Juventude, impulsividade e direção: a perigosa atração fatal

Milton Corrêa da Costa

As constantes notícias de tragédias de trânsito e o recente depoimento do conhecido cantor sertanejo Leonardo, ao comentar em entrevista o grave acidente que envolveu seu filho Pedro Dantas, chamou a atenção: “Sempre lhe recomendei que ao final de seus shows pernoitasse na mesma localidade, não importando se fosse uma simples pousada ou um hotel cinco estrelas. Mas sabe como são esses meninos”, disse Leonardo, e o Denatran deveria aproveitar tal depoimento numa campanha educativa.

A polícia rodoviária suspeita que Pedro, que abraçou a carreira do pai e que faz dupla com o primo Thiago, filho do falecido cantor Leandro, tenha dormido ao volante quando voltava de Minas Gerais, já por volta das 7 da manhã, depois de um show na noite anterior, tendo o veículo capotado na rodovia MG-452, próximo à divisa de Goiás e Minas Gerais. Pedro estava sozinho no carro e seu estado de saúde ainda é grave e, com a força de sua juventude, os cuidados médicos e a fé de todos nós, luta para sobreviver.

Não há dúvida que os jovens, em seu período de formação social e de afirmação de personalidade, têm o perfil alicerçado na impulsividade, no desafio ao perigo, no comportamento competitivo exacerbado, na ilusão de invulnerabilidade. Muitas vezes tal perfil, transportado para o volante de um carro – quanto mais potente o veículo mais sensação de poder e falsa perícia- e quando associado ao uso de bebida alcoólica, energéticos, excesso de velocidade, manobras arriscadas, sono, cansaço, formam uma perigosa mistura explosiva, muitas vezes fatal.

Na madrugada de quarta-feira, a polícia resgatou o veículo e os corpos de quatro jovens encontrados submersos dentro do Rio Murici – o primeiro corpo havia sido resgatado horas antes junto a árvores próximas ao riacho. Os cinco universitários (duas moças e três rapazes) estavam desaparecidos há uma semana depois de saírem do Espírito Santo com destino à Bahia para uma festa de aniversário. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal de Teixeira de Freitas, ainda na Bahia.

Os dados do Seguro DPVAT (Danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre) não mentem. Somente no Estado de São Paulo, no ano passado, foram pagas 44% de indenizações por óbitos no trânsito envolvendo jovens entre 18 e 34 anos, 53% por invalidez permanente na mesma faixa etária, conforme divulgado numa recente matéria de televisão.

Com relação a motos, de acordo com o DPVAT, o número de acidentes, em menos de uma década, triplicou no país. As motos representam 30% da frota brssileira de veículos e foram responsáveis por 66% das indenizações pagas nos nove primeiros meses de 2011, envolvendo 72% de casos de invalidez permanente.

Que tais lamentáveis tragédias sirvam de exemplo para os jovens motoristas e seus acompanhantes. O carro e a moto continuam sendo armas mortíferas em mãos de condutores imprudentes, jovens ou não. Até quando?

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