Leonel Brizola estava certo ao denunciar a urna eletrônica

Charge de Mariano (reprodução Charge Online)

Carlos Newton

O PSDB tinha vergonha de se manifestar contra a urna eletrônica à brasileira, porque o sistema foi criado e implantado no governo de Fernando Henrique Cardoso. Outros países também utilizam esse método de aferição e contagem de votos, mas com uma diferença básica, pois suas urnas eletrônicas possibilitam que os votos, em caso de dúvida, sejam conferidos e recontados, enquanto a urna à brasileira, apelidada de jabuticaba, sempre foi blindada, tornando impossível saber quem havia votado em quem.

Leonel Brizola sempre esteve à frente desta luta cívica, que acabou sendo vitoriosa na quarta-feira, quando o Congresso conseguiu derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff à proposta de retomar o voto impresso nas eleições.

Desta vez, o PSDB deixou a vergonha de lado e também defendeu a mudança na legislação eleitoral, para estabelecer que, assegurado o sigilo, o voto impresso será depositado de forma automática em uma urna lacrada, após a confirmação do eleitor de que o papel corresponde às suas escolhas na urna eletrônica, como já acontece em outros países.

SEM RECONTAGEM

Recordar é viver. Na última eleição, o Tribunal Superior Eleitoral, presidido pelo ministro petista Dias Toffoli, inventou mais uma novidade – a contagem secreta, numa sala fechada, sem acesso até os demais ministros do TSE, vejam que situação absurda e inaceitável. Além da apuração nacional ter sido secreta, também a apuração do segundo turno em Minas Gerais foi mantida sob sigilo, por determinação de Toffoli. E o resultado todos sabem: o candidato tucano Aécio Neves vinha na frente, mas no final foi ultrapassado pela petista Dilma Rousseff, que teria conseguido justamente a maioria dos votos dos mineiros, uma tremenda e estranha coincidência.

Revoltado, o PSDB pediu para fazer uma auditoria da eleição e o TSE aceitou. Mas o resultado foi decepcionante, porque comprovou que a eleição era blindada, sem a menor hipótese de recontagem. Na época, sugerimos aqui na Tribuna da Internet que o PSDB contratasse uma empresa de informática que trabalha na Bolsa de Valores para investigar manipulação no pregão das ações. Essa auditoria é feita através de algoritmos e poderia ser viável também no controle da evolução da contagem dos votos. Era a única maneira de fazer uma auditagem eletrônica, mas o PSDB não se interessou.

GOVERNO LUTOU CONTRA…

A urna jabuticaba foi criada pelos tucanos, mas agora quem a defendeu ardorosamente, até o fim, foram os petistas e aliados. O Congresso, reconheça-se, tinha feito seu dever ao aprovar o projeto do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) criando o controle na urna eletrônica e restabelecendo a possibilidade da recontagem de votos. Mas a presidente Dilma Rousseff, estranhamente, vetou exatamente esse dispositivo saneador e moralizador, mostrando não aceitar a transparência do sistema eleitoral.

Agora, mostrando que ainda há políticos em Brasília, o Congresso Nacional derruba o veto presidencial e presta uma homenagem indireta ao líder trabalhista Leonel Brizola, que jamais aceitou a blindagem das eleições brasileiras, as únicas do mundo em que não havia hipótese de recontagem.

###
PS O presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, considerou o voto impresso como “um passo atrás”. Perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado ou trocar de assunto. 

36 thoughts on “Leonel Brizola estava certo ao denunciar a urna eletrônica

  1. Caro Editor Carlos Newton:

    O fato lembrado por você é emblemático. Próximo das 17:00h, os comentaristas da Globo News já comemoravam a vitória de Aécio, bom dia Merval Pereira e até noticiaram a ida em avião fretado para Minas partindo de São Paulo, com os três mosqueteiros da sigla, FHC, SERRA e Alkimim para comemorar com o tucano a vitória nas urnas. Eis que a roda da fortuna começou a mudar e as urnas começaram a computar a disparada de Dilma. Precisava ver a cara de espanto dos jornalistas, simplesmente patético. Poucas vezes vi na televisão cena tão surreal como a daquele dia.

    Um abraço.

      • Por tudo que já li sobre urnas eletrônicas, a manipulação começou quando da contratação da empresa Smartmatic, empresa que fraudou eleições em vários países e foi expulsa dos EUA por tentar fraudar as eleições de Chicago. Especialistas que usaram a Lei Newcomb Benfort para detectar fraudes, constataram que até 2010 não detectaram fraudes. Em 2012 em SP e 2014 as fraudes foram gritantes. Mais informações procure os hangouts do Procurador Hugo Hoechl e de Gilson da Silva Paula.

  2. Vamos torcer para que esta “Lei Brizola” pegue mesmo, de fato, pois o Ministro já falou que em 2016 fica muito em cima e é melhor para 2018, até lá …

    Viva o Brasil, Viva Brizola, Viva o Voto Impresso (é tão importante que eu penso: o eleitor deveria ficar com uma cópia e guardar, colocando o outro comprovante na urna). isto significa, não confiamos no sistema.

  3. Brizola sempre teve razão, meios de comunicação não queriam que fosse presidente do Brasil, exceção TV MANCHETE, sempre se posicionou com lisura, mas a rede globo tudo fez para que não ele não almejasse a presidência do país, isto é notório, todos sabem que esta emissora fez para barrar qualquer possibilidade de Brizola vir a governar o Brasil, daria certo, não sei, mas que melhoria a educação deste país isto tenho certeza.

  4. É verdadeiro o texto do Carlos Newton. Só quem defende a urna jabuticaba e não quer o voto impresso é quem está mal intencionado. Dá tempo de sobra para preparar as urnas com voto impresso para as eleições
    de 2016, dependendo de boa vontade e vontade política, mas não o farão, pelo fato do PT sem a urna jabuticaba correr o risco de eleger poucos Prefeitos e Vereadores e, se duvidar nem em 2018 teremos as urnas com voto
    impresso. Nesse governo, as coisas mais absurdas viram realidade.

  5. Dia 28 próximo será realizado o Conclave de São Paulo e lá serão explicitados detalhes de como foi realizada a fraude nas urnas. A contratação da empresa Smartmatic sem licitação pelo Sr Dias Toffoli, empresa que fraudou eleições em vários países. A descoberta do programa Inserator sem assinatura vinculado ao código fonte das urnas, a prova da fraude através da Lei Newcomb Benfort. Dias Toffoli deveria ser processado, o PT extinto e o mandato da Sra Dilma cassado. Este Conclave tem que ser divulgado. Estas eleições foram uma vergonha. Somente olhando o resultado minuto a minuto da apuração, se percebe a fraude. Em eleições apertadas como foi essa, há oscilações, ora um candidato obtém mais votos num minuto, ora outro. Aconteceu que Aécio ganhou os 84 primeiros minutos, abrindo 6.7 milhões de votos de diferença e depois perdeu todos os minutos até o fim da apuração. Isso não existe. E a imprensa foi conivente com isso. A fraude saltava aos olhos.

  6. Carlos Newton,

    lembro apenas a situação vivida por Evaristo Carvalho, então candidato a deputado estadual, no dia da eleição, aqui no Rio de Janeiro: votou nele mesmo e apareceu o retrato de outro candidato na tela do computador !

  7. O Brasil é um pais em franca modernização. Antigamente se dizia que “tinha gato na tuba”. Agora, em
    tempos de internet, pode se dizer que tem”gato na urna”, que por ser “chiquérrima”, é eletrônica.
    Por que sera que países já desenvolvidos, ainda usam cédulas de papel, sera por amor a tradição?

  8. É só verificarmos o cenário político brasileiro para constatarmos quanto coisa Brizola tinha razão ! Daquilo que falava, e fazia, a verdade mais eloquente proclamada por Brizola diz respeito à educação. Não fosse o programa dos CIEPS interrompido pela estupidez, mediocridade e burrice expostas e materializada na figura abjeta de um elemento que responde pelo nome de Moreira Franco – o nada – e hoje estaríamos colhendo belos e edificantes novos tempos no quesito cidadania.

  9. É engraçado quando vejo a citação do ex Governador Leonel Brizola, por pessoas que são a favor de golpe, coisa que ele era inteiramente contrário independente de qualquer situação, é só lembrar do impeachment do Color , que ele se colocou contra e ainda tem alguns menos informados, que acham que ele se “aliou” ao presidente.
    Com relação as urnas eletrônicas, como diz a matéria, é mais uma “pérola que foi inventada no governo do FHC, assim com a CPMF, a “Lei do Petróleo”, a Lei 9478/97, entre outras.
    Não conheço nenhum eleitor ou político do PSDB, em São Paulo, que tenha reclamado das urnas eletrônicas nos últimos 20 anos, engraçado.
    Para os “Brizolistas” de ocasião, devo lembrar, que se vivo, estaria sim cobrando do governo atual ou de qualquer outro, da forma enfática e nacionalista como sempre cobrou, Mas, na hora das urnas, obviamente, como sempre se posicionou, jamais ficaria do lado de qualquer partido que tenha o golpe, como forma de chegar ao poder.

  10. Em setembro, a presidente Dilma Rousseff sancionou uma lei que vetava o voto impresso na urna eletrônica. Era uma pena, pois isso pode ser bastante útil em suspeitas de fraude. Felizmente, o Congresso Nacional decidiu derrubar o veto.

    Para derrubar um veto presidencial, é necessário que a Câmara e o Senado tomem a mesma decisão nesse sentido. Foi o que aconteceu: nesta quarta-feira (18), 368 deputados votaram a favor da derrubada (50 ficaram contra), e 56 senadores apoiaram a medida (5 ficaram contra).

    COMO FUNCIONA

    Como explicamos por aqui, o voto continuará a ser feito pela urna eletrônica, mas será impresso um recibo que fica em uma urna física lacrada.

    Funciona assim: você insere seu voto na urna eletrônica, e uma impressora ao lado mostra em quem você votou. Se os dados não baterem, você avisa ao mesário para que ele tome providências. Se tudo estiver OK, é só confirmar e ir embora.

    Você não leva um comprovante para casa, nem mesmo tem acesso ao papel impresso (o que evita compra de votos). A lei deixa isso claro: “a urna imprimirá o registro de cada votação, que será depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado… será garantido o total sigilo do voto”.

    A impressão de votos é importante para auditorias: a Justiça Eleitoral pode comparar os votos da urna eletrônica e da urna física, em caso de suspeita de fraude. É mais difícil corromper dois meios de votação – impresso e eletrônico – do que um só.

    O experimento de 2002

    O Congresso discute a inclusão do registro impresso há quase duas décadas. Na verdade, o Brasil já testou a impressão de votos nas eleições de 2002 com o equipamento acima. Na época, sob pressão do Senado, o TSE implementou um teste em algumas seções eleitorais com urnas que imprimem votos. Foram adquiridas mais de 70 mil impressoras.

    No entanto, o projeto não deu certo. O professor de ciência da computação Pedro Antonio Dourado de Rezende, da Universidade de Brasília, explica:

    … o edital exigia um lacre de papel na greta por onde sai o papel que passava pelo espaço em que o eleitor enxergava o voto impresso. Mas no manual que foi preparado para as empresas… não se falava na retirada do lacre. Então, quem percebeu que o lacre iria engastalhar papel, tirou; quem seguiu as instruções ao pé da letra, deixou….

    Além disso, a propaganda feita não instruiu os eleitores a votarem na urna com impressão de voto. Na urna normal, o eleitor vota em todos os candidatos e aperta “confirma”. Na urna com impressão, o eleitor precisa confirmar o voto eletrônico e, depois de verificado o voto impresso, confirmar novamente. Mas nenhuma propaganda dizia isso.

    O que o eleitor fazia? Ia para urna votar, confirmava uma única vez e ia embora. E o que o mesário tinha que fazer? Esperar dois minutos para a máquina dar timeout e cuspir o voto impresso do eleitor que não confirmou duas vezes. Logo, ao invés de o eleitor levar um minuto para votar, a votação levou em média três minutos. Isso gerou filas enormes nas seções que tinham voto impresso.

    Críticas

    Será que desta vez vai dar certo? Como nota o Convergência Digital, a medida só deve ser adotada a partir de 2018, pois falta menos de um ano para as eleições municipais de 2016. Mesmo assim, o governo não gostou nem um pouco disso.

    O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) diz que a impressão de votos terá um impacto de R$ 1,8 bilhão, envolvendo a aquisição de equipamentos, adaptação de sistemas, entre outros.

    O senador José Pimentel (PT-CE), líder do governo no Congresso, disse que “nós não temos condições de investir R$ 1,8 bilhão em programação e nas urnas para imprimir as cédulas”. E Humberto Costa, líder do PT no Senado, afirmou que “esse projeto é inconstitucional, aliado ao custo adicional que isso vai promover”.

    Enquanto isso, a advogada Maria Aparecida Cortiz diz ao Convergência Digital que “o voto impresso está na Constituição, seria uma desfaçatez uma nova suspensão disso”. Ela faz parte do Cmind (Conselho Multidisciplinar Independente), ONG que defende maior transparência do governo.

    O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também defendeu a emissão de recibo: “hoje, pesquisas mostram que oito em cada 10 eleitores acham positivo que numa eventualidade, determinada por juiz eleitoral, possa haver a conferência dos votos”.

    O PSDB obteve autorização do TSE para realizar uma auditoria no resultado das eleições presidenciais do ano passado. O relatório final, divulgado em outubro, diz que não houve fraude – mas que o sistema de voto eletrônico “não permite a plena auditagem”. Por isso, o partido sugeriu que o tribunal faça alterações no sistema de votação, incluindo adotar o voto impresso.

    Fonte: http://www.msn.com/pt-br/noticias/ciencia-e-tecnologia/como-funciona-o-voto-impresso-na-urna-eletr%c3%b4nica-que-teremos-nas-elei%c3%a7%c3%b5es-de-2018/ar-BBncvXl?ocid=spartandhp

  11. A aprovação do voto impresso próximas eleições foi uma vitória da democracia. O que vimos na apuração das eleições para presidente da República em 2014 foi uma fraude. Contagem secreta de votos presidida por um petista de carteirinha, sem nenhuma possibilidade de fiscalização, com sistema de apuração desenvolvido por uma empresa venezuelana e sem possibilidade de recontagem, não deixam dúvidas de que houve uma manobra bolivariana no Brasil.

  12. Não sei não. Mas algo me diz que em toda eleição o perdedor vai pedir essa contagem dos votos de papel. Na prática, vai tornar o resultado eletrônico apenas uma prévia. E haja custo para se contar manualmente mais de 100 milhões de votos. E isso vai acontecer em todas eleições.

    • Quando existir dúvidas se faz uma contagem por amostragem. Se na amostragem for constatado divergência aí se faz a contagem total.
      É melhor gastar mais e ter um resultado baseado no desejo do eleitor ou é melhor deixar menos caro (já é cara a eleição) e elegermos mafiosos que fraudaram as urnas eletrônicas através da informática em desacordo com a vontade da população?

      • Quer o arquivo jpeg ? Falo em gerar impressos visando a colocar em dúvida a própria urna, como se o que lá estivesse ou o que ela tivesse produzido é que seria falso. Entendeu, Vossa Anteza, ou ainda precisa do arquivo jpeg ?

      • Um dos mandamentos dos MAV-PT é tergiversar e falar de forma ininteligível quando tem seus argumentos destruídos por absoluta falta de nexo.
        Outro mandamento é xingar tentando desorganizar a conversa levando para um terreno onde agressões fascistas causam o fim do debate perdido.

        • MAV, não: antissemita full, ou seja, sou contra o que os descendentes de Sem (árabes e judeus) fazem de mal no mundo.

          De professor para aluno: sabendo de antemão como os dados serão produzidos, alguém (ou alguma organização) pode, após os papéis serem retirados da urna, provocar um defeito no hardware da máquina (para não ser possível a recuperação) e apresentar seus impressos como se verdadeiros fossem. Quem não ver nexo de causalidade em um crime do tipo está obrigado a recorrer às figuras.

          • Acalme-se, vai tomar uma tubaína e comer um sanduichinho de “mortandela”.
            Seu argumento te convenceu? Então é isso aí, bom menino…você conseguiu, parabéns. Viu como você é ixpertu?

  13. Assim esclareço minha dúvida em outro artigo sobre voto de cabresto.
    Penso que mesmo com aumento de custos (em nosso país se gasta tanto e tão mal com coisas desnecessárias), a possibilidade de recontagem é viável.
    Mesmo transformando a eleição digital em uma mera prévia, ao longo dos anos, o processo poderia se aperfeiçoar, garantindo que o resultado das urnas fosse equiparado ao do papel.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *