Lançada a candidatura presidencial do jovem Aécio Neves. Maduro garante (?) inflação de 10 por cento. Dona Dilma, Tombini, Mantega, divergem mas aumentam juros.

Helio Fernandes

Chamar Aécio de jovem aos 53 anos, que completou agora, em março, não será despropositado? Candidatura “lançada” é uma palavra rigorosamente adequada. Isso vem desde moço. Com 40 anos, em 2000, foi presidente da Câmara. Ficou até 2002, foi governador de Minas, tido e havido como futuro presidenciável.

Reeleito em 2006, com 46 anos, diziam que o novo mandato era uma aproximação com o Planalto em 2010, mas ele não escondeu que o tempo estava passando. Passava mesmo. 2010 foi embora e a candidatura do já não tão jovem Aécio não decolou. Por quê?

As tão badaladas divergências e raras convergências com os paulistas não surgiram agora, como muitos acreditam. Quem foi o candidato presidencial do PSDB em 2010? Aécio com os seus já impacientes 50 anos (cravados) ou José Serra com esperançosos 68? Lógico, Aécio é fundador do PSDB por acaso, os paulistas são os donos.

Agora, parece que com 54 anos e 7 meses, em outubro de 2014, dá a impressão de desacreditar dele mesmo. Basta ver o que disse a amigos, no novo lançamento presidencial: “Preciso que a Marina e o Eduardo Campos sejam candidatos, para que eu chegue ao segundo turno”. Estranho e surpreendente.

Mas a necessidade das candidaturas “rivais-semelhantes”, para que chegue ao segundo turno, não são palavras lançadas (novamente a palavra que persegue o jovem presidenciável) ao vento, ditas impensadamente. Para confirmar o que falou, trabalha publicamente para que o partido (Rede) de Dona Marina tenha direito ao dinheiro do Fundo Partidário. E ao tempo “gratuito” da televisão.

De qualquer maneira, esse jovem presidenciável do segundo turno de 2014, em 2018, com 58 anos de 7 meses, poderá tentar o Planalto novamente. Dona Marina já não existirá eleitoralmente, como não existe agora, mesmo que as 500 mil pessoas imprescindíveis caiam na Rede. Só que Eduardo Campos, agora fazendo uma força enorme para sair do Nordeste, em 2018 já terá saído.

PS – Com 25 anos, Aécio foi a Moscou (ainda soviético) em 1985, bancado por Sarney, representava a Juventude, na época legítima.

PS2 – Também em 1985, Aécio foi nomeado Diretor de Loterias da Caixa Econômica. Talvez tenha surgido aí o seu prazer de apostar. Ainda terá outra aposta para 2018.

PS3 – Para não esquecer: Aécio votou pela reeleição de FHC, a pedido dele mesmo.

PS4 – Para lembrar sempre: Aécio votou pelo fim do monopólio da Petrobras. Quando Sergio Motta (então o articulador do Planalto e ministro das Comunicações) disse a ele, “FHC está interessadíssimo no fim desse monopólio”, ouviu de Aécio a resposta, “diga a ele que, no caso, voto por convicção”.

PS5 – Derrotado, FHC criou o “massacre” dos leilões, base de todos os problemas da Petrobras. Junto com os péssimos “administradores”, quase todos.

MADURO: “VOU BAIXAR
A INFLAÇÃO PARA 10%”

Isso foi dito pelo presidente interino da Venezuela, na véspera de tentar ser efetivo. Duas conclusões rápidas:

1 – Confessou que a inflação no país está em 25 por cento, como na Argentina. Números confirmados interna e externamente.

2 – É praticamente impossível conciliar essa malabarismo verbal com a “desinflação” e a “desadministração” que domina a Venezuela. Além do mais, Maduro (e mesmo Capriles) não tem credencial de administrador para cumprir a promessa.

TRÊS AFIRMAÇÕES QUE GARANTEM
A ALTA DOS JUROS, ESTA SEMANA

Tombini, presidente do Banco Central: “Não haverá concessão no combate à inflação”. Não concordo, as duas coisas não são entrelaçadas e indissoluvelmente ligadas. Mas ele tem que defender sua convicção e a “autonomia” do BC.

Mantega, ministro da Fazenda: “A inflação está caindo e vai cair ainda mais”. Não é verdade, mas tem que ser otimista. Pelo país e pelo próprio futuro, a partir de 2015.

Dona Dilma, concordo com ela numa das raras vezes: “Para conter a inflação e aumentar o crescimento, não precisa haver desemprego”. Pode ser “resultado” da conversa com o ministro da ditadura. Mas ela está c-e-r-t-í-s-s-i-m-a.

KASSAB: SEM CARÁTER
POLÍTICO E ELEITORAL

Depois de herdar 33 meses na Prefeitura der São Paulo como vice de Serra, foi reeleito. (Violência contra a língua, quem não é eleito é reeleito?). Fundou um partido se apossando do nome do PSD, o maior do Brasil, que não completou a maioridade. Criado em 1946, foi destruído pelo golpe de 64.

Fez logo uma declaração estapafúrdia e desavergonhada: “Não somos de esquerda, de centro ou de direita”. É o quê? Não tinha direito ao Fundo Partidário ou ao horário “gratuito” de televisão. Vetado pelo TRE de São Paulo, recorreu ao TSE em Brasília.

Fez um lobismo alucinado, ganhou e arregimentou muitos deputados de outros partidos. Agora trabalha intensamente para que os novos partidos não tenham dinheiro ou horário de TV. Tem medo que a Rede, de Dona Marina, e o Solidariedade, do Paulinho da Força, esvaziem seus quadros, perdão, seus bolsos.

QUEM TEM MEDO DO
MINISTÉRIO PÚBLICO?

Uma das melhores coisas da Constituição de 88 é o fortalecimento do órgão. Tem prestado grandes serviços ao país. Lógico, contrariou muita gente, assustada. E o melhor remédio, concluíram, é proibi-lo de investigar.

Apresentaram então emenda constitucional, cassando os poderes do MP. Chamá-la de “PEC da Impunidade” vai andando em velocidade de Fórmula 1. E será aprovada, nenhuma dúvida.

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