Lava Jato exige que Andrade Gutierrez revele as propinas ao governo de Aécio

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Força-tarefa agora investiga as relações entre Aécio e Azevedo

Bela Megale e Valdo Cruz
Folha

A Procuradoria-Geral da República e a força-tarefa da Lava Jato querem que a Andrade Gutierrez inclua novos delatores nos acordos de colaboração premiada e leniência (espécie de delação da pessoa jurídica) fechados no início deste ano. A razão para tanto são fatos inéditos revelados por outros delatores ou candidatos a delação envolvendo executivos e obras que não aparecem nos depoimentos dos 11 colaboradores referentes ao acordo já formalizado com a construtora.

Entre as obras citadas estão a atual sede do governo de Minas Gerais, a chamada Cidade Administrativa, projetada por Oscar Niemeyer e que custou mais de R$ 1,2 bilhão, e o Rodoanel, em São Paulo, além de empreendimentos no setor de energia.

A empresa mineira contratou uma auditoria externa para levantar informações sobre esses temas. Personagens como Sérgio Andrade, um dos donos da empreiteira, também serão procurados pelos investigadores. Segundo a Folha apurou, ele apareceu em relatos feitos aos procuradores como um dos envolvidos em negociação de propina pagas pela empresa.

FALTA O DONO – Ainda não está claro em que posição Andrade pode vir a ser chamado para colaborar, mas, se passar a integrar o acordo, será o primeiro sócio da empresa mineira a se tornar delator. Até o momento, o colaborador de mais alto calibre é Otávio Azevedo, ex-presidente do grupo.

Detalhes envolvendo a Cidade Administrativa serão revelados por um empregado da Andrade Gutierrez que não figura na delação, segundo envolvidos nas negociações com o Ministério Público Federal. A empreiteira foi comunicada em julho, dois meses após a homologação da delação, que teria de complementá-la.

Reservadamente, a construtora tem dito que informações sobre a Cidade Administrativa, concebida no governo do hoje senador Aécio Neves (PSDB), não foram questionadas na negociação da colaboração, realizada entre o fim de 2015 e o início deste ano. O tucano e o governo de Minas sempre negaram irregularidades.

PROPINAS EM MG – Como a Folha informou, empreiteiras como OAS e Odebrecht abordaram nas tratativas de acordos de delação pagamento de propina tanto para a construção da sede do governo mineiro quanto nas obras do Rodoanel.

Pessoas envolvidas na delação da empresa mineira relataram que já receberam sinalizações da Procuradoria e da força-tarefa alertando que precisarão complementar os depoimentos e que isso terá que ser feito de uma única vez.

Também informaram que fatos até então não abordados pela Andrade Gutierrez, mas que envolvem a empresa, foram revelados em negociações de outros acordos de delação, sem citar quais.

LENIÊNCIA – Além das colaborações premiadas fechadas com os 11 executivos, a empreiteira celebrou acordo de leniência de R$ 1 bilhão para ser pago em em 12 anos, o mais caro celebrado até o momento. A empresa tem como prioridade mantê-lo para que possa continuar na ativa.

Desde que foi envolvida da Lava Jato, a Andrade Gutierrez vem priorizando contratos fora do país, onde já tinha clientes consolidados. Todos os executivos que se tornaram delatores foram afastados do grupo e receberam dez anos de salários, conforme relatou a Folha em agosto.

OUTRO LADO – A Andrade Gutierrez disse, por meio de assessoria, que em seu acordo de leniência firmado com os procuradores da Lava Jato, comprometeu-se a fazer auditorias sobre vários assuntos, entre eles as obras do Rodoanel, em São Paulo, e da Cidade Administrativa, em Minas Gerais. O acordo da empreiteira foi homologado em maio.

A empresa negou qualquer possibilidade de Sérgio Andrade, um dos sócios do grupo, integrar o rol de delatores da Lava Jato. A assessoria informou que ele nunca teve função executiva no grupo e que sempre figurou apenas como acionista. A empreiteira relata ainda que até o momento não teve informações de que o dono do grupo teria sido alvo de relatos no âmbito das investigações.

O advogado responsável pelos acordos de leniência e de delação firmados pelos executivos da empresa, Celso Vilardi, não retornou contatos da reportagem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA situação de Aécio Neves é complicada, porque a Polícia Federal analisou as informações contidas em celulares de Otávio Azevedo e encontrou conversas sobre valores destinados a uma associação presidida por Andrea Neves, irmã do ex-governador Aécio, e troca de mensagens com Oswaldo Borges, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, e apontado como tesoureiro informal do tucano. (C.N.)

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