Lava Jato terá final apoteótico, com delações da Odebrecht, da OAS e de Cunha

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Fotomontagem reproduzida do site Imprensa Viva

Carlos Newton

Parece incrível, fantástico, extraordinário, como diria nosso amigo Henrique Fróes, o célebre cantor e radialista “Almirante”. Realmente, era quase impossível acreditar que a despretensiosa Operação Lava Jato, criada a partir da investigação de lavagem de dinheiro num posto de gasolina de Brasília, pudesse chegar a esse final apoteótico, com as delações simultâneas dos empreiteiros Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro (da OAS), e do ex-deputado Eduardo Cunha.

Será um inesquecível e histórico Presente de Natal ao país, que enfim poderá saber quem são o Amigo, o Italiano, o Pós-Itália, o Careca, o Nervosinho, o Santo, o Sem Medo e tantos outros integrantes da lista do “Departamento de Propinas” da Odebrecht, que reúne mais de 300 nomes de corruptos que infestam a política brasileira. Finalmente saber-se-á até que ponto houve envolvimento de três presidentes da República – Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer. O mais antigo, Fernando Henrique Cardoso, fica para uma segunda etapa.

MAIOR MISTÉRIO – Neste início de semana, a grande novidade da Lava Jato foi o pedido que os advogados de Marcelo Odebrecht fizeram ao Supremo, para que o ministro Teori Zavascki retire de pauta o habeas corpus para libertação do empreiteiro. É a demonstração cabal de que ele enfim resolveu parar de sonegar informações e vai mesmo revelar o maior mistério da República – os nomes dos políticos e autoridades relacionados nos arquivos do Setor de Operações Estruturais, pomposa denominação do chamado “Departamento de Propinas” do conglomerado empresarial.

O estratégico setor era comandado pessoalmente por Marcelo Odebrecht. Por isso, pouquíssimos executivos da empresa tinham conhecimento dos verdadeiros nomes dos corruptos, e nem mesmo o patriarca Emilio Odebrecht, que se ofereceu para delação e já começou a depor, teve condições de decifrar essa longa lista para a força-tarefa da Lava Jato.

QUATRO DELATORES – Marcelo Odebrecht, que vinha embromando há quase um ano, enfim decidiu falar, porque seu pai já entregou o prato principal do cardápio – o ex-presidente Lula. Ao mesmo tempo, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, também jogou a toalha e vai abrir por completo seu baú da corrupção, enquanto o ex-deputado Eduardo Cunha vai se preparando para entregar seus “arquivos implacáveis”, como diria o grande jornalista João Condé, de “O Cruzeiro”.

Neste Natal, a nação será presenteada, mas quem merece parabéns são esses jovens da Polícia Federal, da Procuradoria, da Justiça Federal e da Receita, que trabalham juntos em defesa dos interesses nacionais.

CORRUPÇÃO ETERNA – É claro que a Lava Jato não conseguirá vencer a corrupção, mas não há dúvida de que representa um avanço extraordinário. Agora mesmo, acabamos de receber informações altamente preocupantes sobre o Ministério da Saúde na atual gestão de Ricardo Barros.

A Diretoria de Logística é hoje dirigida por Henrique da Cunha Mayrink, nomeado pelo ministro Barros e oriundo da iniciativa privada. É um jovem na casa dos 30 anos e veio de São Paulo. Essa Diretoria é responsável pela distribuição, em âmbito nacional, de vacinas humanas e animais; de remédios da Farmácia Popular; de medicamentos produzidos pela Fiocruz; e de preventivos do programa de prevenção a DST (doenças sexualmente transmissíveis).

As vacinas são armazenadas em um órgão do ministério chamado Cenadi – Centro Nacional de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos. A administração e a armazenagem funcionam no Rio, dentro de um estabelecimento do Exército – o 1º Depósito de Suprimentos, na rua Dr. Garnier, 390, no bairro de Triagem/Rocha. O Cenadi não paga aluguel ao Exército pelo espaço – que é grande e muito bom, além de ter segurança total. Apenas se responsabiliza pelas contas de telefone, água, luz e internet.

LICITAÇÃO SUSPEITA – Além desse grande frigorífico, o Cenadi aluga mais três instalações no Rio para armazenar as vacinas, cuja distribuição é dissociada dos demais produtos. Hoje, o custo de distribuição, para todo o Brasil, está em torno de R$ 135 milhões/ano, só das vacinas.

O diretor de Logística Henrique Mayrink está querendo fazer uma licitação para englobar a distribuição de todos os produtos, em valor superior a R$ 600 milhões/ano. Para tornar palatável a manobra, diz que as vacinas poderiam ser distribuídas pelos Correios, estimando o valor em R$ 150 milhões/ano. Portanto, a intenção do ministério da Saúde é de duplicar o atual custo da distribuição dos produtos e insumos estratégicos para todo o território brasileiro, justamente numa época de corte de despesas.

Essa denúncia ainda não foi divulgada pela mídia e precisa ser investigada, porque corrupção no setor de saúde pública, em qualquer país civilizado, merece classificação de crime hediondo.

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PSNa juventude, tive oportunidade de privar da amizade de Henrique Fróes, o Almirante, que vivia solitariamente enfurnado em seu reduto no antigo Necrotério do Rio de Janeiro, na Praça XV, onde ele guardava o maior arquivo da música brasileira, que depois foi transformado no Museu da Imagem e do Som. A nova sede do MIS, na Avenida Atlântida, deveria ter o nome dele. Mas quem se interessa? (C.N.)

13 thoughts on “Lava Jato terá final apoteótico, com delações da Odebrecht, da OAS e de Cunha

  1. Muito bom Carlos Newton, suas lembranças do Almirante. Lembro da marchinha Espanhola :

    ”Eu fui a touradas em Madrid, parará ti bum, bum bum. E quase não volto mais aqui í í, pra ver Peri í, veja Ceci, parará tibum, bum, bum. Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha , queria que eu tocasse castanhola e ”pegasse o touro a unha, unhá. Caramba, caracoles, sou do Samba, não me amole, pro Brasil eu vou fugir, ”isto é conversa mole para boi dormir’
    Que beleza, que saudades !

  2. Reunião de emergência… ???

    Henrique Alves apresentou Eduardo Cunha como referência para abrir conta na Suíça
    POR PAINEL.

    Espelho, espelho meu Investigadores da Lava Jato identificaram várias semelhanças nos procedimentos usados por Eduardo Cunha e Henrique Alves para a abertura de contas no exterior. As letras nos formulários são praticamente idênticas e, em pelo menos um dos casos, o endereço de instalação das empresas controladoras é o mesmo. Além disso, o ex-ministro do Turismo pelo PMDB cita Cunha como referência na papelada das contas. Há relatos de que o mesmo gerente realizou as operações.

    Outro lado “Henrique Eduardo Alves é inocente. Este advogado, todavia, entende ser deselegante com a Justiça que sua defesa seja, antes de sua primeira manifestação nos autos, apresentada na imprensa”, diz Marcelo Leal.

    Cúpula Renan Calheiros pedirá formalmente a Michel Temer uma “reunião de emergência” com os chefes dos três Poderes. Quer discutir a ação da PF que prendeu policiais legislativos e outros casos em que vê abuso.

  3. Enquanto todo mundo está com os olhos voltados apenas para a PEC da Miséria, estão engendrando algo tão ruim quanto, que é a ditadura partidária através do voto em lista fechada.
    Por esse ditatorial sistema os primeiros a serem eleitos serão os primeiros colocados em uma lista já fornecida pelos partidos. Assim as nefastas figuras de sempre se perpetuarão no poder, sem contar com o que irá custar, por exemplo, ser o segundo na lista dos Tiriricas da vida;.

  4. Cármen Lúcia, na abertura da sessão de hoje no CNJ, também exigiu “respeito” ao Judiciário por parte do Legislativo e Executivo:

    “Queremos não, exigimos o mesmo e igual respeito para que a gente tenha democracia fundada nos princípios constitucionais, nos valores que nortearam não apenas a formulação, mas a prática dessa Constituição.”
    ( Carmem Lúcia ).

  5. Ou Temer se impõe e bota ordem na bagunça ou vai ser tido como um frouxo pelo povo. Que ele aprove a tal PEC do teto e mande chumbo – é a sua última oportunidade na vida de se fazer lembrado no futuro.

  6. Caro editor da TI, jornalista CN,
    Muito oportuna a lembrança da nova sede do MIS , na av Atlântica. A obra iniciada pelo Cabralzinho em 2008, até hoje não foi concluída.
    Caberia, muito justamente, uma CPI na ALERJ para apurar o custo dessa interminável obra.

  7. CN. boa lembrança do Almirante e o programa Incrível, Fantástico e Extraordinário, se não me falha a memória, contava casos sobrenaturais de fantasmas, em que as crianças ficavam coladas no rádio se borrando de medo, mas a curiosidade era maior que o medo.
    Quando a rede de corrupção que atingiu todos os setores da vida pública durante o governo petista, a Lava Jato tem a grande oportunidade de passar o Brasil a limpo, coisa que nenhum presidente teria, por mais honesto que fosse. É necessário que o executivo e legislativo faça sua parte acabando com o foro privilegiado.e reeleição, como primeiro passo, para que no futuro não tenhamos o dessabor de necessitar de outra Lava Jato.

  8. Admito que já havia esquecido do Almirante. Um pecado e tanto.
    Mas, como dizem, a fila tem de andar…
    O texto do Mediador, impecável.
    Só espero não estar na companhia do Almirante, chateado, ambos ainda aguardando o desfecho do que está por vir…
    Daí, faço coro com a opinião do comentarista gessé:
    “…apoteótico é um termo bem carnavalesco e carioca…sugiro um tsunami, que felizmente não os temos na orla marítima, mas aqui vai atingir o ápice…”

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