Justiça Eleitoral de Minas suspende o indiciamento de candidatas laranjas do PSL

Charge do Amarildo (humorpolitico.com.br)

Paulo Roberto Netto
Folha

A Justiça eleitoral de Minas concedeu habeas corpus e suspendeu o indiciamento de quatro mulheres sob suspeita de terem sido candidatas ‘laranjas’ do PSL nas eleições do ano passado. O caso envolve o inquérito que apura a atuação do ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) no esquema.

A decisão partiu da 26.ª Zona Eleitoral de Belo Horizonte e beneficia Débora Gomes da Silveira, Lilian Bernardino de Almeida Marchezini, Naftali Tamar de Oliveira Neres e Camila Fernandes Rosa.

SUSPENSÃO – Todas haviam sido indiciadas pela Polícia Federal em outubro, junto de Marcelo Álvaro Antônio. No mesmo dia, as mulheres foram denunciadas no esquema pelo Ministério Público mineiro. Com a decisão, o indiciamento das quatro suspeitas fica suspenso.

A denúncia, no entanto, permanece em vigor e aguarda análise da Justiça. Se recebida a acusação, as quatro se tornam rés no processo junto com o ministro do Turismo. A defesa argumentou que a Polícia Federal ‘ultrapassou limites do razoável’ durante os depoimentos das quatro mulheres, que teriam sido ‘constrangidas’.

“COAÇÃO” – Ao serem convocadas para um segundo depoimento, elas optaram pelo silêncio e teriam sido ‘coagidas’ por policiais a admitirem crimes. Segundo a defesa, por causa desse episódio, a PF indiciou as mulheres.

“Constranger, indiciar, simplesmente porque não se viu satisfeito e porque queria arrancar a qualquer custo a confissão das quatro pacientes? Se isso não for constrangimento ilegal, eu não sei o que é”, afirmou a advogada Fernanda Lage Martins da Costa, durante audiência do caso em 29 de outubro. “Elas são obrigadas a dizer o que as autoridades policiais querem ouvir?”

LARANJAS – Segundo as investigações da Polícia Federal, o partido do presidente Jair Bolsonaro utilizou candidatas em disputas de fachada para acessar recursos de fundo eleitoral exclusivo para mulheres.

Os investigadores atribuem a Marcelo Álvaro Antônio o papel de articulador do esquema de laranjas. O ministro sempre negou com veemência conduta ilícita nas eleições.

FUNDO ELEITORAL – As mulheres teriam atuado como candidatas laranja, usadas como forma de o partido obter verbas do fundo eleitoral e preencher a cota mínima de candidaturas femininas. Elas, no entanto, não fizeram campanha e o total de voto recebido pelas quatro foi próximo de 2.100.

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