Legado da Copa e da Olimpíada: servidor sem 13º e com apenas 7 salários em 2017

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Charge do Sinfrônio (reprodução do Arquivo Google)

Nelson Lima Neto
Jornal Extra

O secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, conversou com o Extra sobre as alternativas que o governo tem hoje diante da crise que levou o estado à calamidade pública. Ele torce para que os projetos de lei enviados à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) ofereçam recursos contra o caos e, reconhece que o governo errou ao tratar das isenções fiscais para empresas.

Sobre os últimos meses de 2016, Barbosa afirmou não ter previsão de receitas extras — a multa repassada pela União, como parte da Lei de Repatriação para recursos ilegais que estavam no exterior, por exemplo, terá um impacto de “apenas” R$ 88 milhões nas contas do Rio, caso seja repassada ainda em dezembro. Isso, nem de longe, pagará o 13º salário dos servidores, como era esperado (folha em torno de R$ 2 bilhões).

Todas as ações já estão se antecipando ao estouro do limite de gastos com pessoal?
Olha, existe uma grande possibilidade de que o governo descumpra a Lei de Responsabilidade Fiscal já em janeiro. As medidas enviadas atacam diretamente as despesas com pessoal. Hoje, quando o Tesouro estadual compensa os gastos com a Previdência (incluindo as do Legislativo e do Judiciário), os valores são contabilizados como despesas com pessoal. Atacamos esse problema com o aumento da contribuição à Previdência. Buscamos o congelamento dos triênios, o congelamento dos salários. Cortamos secretarias, cargos e comissões.

Se as leis não forem aprovadas, ou não surtirem efeitos, o jeito será demitir servidores?

A reprovação ou a aprovação das lei não condiciona demissões. Tudo o que enviamos à Alerj, ou foi feito por decreto, visa à economia. A ordem dada pelo governador (Luiz Fernando Pezão) é que não podemos ter demissões. Não é isso que vai resolver o problema.

Qual o efeito para os próximos meses, caso receitas e despesas continuem as mesmas?
Se não fizermos nada, não se pagará mais os servidores em dia. Se nada for revisto, não há essa possibilidade daqui para frente. Ao anunciarmos o pacote, mostramos uma (projeção de) curva do Orçamento com sua aprovação. Se fosse aprovado integralmente, a recuperação seria imediata. Do contrário, demoraria mais. Se nada for feito, vamos terminar 2018 com um déficit de R$ 52 bilhões.

Hoje, qual a grande aposta do governo do Rio para aumentar sua receita a curto prazo?
Não temos uma grande aposta. Hoje, no curto prazo, não há na
da para acontecer. Já executamos as receitas extraordinárias possíveis, como os fundos que já vendemos, as conversas sobre a Dívida Ativa (tentativa de vender os débitos a receber por um valor menor, para fazer caixa, deixando para o comprador a obrigação de cobrar os devedores) e a antecipação de receitas dos royalties (receber, agora, receitas futuras da produção de petróleo). Depois disso, as alternativas se esgotam. Mandamos as medidas para a Alerj, e elas mesmas não terão efeito imediato. Somente o corte de secretarias, de cargos e comissões. Sobre o restante, nós teremos de esperar a validade das leis.

Os Poderes Judiciário e Legislativo reclamam que o Executivo não abre previsões de pagamento. Falta clareza?
Eu considero o governo transparente. Quando não temos recursos, dizemos que não temos. Hoje, por exemplo, eu não prometo pagar o 13º salário do funcionalismo.

A falta de previsão sobre o 13º salário afeta os Poderes?
Ainda estou pagando o salário de outubro e minha próxima preocupação é o duodécimo (parcela constitucional que o Executivo deve ao Judiciário e ao Legislativo para pagar salários e custeio) de novembro.

O governo é pouco transparante quanto às isenções fiscais concedidas a empresas?
Como secretário de Fazenda, sou favorável ao benefício (isenção de impostos). Se não fizermos, outros farão e receberão as empresas (em seus estados, com a promessa de gerar empregos e renda). Falhamos ao não comunicar adequadamente o que são os benefícios. Isso será feito nos próximos dias à Justiça, e tornaremos públicas as informações.

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NOTA DA REDAÇÃO BLOG
É da maior importância essa entrevista, enviada pelo engenheiro Robert Silva. Demonstra qual foi realmente o grande legado da Copa e da Olimpíada, muito ao contrário do que foi previsto e exaltado entusiasticamente pela grande mídia. O “renovado” Maracanã não serve mais para nada, as “arenas” olímpicas estão abandonadas, em meio ao caos anunciado pela irresponsabilidade de Lula da Silva, Sérgio Cabral e Eduardo Paes. Enquanto isso, em Roma, uma prefeita de verdade desiste de sediar a Olimpíada, em respeito aos legítimos interesses do povo romano. (C.N.) 

9 thoughts on “Legado da Copa e da Olimpíada: servidor sem 13º e com apenas 7 salários em 2017

  1. Cada povo tem o governo que merece. Não vai demorar muito e o LADRAVAZ vai estar livre, leve e solto, para se eleger a algum cargo político e ficar sob a égide da imunidade, digo, impunidade parlamentar. Alguém duvida disso?

  2. Como sempre, a nota da redação do blog faz um resumo dos comentários bem esclarecedor.
    Sem dúvida, os responsáveis pela desgraça do Rio de Janeiro foram: Lula, Dilma, Sérgio Cabral.e Eduardo Paes. Todos eles perdulários, sem condições de sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, quiseram dar uma de país rico, sem pensar no futuro do pais, Estados e Municípios.
    A bondade, que fizeram com as joalherias, casas de massagens e outras, com as isenções fiscais, que se beneficiaram, deveriam agora, em contrapartida serem taxadas com um percentual E, não me venham com essa conversa de que se não desse as isenções fiscais, as empresas iriam para outros Estados. Então basta as empresas: joalherias e casas de massagens ameaçar, que vai para outro Estado, que recebe correndo isenções fiscais.
    A bela transparência desse governo é: não tenho dinheiro para pagar.

  3. Cadê o código de ética da OABosta ?

    Os escritórios de advocacia Sergio Bermudes e Pinheiro Neto eram contratados da Oi. Depois que a operadora entrou em recuperação judicial, ambos agora trabalham para credores da empresa.

  4. Aposentados, onde me incluo, e pensionistas do Tribunal de Justiça do RJ estão sem receber o pagamento de novembro, o qual só foi pago 40 % para os serventuários da ativa.

    Todavia, toda a categoria estar sem aumento em 2015 e 2016, sendo este um dos motivos pelos quais os serventuários estão em greve desde o dia 26 de outubro.

    Quanto ao pagamento do13º salário deste ano, acho que nem o desgovernador Pezão
    enquanto não for para cadeia, dirá quando sairá.

    Outrossim, há quem diga que,os magistrados também estão na mesma situação. Será verdade?

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