Lewandowski estava se saindo bem, mas acabou manchando a biografia

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Lewandowski deveria ter deixado o plenário decidir

Carlos Newton

Não é fácil ser presidente do Supremo Tribunal Federal, embora na análise dos processos possa contar com assessores de altíssimo conhecimento jurídico. Qualquer erro se transforma numa mácula, fica registrado para sempre. No caso de Ricardo Lewandowski, o ministro vinha conduzindo muito bem o processo do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

DESPIU A TOGA – Na sessão final, quarta-feira, tudo mudou, porque ele surpreendentemente despiu a toga de magistrado e vestiu a camisa do time do PT. O resultado foi catastrófico e constará para sempre em sua biografia.

Conforme já explicamos aqui na “Tribuna da Internet”, não se tratou de uma petição apresentada na última hora, que pegasse de surpresa o presidente da Mesa Diretora e os senadores. Todos tiveram conhecimento prévio do teor da apresentação do destaque da bancada do PT e puderam se preparar para decidir a questão, inclusive o próprio Lewandowski.

Na sessão de quarta-feira, os textos contra e favor estavam adredemente preparados e estudados pelos senadores, a ponto de alguns deles até se manifestarem de improviso, com muita precisão, como ocorreu com o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima.

GRANDE ERRO – Na véspera da sessão, Lewandowski cometeu o maior erro de sua carreira, ao determinar que sua assessoria selecionasse argumentos jurídicos capazes de justificar que se colocasse em votação o destaque do PT. A isso se chama agir de forma facciosa. Se estivesse procedendo como magistrado, teria solicitado que os assessores orientassem sobre a forma correta de se posicionar em relação ao requerimento, ao invés de pedir que o municiassem apenas com argumentos destinados a aprovar o pedido de votação fatiada.

Foi impressionante a quantidade de papéis passados a Lewandowski por sua principal assistente, a advogada Fabiane Duarte, que se tornou a Musa do Impeachment. Os argumentos estavam esmeradamente separados e organizados, com citações da Constituição, da Lei do Impeachment, do Regimento do Senado, da jurisprudência do caso Collor e até do Regimento da Câmara, na busca desesperada de justificar o injustificável. Foi impressionante o esmero da assessoria de Lewandowski para atender sua ordem.

Mas acontece que a tese era flagrantemente errada, não se pode descumprir um preceito constitucional pela vontade de apenas um terço dos senadores. É uma obviedade ululante que não passaria despercebida nem mesmo à cabra vadia do nosso colega Nelson Rodrigues. Mas Lewandowski insistiu.

DECISÃO PATÉTICA – Agindo solitária e autoritariamente, no afã de beneficiar a presidente Dilma, Lewandowski colocou logo em votação o destaque, sem perceber que estaria favorecendo também Eduardo Cunha e todos os políticos corruptos deste dilapidado país (no caso, devemos conceder ao presidente do Supremo o famoso “benefício da dúvida”, não é possível aceitar que tenha agido propositadamente, pois isso teria sido um suicídio profissional).

Lewandowski foi audacioso, porque não somente decidiu colocar logo em votação o destaque do PT, mas inventou na hora, sem a menor base legal, que o pedido seria aprovado com apoio de apenas um terço dos votos dos senadores. Foi a maior mancada de sua vida.

Se estivesse agindo como um magistrado, sua determinação seria a de permitir que o próprio plenário decidisse se o destaque do PT deveria ser votado ou não. E exigido maioria absoluta.

CURRÍCULO – Se Lewandowski tivesse consultado o plenário, ao invés de inventar uma decisão, com sua banca de presidente do Supremo, a ridícula “inovação constitucional” do PT (na verdade, uma armação de Renan & Cia, para acalmar e calar Eduardo Cunha) teria sido derrubada por 42 votos, justamente a maioria absoluta do Senado. Ou seja, o destaque nem teria ido à votação.

E assim Lewandowski, que está para se aposentar, poderia completar seu currículo com fecho de ouro, pois até então sua postura ao conduzir o processo do impeachment tinha sido de um grande magistrado. Mas ele preferiu fazer tudo errado e agora sua biografia estará manchada para sempre pela jabuticaba jurídica que cultivou no jardim do Senado .

16 thoughts on “Lewandowski estava se saindo bem, mas acabou manchando a biografia

  1. Ora caro jornalista.

    PILANTRAS, COMO RENAM E LEWANDOWSKI ESTÃO LÁ PREOCUPADOS COM BIOGRAFIAS.

    Eles se interessam apenas em tirar proveito, naquele momento.
    O resto que se exploda, como dizia um personagem da TV.

  2. Não foi só agora que esse ministro manchou a biografia.No tempo do mensalão, esse cara de fuinha, fez de tudo para salvar Zé Dirceu e companhia.Ele e outros ministros que rezam pela cartilha do PT,e apaniguados.

  3. Com a mostruosidade cometida contra a Constituíção, pode-se pedir o impeachment do Presidente do Supremo e do Senado? E os militares, podem entrar com uma ação de inconstitucionalidade no Supremo?

  4. Lewandowski, não agiu de má fé ou premeditadamente para beneficiar Dilma. O que pode ter sabido por Renan (que tendo combinado com Termer preparou uma armadilha) é que o PT deveria apresentar um destaque. Quanto a quantidade de papéis passados a Lewandowski isso é normal. Errado seria que não tivesse lido para que todos soubessem o que já teria sido abordado sobre o assunto. O que verdadeiramente influenciou a votaçã foi o voto de Renan. Motivo de toda essa jogada de Temer, Renan usando Katia, inclusive mostrando um livro de Temer abordando o assunto (resta saber se escreveu o livro com essa finalidade pressionado por Cunha): Beneficiar Cunha, Renan, Jucá e outros criminosos. NB. Acho que os jornalistas da “Folha” leem o Blog da Tribuna na Internet. Escrevemos aqui e eles coincidentemente no outro dia parafraseiam o que se escreve.

    • Exatamente, amigo Aquino. Daqui a pouco vamos publicar a Folha e o Estadão confirmando nossas denúncias. Quanto a Lewandowski, estava informado a respeito por Kátia Abreu desde a segunda-feira da semana passada, dia 22.

      Abs,

      CN

  5. A preocupação da totalidade da classe política nacional é apenas uma, que a Dilma não seja presa e por consequência, do jeito que é destrambelhada,
    faça uma delação premiada e conte tudo, tim tim por tim tim, seria uma erupção vulcânica pliniana.
    soterraria Brasilia , assim como o Vesúvio soterrou Herculano e Pompeia.

  6. Caro newton, assino em baixo de teu artigo e dos demais comentaristas, que a juiza- ministra honre sua consciência, com os mandatos de segurança, aceitando-os em beneficio da nação, que recebeu mais uma punhalada de quem deveria honrar a srª justiça.
    O ricardo com essa atitude, corrompe o stf, cabe a seus pares, honrar a justiça, tornando nula esse “crime de lesa-pátria.
    Tenho um fio de esperança, com a nova presidente que irá assumir agora em setembro, de fazer que a justiça faça justiça, que deus a ilumine para o bem de nosso povo trabalhador, que está à sangrar, suar, pelo pão de cada dia,
    Que Deus nos ajude, estou com 87 anos, nunca assisti a tanta podridão.

  7. Ricardo Lewandowski foi indicado para o STF pelo dono de um restaurante fuleiro localizado em São Bernardo/SP, amigo de Lula, especializado em “galetos”. E Lula nomeou, pois a “notória especialização em direito” foi atestada pelo dono do restaurante. “Galeto” é FRANGO. E assim o STF foi transformado no prato “SUPREMO DE FRANGO”. Faz sentido. (História ouvida ontem em um botequim “pé sujo” na Lapa, Rio de Janeiro/RJ)

  8. Caro Newton

    Para eliminar as duvidas nada como o testemunho de um dos seus autores. Esta matéria feita pelo Polibio Braga, blog muito respeitado aqui no RS, não deixa dúvidas sobre a armação com a participação previa do Ministro do STF. È a entrevista da senadora Katia Abreu à Radio Gaucha hoje de manha.
    Acho que vale a pena aprofundar

    Grande abraço e parabens pelo trabalho

    Saiba como PT, Lewandowski e Renan tramaram a salvação dos direitos políticos de Dilma

    CLIQUE AQUI para ouvir e ver discurso de Pedro Simon, no qual descreve a falta de caráter de Renan Calheiros.

    Nesta entrevista que a senadora Kátia Abreu, PMDB, concedeu esta manhã para a Rádio Gaúcha, RBS, ao responder a uma pergunta direta da jornalista Carolina Bahia, fica bem claro que o requerimento que o PT protocolou para pedir o fatiamento do julgamento de Dilma Roussef, já era do conhecimento antecipado do presidente Ricardo Lewandowsky e do senador Renan Calheiros.

    “Eu estive com o ministro e com o senador, dias antes do julgamento, avisando que apresentaríamos o requerimento”, declarou Kátia Abreu.

    A senadora usou o plural porque referia-se ao PT. A bancada do PT foi quem apresentou inesperadamente o requerimento, pouco antes da votação do impeachment, o que levou Lewandowski a decidir pelo esquartejamento.

    Kátia Abreu nega que o ministro e o senador tenham orientado a bancada do PT na confecção do requerimento, mas a entrevista joga luzes inesperadas e inéditas sobre a manobra. Lewandowsky e Renan sabiam tudo antes da sessão, calaram-se sobre ela e até demonstraram certa “surpresa” quando o PT protocolou o requerimento.

    O próprio discurso da senadora, apelando para a situação de “miserabilidade” de Dilma, tentando compadecer seus colegas, fez parte da encenação.
    http://polibiobraga.blogspot.com.br/2016/09/saiba-como-pt-lewandowski-e-renan.html

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