Levy e Barbosa confessam fracasso do projeto original

A verdade é que o ajuste planejado pelo dois é um fracasso total

Pedro do Coutto

Na entrevista em que anunciaram que a presidente Dilma Rousseff enviará ao Congresso novo projeto de lei reduzindo as metas fiscais (reportagem de Martha Beck e Geralda Doca, O Globo, edição de quinta-feira), os ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa, está claro, implicitamente, confessaram o fracasso do projeto original contendo as emendas aprovadas e nele colocadas pelo Legislativo. Evidente, uma vez que o corte nas despesas previsto em 1,2% do PIB foi diminuído para apenas 0,15%.

Aliás, diga-se de passagem, surge a impressão que o montante atribuído ao Produto Interno Bruto está inflado, quanto ao 0,15% do PIB? Aproximadamente, 6 trilhões de reais. Mas no ano passado, ele estava em torno de 5,5 trilhões de reais, de acordo com o Banco Central. Em um ano teria saltado para 6 trilhões? Como, se a economia desacelerou? Os próprios Joaquim Levy e Nelson Barbosa afirmaram, ao revelar o novo projeto de ajuste, que a previsão das receitas caiu 46,7 bilhões e a referente às despesas perdeu para a realidade: estas subiram 11,4 bilhões.

Portanto se a economia se retraiu, consequência direta do baixo consumo, de que forma o Produto Interno Bruto pode ter se elevado? Impossível.

DÍVIDA BRUTA

E, por falar em dívida bruta, disseram, ela deverá terminar o mandato da presidente Dilma Rousseff na escala de 66% do PIB. Dois terços. E se o Produto Interno, hoje, está em torno de 6 trilhões de reais, fechará 2018 em aproximadamente 3 trilhões e 600 bilhões. ApliqueM-se 13,75% ao ano (taxa Selic) em cima de tal montante e teremos um pagamento anual de juros da ordem de, pelo menos, 670 bilhões. Assim, é difícil acreditar nas afirmações dos ministros da Fazenda e do Planejamento de que o equilíbrio destina-se a reduzir o montante da dívida bruta do país. O corte projetado não é suficiente para pagar sequer 10% dos juros. Como se Pode afirmar que o projeto é diminuir o endividamento? Uma farsa. Total. Mais uma teoria, só no papel, mas que não possui correspondência na prática dos fatos.

Outra contradição: se o endividamento previsto para 2018 atinge 66% do PIB do Brasil, a tendência inevitável será o aumento dos desembolsos com juros, os quais, impossíveis de pagar (o orçamento federal para 2015 é de 2,9 trilhões) irão sendo capitalizados e, com isso, funcionando para, isso sim, ampliar o estoque da dívida. Aliás, como vem acontecendo há muito tempo. É só fazer as contas. Claramente e não envolvê-las na penumbra de cálculos sofisticados que, para dizer o mínimo, servem para inebriar a verdade concreta da questão.

SUPERAR AS METAS

Nosso objetivo é trabalhar para superar essas metas, afirmou Joaquim Levy. Logo a frase admite que tais metas devem ser superadas. Portanto se o limite não é suficiente, estabeleça-se outro limite. Na teoria. Porque a própria teoria, na prática, é outra coisa. Da mesma forma que o adjetivo não pode eliminar o substantivo, as intenções não podem se antecipar dos resultados.

“A gente não está mudando de rumo – afirmou Joaquim Levy -. Estamos ajustando as velas porque o tempo mudou”. Mudou o tempo, mudou o vento, digo eu, mudaram portanto os caminhos e, com eles, os propósitos. Assim como Fez Fernando Henrique Cardoso ao assumir a presidência : “Esqueçam tudo que escrevi, disse”. O conteúdo da fr4ase aplica-se igualmente a Dilma Rousseff. Depois da reeleição.

5 thoughts on “Levy e Barbosa confessam fracasso do projeto original

  1. O grande e experiente Sr. PEDRO DO COUTTO, no artigo acima, analisa com grande rigor o trabalho do Ministro da fazenda LEVY, e do Ministro do Planejamento BARBOSA, na recente “correção de Rumos” do Ajuste Fiscal em marcha.
    O Ajuste Fiscal original previa um corte das Despesas Orçamentárias de +- R$ 70 Bi, aumento de Receitas, etc, tudo resultando em um Superavit Primário de 1,2% do PIB (então calculado pelo velho critério do FMI, em R$ 5.500 Bi) o que daria R$ 66 Bi. Visto o aprofundamento da Recessão, o DESEMPREGO está aumentando mais do que o esperado, a ARRECADAÇÃO esperada para 2015 está abaixo do previsto em R$ 46,6 Bi, e a DESPESA para 2015 está acima do previsto em R$ 11.3 Bi, tudo resultando numa falta de R$ 58 Bi, etc, os Ministros calibraram um novo corte nas despesas do Orçamento de R$ 8,6 Bi, e reduziram o Superavit Fiscal 2015, para 0,15% do PIB, (agora calculado pelo IBGE segundo novos critérios do FMI que considera antigas Despesas como em Educação, em Investimento, etc, resultando PIB 2015 em R$ 6.000 Bi mesmo com estimados 1,5% de Contração) o que resultaria num Superavit Fiscal de 0,15 % de R$ 6.000 Bi = R$ 9 Bi.
    Considera-se normal, dentro de uma Democracia Representativa, essas Correções de Rumo, melhor dizendo, adaptação do Plano à realidade no Terreno.
    O verdadeiro Teste para os Ministros LEVY e BARBOSA, é não perderem o “Grau de Investimento” dado pelas Agências de Rating Internacionais. Abrs.

  2. Está correto o que disse o Sr. Bortolotto de que o maior teste para o Min. Joaquim Levy é fazer o Brasil se manter como país com grau de investimento pelas agências de avaliação de risco internacionais.

    Quanto ao Sr. Barbosa, eu o vejo como um contraponto ao Sr. Levy, propositalmente ali colocado pelo PT em função de sua ideologia e conservadorismo, amador e irresponsável.

    O artigo do Sr. Pedro avalia com nitidez os desencontros do governo na sua tentativa de adotar uma política de austeridade fiscal, caminho antagônico ao que tomou nos primeiros quatro anos de total relaxamento fiscal dado pelo excesso de gastos públicos sobre o montante das receitas.

    Dois são os problemas enfrentados pela equipe econômica na tentativa de gerar Superávit Primário ou economia de recursos para pagar os serviços da dívida pública: 1. a desaceleração da economia com o respectivo impacto sobre a arrecadação; e, 2. manutenção de uma máquina administrativa ainda obesa com insuficiente corte de despesas correntes, ou de manutenção.

    Traduzindo isso podemos dizer que a manutenção do tamanho da máquina pública e de seus trinta e nove ministérios é insustentável para o volume de recursos que a economia brasileira é capaz de gerar. O fisiologismo petista, o aparelhamento público, a expansão de órgãos, secretarias, departamentos e a multiplicação de agentes públicos dentro da estrutura estatal estão consumido todos os recursos oriundos da tributação somados com os montantes gerados pela emissão da dívida pública para sua rolagem.

    Em outras palavras o Estado está insolvente dado o seu tamanho, o tamanho de seus gastos. O PT tornou o Estado brasileiro inviável, e não há tentativa de ajuste fiscal – mantendo a atual estrutura da máquina pública – que vá fazer o milagre de gerar economia de receitas. Não vai, impossível!

    Portanto, podemos afirmar que o Sr. Joaquim Levy foi colocado no posto de Ministro da Economia por uma pressão do setor financeiro (credores), mas que na prática, sem que se diminua a estrutura da máquina pública com seus atuais trinta e nove ministérios, a política fiscal em nada mudará em relação aos primeiros quatro anos do governo Dilma. Pelo que podemos afirmar que a crise econômica se estenderá para muito além do seu segundo mandato.

    E o que está ficando cada vez mais claro é justamente a má vontade do atual governo em criar condições de recuperação econômica para o próximo governo, uma vez que o ônus político da situação atual fatalmente levará à derrota o grupo político atual.

    Não há intenção alguma, por parte deste governo, de transferir condições de governabilidade para qualquer outro grupo político no futuro; e o brasileiro já está pagando por isso.

    Quanto ao PIB, a expressão nominal do volume de produtos e serviços gerados pelo país num determinado exercício, deve ser submetido ao efeito inflacionário para se chegar ao resultado real de grandeza econômica. Sendo assim, mesmo que em 2015 o PIB ultrapasse a marca dos R$5,5 trilhões gerados em 2014, o crescimento negativo ficará visível com a aplicação do desconto do efeito inflacionário. O volume de dinheiro circulando este ano está aumentando em relação ao ano passado, mas, lembremos do efeito inflacionário em que eu preciso de mais dinheiro para refletir o valor da mesma coisa em relação ao tempo passado; a mesma coisa em relação ao PIB que é expresso na moeda inflacionada.

    PIB de 2014…………………………………………………….R$5,521 trilhões

    PIB anualizado até maio de 2015……………………..R$5,660 trilhões

    Se olharmos o PIB de maio de 2015, anualizado, veremos que em volume já é superior ao PIB do ano anterior, de 2014.

    Se aplicarmos a correção inflacionária, entretanto, deflacionando o volume do Produto Interno Bruto em relação à inflação do período (de janeiro a maio de 2015) temos o valor real do PIB anualizado em maio de 2015: R$5,660 trilhões dividido pela inflação do período (5,34%) é igual a um PIB real de R$5,373 trilhões.

    Calculando: R$5,660/1,0534 = R$5,373.

    Então o volume do PIB cresce por efeito inflacionário e não pelo crescimento real da economia. Na verdade o crescimento é negativo, é recessão.

  3. Dá gosto ler os artigos sempre brilhantes e COMPREENSIVOS do grande Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, e Comentários como os do Sr. WAGNER PIRES e Dr. JOSÉ CARLOS WERNECK, etc.
    Suspeita o arguto Sr. WAGNER PIRES de que o ministro do Planejamento Sr. NELSON BARBOSA (heterodoxo) tenha sido colocado pelo PT, para fazer contra-ponto a Política Econômica mais ortodoxa do Ministro da Fazenda Sr. JOAQUIM LEVY. Que o atual Governo PT-Base Aliada agora esfarrapada, não tem interesse em “fazer completamente o Dever de Casa conforme receita do Sr. JOAQUIM LEVY”, porque isto deixaria o atual Governo ainda mais impopular do que já está, e com isto daria segura vitória para a OPOSIÇÃO em 2018.

    Só que a Presidenta DILMA sabe que se não obedecer o script dado pelos “PODERES”, provavelmente recapitulados em sua recente viagem aos EUA, será Impeachada. Tanto mais que semana passada em Nova York, nosso Vice-Presidente MICHEL TEMER declarou que “concorrerá a Presidência pelo PMDB em 2018, e, em sendo eleito, seu Ministro da Fazenda seria o Sr. JOAQUIM LEVY. Não há recado mais direto. A Presidenta DILMA, independente do que pensa o PT, ou mesmo o Presidente LULA, “tem que fazer o Dever de Casa passado pelo Prof. Dr. JOAQUIM LEVY”. Abrs.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *