Líder do governo tinha de ser escolhido pessoalmente por Michel Temer

André Moura, o líder,  tem um currículo comprometedor

Pedro do Coutto

Reportagem de Isabel Braga e Simo0ne Iglésias, O Globo, edição de quinta-feira, revela que o presidente Michel Temer considerou-se obrigado a aceitar a indicação do deputado André Moura para líder do governo, em consequência da manifestação expressa no voto que predominou entre as legendas que, na Câmara, formam a base de apoio ao Palácio do Planalto. Foi um erro. Sobretudo porque – acentua a matéria – André Moura é acusado em três processos que se encontram no Supremo.

André Moura, do PSC de Sergipe teve o apoio de Eduardo Cunha. Este é mais um aspecto da questão. Porém, o essencial é que o posto de líder do governo deve ser preenchido por escolha expressa do presidente da República. Afinal, o líder do governo é a voz do presidente da República na Casa. Sua escolha não pode constituir tarefa delegada aos partidos. Por indicação dos partidos, isso sim, deve ser escolhido o líder da maioria parlamentar.

Pode ocorrer o caso de o líder da maioria ser também o líder do governo. Mas as funções não devem se confundir na sua origem e no seu fim. Tanto assim que a escolha do líder do governo antecede a seleção da liderança da maioria.

HÁ DIFERENÇAS

A diferença de atribuições é flagrante. O líder do governo destaca o posicionamento do Executivo diante das questões colocadas em pauta e as respostas que têm de ser dadas rebatendo ataques da oposição. O líder da maioria traduz o denominador comum das correntes em torno da sustentação política do governo.

Essas posições podem não ser absolutamente coincidentes. Mas, seja como for, o pensamento do Executivo fica assinalado através das palavras de seu líder. Daí porque existem as lideranças do governo e da maioria. Esta inclusive pode variar. Aquela não. Será sempre individual.

NA ERA JK

Assim foi, por exemplo, durante a administração supereficiente do presidente Juscelino Kubitschek. A liderança do governo começou com o deputado José Maria Alkmin (era de Minas, nada a ver com o atual governador de São Paulo). Nomeado Alkmin ministro da Fazenda, JK escolheu Vieira de Melo, um dos grandes oradores parlamentares de uma época brilhante que parece não voltar mais. Vieira de Melo, derrotado em 58 para o governo da Bahia, o presidente da República escalou Armando Falcão. Nomeado Falcão para ministro da Justiça, JK escolheu Abelardo Jurema. Nos dois primeiros anos do período, Ulisses Guimarães presidiu a Câmara Federal. Foi sucedido por Ranieri Mazzili. Mas esta é outra questão.

O fato é que o líder do governo foi sempre escolhido diretamente pelo presidente da República. Não houve qualquer contestação.

PLANO DE GOVERNO

Não houve contestação também em relação ao plano de governo. Sabem por quê? Porque o programa de metas partia de um projeto integrado no qual cabiam todas as correntes políticas do país. JK destacava sempre como fundamental a formação de um denominador comum que abrangesse a grande maioria das tendências e vontades nacionais. Homem extremamente competente, dono de um otimismo contagiante e animador, seu projeto levou o debate econômico para as ruas. Orgulhava-se disso, como afirmou em entrevista a Wilson Figueiredo, Carlos Chagas e a mim, no final d seu governo, janeiro de 61, na antiga TV-Rio que não mais existe.

Agora no episódio da indicação do deputado Moura, ficou nítida a existência de uma sombra em volta do presidente Michel Temer. Não conseguiu, ele mesmo, impor sua vontade. Foi um erro. Grave.

17 thoughts on “Líder do governo tinha de ser escolhido pessoalmente por Michel Temer

  1. Que bom, Pedro, ler o que você escreve sobre JK. As características pessoais dele, me parece, passaram para o povo naqueles idos. Foi uma época sem igual com o ‘pé de valsa’ que tirava os sapatos sob a mesa, que voava de qualquer jeito e a qualquer hora. Um homem entusiasmado, determinado, bem humorado, médico, OTIMISTA de sorriso largo. Tantas eram as qualidades que pareciam não caber em um homem só.

    Em 1961 eu ia fazer 15 anos. Mas meu pai, minha família, todos mineiros (eu nasci no RJ), sentiam imenso orgulho do conterrâneo das Minas Gerais.

    Lembro até hoje daquele tempo em que o rádio era o senhor das notícias e anunciava pouco a pouco a votação de Juscelino para presidente sob os auspícios, que palavra! (royalties para o jornalista Hélio Fernandes), do Mate Leão.

    Durante a campanha, JK esteve em um clube na rua onde eu morava. Meu pai e meu irmão (mais velho que eu) foram lá apertar as mãos dele. Todo mundo usava terno, você sabe. Era o ‘uniforme’ do meu pai, de manhã à noite. Ele adorava um terno.

    Do otimismo de JK, de sua determinação e do seu entusiasmo era o que precisávamos agora para incendiar a nação de esperança e realizações.

    Naqueles tempos, cinco anos no poder. Que passava para outro. JK tinha planos de voltar ao governo. O destino aziago não quis. Não é de hoje que torcem contra o Brasil, país grande onde todos falam a mesma língua graças aos portugueses que cortaram nossas terras de norte a sul, de leste a oeste.

    Precisávamos falar a mesma língua também em atos, atitudes e desejos de oferecer ao povo o que JK sonhou para ele. Sonho que não precisa ter ido embora com o ex-presidente. Infelizmente, os acontecimentos nos mostram a falta de homens que pensem grande como Juscelino e aqueles que o cercaram, para fazer o Brasil e os brasileiros prosperarem em paz como merecem.

  2. Caro Pedro do Coutto … bom dia!

    Tenho comentado que quem DISPõE sobre TODOS os assuntos da União é o Legislativo … é constitucional desde 1967 e mantido na Emenda de 1969 … e perenizado na CIDADÃ de 1988 … é consagração dos ideais de TODAS as Revoluções de equilibrar o poder dos opressores com o dos oprimidos

  3. Para a atual governança pátria, parece que curriculun é dispensável. Já, folha corrida não.
    É a nova maneira de escolher os “melhores” para
    o governo.
    Mudaram apenas as moscas, o resto continua igual.

  4. O JK não era todo esse ” democrata ” que se diz. Ele mandou tirar do ar o programa do Millôr, na TV Rio , pois o Millôr comentou : ” Depois de voltar de suas férias de 6 meses pela a Europa, a Dona Sarah recebeu a medalha do mérito do trabalho…

  5. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, ele mesmo mata a charada quando escreveu: “Pode ocorrer o caso de o Líder da Maioria ser também o Líder do Governo”. Foi o que ocorreu. O ainda Presidente interino TEMER escolheu o mesmo Deputado Federal ANDRÉ MOURA ( PSC-SE) para Líder do Governo e Maioria, provavelmente para manter a Maioria extremamente UNIDA. A tarefa que a Maioria tem pela frente é gigantesca. Tem que aprovar “as REFORMAS”, todas elas implicando “Corte de Gastos e AUMENTO de Arrecadação”, para recuperar a CONFIANÇA dos Investidores/Poupadores totalmente perdida no Governo DILMA II, e assim tirar o Brasil da Recessão/Desemprego.
    O líder da Minoria é o Dep. Fed. JOSÉ GUIMARÃES ( PT-CE ), que passou de Líder da Maioria para Minoria.
    Depois, cada Partido tem um Líder da sua Bancada.

  6. O governinho Temer é um chiqueiro. Vejam os seus pilares de apoio, um deles e um dos principais, Renan, já embarcou no 13.º inquérito, um alma honesta 2.0 impecável..,.

  7. Tamberlini,o presidente mudou,mas não o Brasil e muito menos o Congresso.
    Temer , por quem não tenho a menor simpatia, montou uma excelente equipe econômica que sabe o que fazer , mas que , para trabalhar , depende do Legislativo.Essa fauna que está aí.
    Fazer o quê?
    Acabou a fantasia , o dinheiro sumiu e na real, o governo tem que PRIORIZAR. No meu entender a realidade deveria ser um local onde todos tivessem emprego e pudessem comer , aos domingos , um churrasquinho. A prioridade é botar urgentemente na mesa brasileira mais do que macarrão com ovo.E olhe lá.
    Os homens de terno têm que cuidar da economia, amigo.
    Senão…

    • Essa ótima equipe econômica é sempre liderada pelas raposas, o moleque de recados do Banco de Boston somado ao Itaú… Estou mais para o Fallavena auditoria de tudo nos últimos 30 anos…. Quem sabe se o que estamos pagando é certo. Determinada vez um amigo que era diretor do UNIBANCO me disse que o controle da Receita e do BC sobre a arrecadação da CPMF erra pífio.
      Essa mesma equipe econômica fez que nem vê o roubo descarado que os bancos fazem do depósito compulsório sobre os depósitos a vista.
      Essa mesma equipe nem tocou no assunto de ira atrás da horda de sonegadores, que em 2015 sonegaram mais de R$ 420 bilhões.
      Arrancar de pobre é mais fácil.

  8. Prezada Sra. OFÉLIA,
    Nós perdoamos TUDO, TUDO, ao dinâmico Presidente JUSCELINO KUBITSCHEK (PSD-MG). Mas ele foi barra-pesada.
    O grande Presidente GETÚLIO VARGAS era ( Desenvolvimentista – Nacionalista – Estatista).
    Nós da UDN LACERDISTA, éramos ( Desenvolvimentista – Nacionalista – Iniciativa Privada com Matriz no Brasil).
    O dinâmico Presidente JUSCELINO KUBITSCHECK era ( Desenvolvimentista – Desenvolvimentista – Desenvolvimentista).

    A presidenta DILMA está sendo Impeachada por “Pedalar – transformar Deficit em Superavit fazendo o Dpto. do Tesouro emprestar Dinheiro diretamente dos Bancos Públicos). Mas JK sim que sabia “Pedalar”. Aquilo é que era “Pedalar”.Há 3/4 do seu Governo, JK teve que ir ao FMI, tentou de todas as maneiras “jogar o seu charme para cima do FMI ( Banqueiros)” que não se impressionaram nem um pouco, e rápido JK os expulsou do Brasil, colocou o Dr. JOSÉ MARIA ALKMIN (PSD-MG) como Ministro da Fazenda, e aí, HÍPER-PEDALOU até o fim do seu Governo.
    Mas como em Economia “Não tem Almoço Grátis”, seu sucessor Presid. JÂNIO QUADROS ( PTN-SP na verdade SEM PARTIDO)
    logo “teve” que fechar o ‘”Acordo com o FMI”, dessa vez não pode expulsá-los, e enfrentar a inevitável Recessão/Baixa do Padrão de Vida.
    JÃNIO, inteligente como era pensou: se tenho que perder no mínimo 4 anos para “endireitar a cangalha”, 5 anos é muito pouco e vou dar um GOLPE para ficar no mínimo 15 anos no Governo. Só que esqueceu de combinar com o POVO, este não entendeu a jogada, e Jânio depois de 6 meses “Renunciou”, e como o POVO não veio às Ruas para “exigir” sua volta, foi para Londres-UK. Seu sucessor, o Presidente JOÃO GOULART ( PTB-RS) herdou toda essa situação, e em vez de PACIFICAR, PACIFICAR, AGITOU e no fim HÍPER-AGITOU, acabando por ser deposto em 31 de Março de 1964.

    Depois do grande Governo de CARLOS LACERDA (UDN-RJ) ( 5/12/1960 a 5/12/1965) no Estado da Guanabara- antigo Distrito Federal, nós não tínhamos dúvida, era muito melhor para a Presidência do Brasil, um CARLOS LACERDA que era um ” JK COM OS PÉS NO CHÃO”, do que um JK autêntico.
    Abrs.

    • Sim, Bortolotto. Juscelino emitiu papel moeda para terminar Brasília. Foi um sonho caro, que ele realizou: 50 anos em 5. Não botou no bolso, que eu saiba, porque segundo li, talvez no falecido Zózimo, não lembro mais, até quadros famosos foram vendidos pela família após a morte dele.

      Não sei o que houve em relação ao Millôr, conheço a história faz tempo. Mas Juca Chaves cantou sua modinha livremente e não sei de outro caso que tenha sido coibido pelo governo JK.

      Lacerda também era honesto e muito brilhante. Fez excelente governo na Guanabara. Lembro de meu pai ter parado o carro para eu recolher um quadradinho prateado (papel alumínio?) jogado dos céus, que festejava nosso quarto centenário.Acho que o tenho até hoje. Foi uma coisa linda e à noite.

      Pena que JK e Lacerda só tivessem se unido para formar a Frente Ampla, quando tudo já estava perdido para a democracia de então. Teria sido uma dupla imbatível, embora ambos quisessem ser presidentes. Lamento muito que Lacerda não tenha conseguido realizar seu sonho. Ele, de fato, merecia.

      Podaram nossos líderes.

      Uma vez, no meu aniversário, ganhei um livreto chamado O Brasilino. Falava das multinacionais que acreditávamos produtos nacionais.

      Minha mãe teve tanto medo, tanto medo, que enquanto não sumiu com o livrinho não sossegou. E também telefonou para um namoradinho que havia estudado na Nacional de Direito para pedir a ele que não fosse ao meu encontro no Teatro Municipal, como havíamos combinado.
      Alegou que eu estava noiva e eu não estava, tinha outro namorado com o qual acabei me casando.

      Não o traí. Contei pra ele, pedi um tempo.

      Talvez Deus tenha agido certo e ela também porque vivi tempos felizes e tive com o namorado um filho que amo muito.

      O advogado era apenas ‘viciado’ em política, não um comunista. Mas, na época, quem acreditaria?

      O Brasil já sofreu muito. Muito. E nos fez sofrer a todos. Está na hora de darmos as mãos para construir, enfim, o país que Juscelino, Lacerda e Getúlio, cada um a seu modo, sonharam.

      Getúlio anda mal parado. A Petrobras e o petróleo ainda são nossos, mas por quanto tempo?
      E o que dizer da CLT?
      Abraços

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