há uma multiplicidade de iniciativas contra a corrupção. Veja que tem uma perto de você. Participe agora para não se lamentar depois!

Este movimento tem de perseverar para crescer. O crescimento vem com a persistência.

As pessoas estão descrentes na política. Isso precisa mudar para que os corruptos deixem de mandar no país. Para que deixem de nos fazer de bobos. A persistência em manifestações pacíficas vai conquistar as pessoas que hoje estão descrentes na política e no país.

A primeira manifestação no Rio, no dia 31 de julho, teve 200 pessoas. Neste domingo, dia 28/11, foram 400 do Leblon a Ipanema, sem contar os que seguiram um ou dois quarteirões e os que aplaudiram e colaram os adesivos do movimento em suas roupas.

Um novo ato contra a corrupção está marcado para o dia 20/9, na Cinelândia. O Movimento 31 de Julho participará desta manifestação, que tem apoio organizações como a OAB e a ABI e está sendo noticiado na mídia.

O apoio de organizações e da mídia é necessário, mas não é mais importante que a mobilização popular espontânea e que a comunicação boca-a-boca, o telefonema para o amigo, o email, o facebook, o twitter e o blog. Vamos, portanto, perseverar e crescer na rua e no boca-a-boca.

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