Líder do governo abre o jogo sobre os funcionários-fantasmas da Câmara: Lupi é igual aos outros

Jorgina Gonçalves

Para defender o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que foi funcionário-fantasma da Câmara por seis anos, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), fez uma patética confissão: disse que a maioria dos funcionários dos deputados “jamais pisou” na Câmara. Como se sabe ocupava um CNE (Cargo de Natureza Especial), e pelas regras da Câmara, ocupantes dessas vagas precisam trabalhar nos gabinetes em Brasília.

Dessa forma, sem aparecer na Câmara, Lupi recebeu entre 2000 e 2006 o maior salário pago a um assessor técnico na liderança do PDT na Câmara, enquanto cumpria apenas atividades partidárias e morava no Rio de Janeiro. Isso contraria as normas da Casa. Vários jornais ouviram assessores, deputados e ex-parlamentares do PDT, e funcionários do partido em Brasília, que pediram para não ser identificados, e todos confirmaram que Lupi não aparecia no gabinete da Câmara e se dedicava exclusivamente a tarefas partidárias.

Detalhe: Vaccarezza está mais do que à vontade para defender Lupi, porque, de abril até novembro de 1996, quando ocupava o posto de secretário-geral do PT, o hoje líder do governo foi funcionário-fantasma da Câmara Municipal de São Paulo, lotado no gabinete do vereador malufista Brasil Vita, então no PPB. E Vaccarezza só deixou o cargo após a imprensa revelar o caso. Médico da prefeitura, o hoje líder se negava a trabalhar no PAS (Plano de Atendimento à Saúde), criado por Paulo Maluf. Mas, num acordo inusitado, foi comissionado no gabinete de um malufista e só ia lá para assinar o ponto, vejam a que ponto chegamos.

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