Lava Jato ainda não chegou a 1/5 do seu potencial, afirma procurador

Audiência Pública sobre o PL 4850/16, estabelece medidas contra a corrupção. Procurador da República, Dr. Deltan Dallagnol

Dallagnol diz que, no Brasil, a regra ainda é a impunidade

Deu em O Tempo

Em entrevista após sua participação na audiência pública que debate as Dez Medidas de Combate à Corrupção na Câmara dos Deputados, o procurador Diogo Castor Mattos, da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, afirmou que os investigadores ainda têm muito material para analisar e que a operação não alcançou 1/5 do seu potencial. “Acreditamos que é uma chance única que conferiu efetividade ao sistema de justiça criminal no Brasil e, por isso, ainda tem muito a avançar”, acrescentou Castor Mattos

Ainda de acordo com o Castor Mattos, a Lava Jato não corre o risco de ser anulada – como ocorreu com a Castelo de Areia, Satiagraha e Boi Barrica – devido à dimensão que a investigação tomou e pelo clamor popular que envolve toda a operação.

“Acredito que esses processos foram anulados, entre outros fatores, porque impactavam pessoas da alta classe econômica do País e porque não havia uma comoção social. Os processos foram anulados com passividade”, explicou o procurador, que ainda citou o alto grau de transparência da Lava Jato e o controle da imprensa como fatores que impossibilitam que a operação seja anulada.

“PARAÍSO DA IMPUNIDADE” – O procurador da República e coordenador da força-tarefa da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, disse hoje (9), durante audiência pública na Câmara, que apenas uma pequena parcela dos crimes de corrupção é punida no país. Em sessão de debates da Comissão Especial de Combate à Corrupção criada este ano pela Câmara, o procurador citou estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), segundo o qual apenas 3% dos corruptos brasileiros são punidos. “Vivemos um paraíso da impunidade no Brasil”, disse.

Para o procurador, o crime de corrupção no Brasil é de baixo risco e alto benefício. Ainda que haja punição, “a pena dificilmente passará de quatro anos e provavelmente será prestação de serviços à comunidade e doação de cestas básicas”, destacou Dallagnol. “Após o cumprimento de um quarto dessa pena, ela ainda pode ser perdoada”, acrescentou o procurador.

Ele destacou o caráter apartidário da corrupção, afirmando que não adianta mudar o governo na tentativa de resolver o problema. “Se queremos mudar, tem que mudar o sistema”, disse Dallagnol, para quem a Lava Jato “é uma exceção que confirma a regra”.

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