Lava-Jato manda prender ex-ministro Silas Rondeau e outros 11 pelo caso Eletronuclear

da Silva, ex presidente da Eletronuclear transferido para o RioFoto: Gustavo Miranda / Agência O Globo 11/03/2014

Othon Pinheiro da Silva era um falso “herói nacional”

Chico Otavio e Daniel Biasetto
O Globo

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) cumprem nesta quinta-feira 12 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão na operação Fiat Lux,  desdobramento das operações Radioatividade, Pripyat, Irmandade e Descontaminação, que apuram desvios de recursos em contratos da Eletronuclear. Entre os alvos de prisão está o ex-ministro das Minas e Energia Silas Rondeau, que foi presidente da Eletrobras entre 2004-2005.

Além dele, a ação mira o ex-deputado federal Aníbal Ferreira Gomes, empresários e ex-executivos da estatal investigados por lavagem de dinheiro. Rondeau foi ministro no segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2005-2007).

SEQUESTRO DE BENS – A Lava- Jato pediu também o sequestro dos bens dos envolvidos e de suas empresas pelos danos materiais e morais causados no valor de R$ 208 milhões. Os mandados foram expedidos pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio e operação é realizada nos estados do Rio de Janeiro (capital, Niterói e Petrópolis), São Paulo e no Distrito Federal.

De acordo com os investigadores, a exigência de propina teve início logo após o Almirante Othon Pinheiro chegar à presidência da estatal como “contrapartida à celebração de novos contratos e ao pagamento de valores em aberto de contratos que se encontravam em vigor.”

Os pagamentos indevidos foram feitos por meio de transferências bancárias “por dentro”, diferentemente de outros pagamentos por espÉcie nas investigações da Lava-Jato, que dificultam o rastreamento dos recursos. No caso da Fiat Lux, os colaboradores entregaram vasta prova documental com as transferências internacionais de valores para Othon Pinheiro e outros diretores da Eletronuclear.

EM OUTROS PAÍSES – O MPF sustenta ainda que parte do esquema operou com empresas sediadas no Canadá, França e Dinamarca, por isso o MPF solicitou a cooperação internacional e irá compartilhar o material da investigação com o Ministério Público destes países.

O nome da operação “Fiat lux” faz alusão à expressão latina que pode ser traduzida por “faça-se luz” ou “que haja luz”. A partir da colaboração premiada dos empresários Bruno Luz e Jorge Luz, presos na operação Blackout, realizada em 2017 pela força-tarefa da Lava-Jato no Paraná, foi elucidado o pagamento de vantagens indevidas em pelo menos seis contratos firmados pela Eletronuclear. Os recursos eram desviados por meio de subcontratação fictícia de empresas de serviços e offshores, que por sua vez distribuíam os valores entre os investigados.

Quando a denúncia do caso no Paraná foi desmembrada na operação Radioatividade, as atenções se voltaram para o Rio de Janeiro, onde foi constatado o envolvimento das empreiteiras Andrade Gutierrez e a Engevix em desvios de contratos e aditivos celebrados com a Eletronuclear para a construção da usina de Angra 3.

NÚCLEO OPERACIONAL – As investigações foram aprofundadas na operação Prypiat e Irmandade, também no Rio, mirando contratos com a Flexsystem Engenharia, Flexsystem Sistemas e VW Refrigeração e desbaratando o núcleo financeiro-operacional do esquema.

A delação de executivos da Andrade Gutierrez apontou para a criação de caixa 2 da empresa para realização dos pagamentos de propina em espécie para funcionários da Eletronuclear e um sofisticado esquema criminoso para pagamento de propina na contratação das empresas Argeplan, AF Consult Ltd e Engevix para a execução do contrato de projeto de engenharia eletromecânico 01, da Usina Nuclear de Angra 3.

A operação Descontaminação revelou a participação de políticos do MDB no desvio de recursos da Eletrobrás, por meio da indicação das empresas que deveriam ser contratadas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Lava-Jato continua, lembrando a todos a importância de Sérgio Moro, dos procuradores, dos delegados e agentes federais e dos auditores da Receita. E ainda há quem julge “inocente” o vice-almirante Othon Pinheiro, que era considerado um herói nacional, mas era mais falso do que Lula da Silva. Pinheiro se corrompeu e colocou a própria filha na parada… (C.N.)

10 thoughts on “Lava-Jato manda prender ex-ministro Silas Rondeau e outros 11 pelo caso Eletronuclear

  1. Esse foi um dos ratões que Sarney arrancou dos porões e o assentou, no ministério das Minas e Energia.
    Pelo padrinho avalia-se o apadrinhado.
    Mas, se ele ainda é leal a Zé Sarnê, com esses Tribunais Superiores que temos, exalando o puro Sarney, pode-se afirmar que Silas entrou na cadeia “dis costa”

  2. Eu ainda considero o Othon Pinheiro um herói nacional.
    E mais, considero a destruição dos projetos dele, por parte da Lava Jato, um crime de Lesa Pátria.
    A nossa, outras pátrias ficaram bem felizes.

    ” “A biografia de Othon está intimamente relacionada ao programa nuclear brasileiro. Ele é reconhecido e recebeu inúmeras homenagens por ter sido um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento de uma tecnologia para enriquecimento de urânio denominada ultracentrifugação. Isso permitiu que o país se tornasse independente por dominar toda a cadeia produtiva da energia nuclear, garantindo a construção do submarino de propulsão nuclear SN Álvaro Alberto (SN-10) e o abastecimento das usinas nucleares do país.”

    WIKI

  3. Até porque “parece” que no imaginário nacional; o $ público não pertence a ninguém.
    Como pode colocar o “Dotô” na cadeia; exclama o zé ninguém, enquanto seus filhos e vizinhos morrem por falta de saneamento básico, agua encanada entre outros quesitos mais.


  4. Sobre submarino nuclear, Olsen afirma que o projeto “entra na fase inicial do seu projeto de detalhamento, o que inclui arranjos dimensionais internos e cálculos de pesos e de deslocamento total, além de ajustes de estabilidade”. O Almirante também contou que a Marinha está desenvolvendo a capacidade de projetar e construir pequenos reatores nucleares no Brasil. “Esses reatores poderão ser utilizados tanto na propulsão de submarinos quanto em centrais nucleares para a produção de energia elétrica e dessalinização de água, em regiões não atendidas pela rede nacional de distribuição de energia”, explicou.”

    https://www.defesanet.com.br/prosub/noticia/36608/PROSUB—Marinha-Detalha-os-Proximos-Passos-para-o-Ano-de-2020/

    O sr. Othon é o pai deste projeto, quanto a água, que deve ser privatizada, aonde estão os defensores da pátria?
    Além de estarem correndo atrás de cargos.

  5. O Porta Helicópteros de MEIO BILHÃO de reais já chegou ao Iguaçu? Serviu pra que até agora? De ser pra Band filmar um Masterchef…
    Mesma coisa esses submarinos, servirão pra sumir com dinheiro do povo e, talvez, se o Paraguai coçar outra vez….
    Que vergonha, Alcântara já deve ter sido renomeada Georgetown….

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