Líder empresarial denuncia “desindustrialização silenciosa”

Pastoriza afirma que a crise mais grave é a do setor industrial

Claudia Rolli
Folha

Depois de perder 25 mil empregos no primeiro semestre e sem previsão de novas encomendas para o ano, as indústrias de máquinas devem fechar ainda mais vagas até 2015 acabar, quando esse número pode dobrar. A previsão é do engenheiro Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, associação que representa 1.535 empresas filiadas, que foi para a rua nesta quinta-feira, acompanhado de trabalhadores representados por três centrais sindicais, em uma manifestação em defesa da indústria e do emprego.

Além da crise econômica, ele diz que o setor de máquinas e a indústria de transformação sofrem os efeitos de uma desindustrialização “silenciosa”. Sem resolver os juros “pornográficos”, o sistema tributário complexo, “com o viés de facilitar a importação”, e um patamar de câmbio adequado, Pastoriza acredita que o país não terá condições de sair da crise.

Confira os principais pontos da entrevista dele.

DIFICULDADES DO SETOR

“O setor de máquinas é que mais sofre na indústria de transformação porque máquina é investimento para quem compra. E a primeira coisa que empresário faz, em época de insegurança e crise, é cortar investimento. Este é o terceiro ano consecutivo de queda real de produção e faturamento. Somados, significa um tombo de 30%, um terço disso só neste ano. Até segmentos que vão relativamente bem, como o de maquinário agrícola, cancelaram pedidos e vão esperar. Na hora que se faz isso, a crise se materializa: sai da cabeça do empresário e vai para o mundo real. Afora a falta de investimento privado e público, que afeta o setor industrial, há oito anos convivemos com o chamado ‘tripé do mal’.”

TRIPÉ DO MAL

“Temos juros pornográficos, os mais altos do planeta, que afetam os custos e, portanto a competitividade, do produto. Nosso sistema tributário, além de complexo, é perverso, burro e irracional, porque penaliza mais quem fabrica no Brasil do quem importa de lá de fora. Ele não permite que uma fabricante de máquinas se credite de insumos indiretos, por exemplo. Uma peça que vai na máquina gera um crédito que posso compensar [na hora de pagar imposto], mas não posso debitar a cândida que uso para lavar o chão da fábrica. Juntos esses resíduos tributáveis que não compensáveis têm impacto de 7% no preço de uma máquina fabricada aqui. Só pelo fato de fabricar aqui pago mais caro que meu concorrente importado, só com esses resíduos. O terceiro ponto é o câmbio desequilibrado. O custo Brasil chegou a bater em 43% dois anos atrás. Mesmo com a alta do dólar, ainda é 25% mais caro produzir a máquina aqui, se compararmos mesma tecnologia e maquinário, com o que se faz na Alemanha ou nos EUA. O falecido ministro Mario Henrique Simonsen dizia: juro alto aleija uma empresa, mas o câmbio alto mata. A indústria está sendo aleijada e morta há pelo menos oito anos.”

DESINDUSTRIALIZAÇÃO MASCARADA

“O Brasil passa por uma desindustrialização silenciosa, mascarada. Não vemos o fechamento em massa das fábricas, mas as indústrias silenciosamente deixam de ser fabricantes para virarem montadoras e, em seguida, importadoras. Fazem isso de uma forma maquiada. Por exemplo, o eletrônico vem acabado da China, a empresa tira a placa do produto xingue-lingue e coloca a de fabricado no Brasil, com uma marca conhecida. Perde o consumidor, perde o trabalhador, perde o país. A empresa faz isso porque quebraria se continuasse produzindo aqui. Isso está disseminado em vários segmentos, de eletrônicos, linha branca, brinquedos, instrumentos musicais a outros. Enquanto isso ocorre, o emprego vai sendo dizimado na indústria. Além desse movimento, a criação de vagas no Brasil ocorreu nos últimos anos em setores de baixo valor agregado, como o de serviços, comércio, que não geraram riqueza ao país. Sofremos as consequências disso tudo.”

18 thoughts on “Líder empresarial denuncia “desindustrialização silenciosa”

    • Sr. PC,

      Este jornal, Epoch Times é um jornal de um bando de tarados dos Estados Unidos, que só enxerga horrores do comunismo por toda parte, chegando a ser risível, como o texto que vou descrever abaixo. Não merece a mínima credibilidade, e convido a todos os comentaristas que tiverem paciência para isso, para lerem os ridículos, embora bem escritos, artigos do Epoch Times. O site deste jornal porco e de extrema-direita delirante é http://www.epochtimes.com.br É um jornal de tarados de direita radical internacional e é editado em vária línguas, inclusive o português, para falar bizarrices como esta que vai abaixo e que qualquer um de bom senso verá que é mentira:

      Ling / Epoch Times)
      O sistema médico-militar chinês utiliza há décadas órgãos de prisioneiros executados em transplantes de órgãos. Sempre se suspeitou que, em alguns casos, a extração do órgão foi realizada enquanto a vítima ainda estava viva para, assim, assegurar que o órgão tivesse máxima qualidade.

      O relato a seguir é uma recente entrevista dada pelo sr. Wang ao jornal Epoch Times, editada por questões de brevidade e clareza, e com a adição de subtítulos. Segue o relato:

      Aconteceu na década de 1990. Eu era um médico estagiando no departamento de urologia do Hospital Geral Militar de Shenyang, na província de Liaoning. Certo dia, o hospital recebeu um telefonema da Região Militar de Shenyang requisitando imediatamente uma equipe médica para uma missão militar.

      De tarde, o diretor de minha divisão médica começou a convocar pessoas para essa missão. Seis funcionários do Hospital foram convocados: dois enfermeiros, três médicos e eu.

      Foi-nos dito para que não nos comunicassemos com o mundo exterior até que a missão estivesse concluída e isso incluía ligar para familiares e amigos.

      Fomos transportados em uma van modificada. Veículos militares escoltaram-nos; senti que íamos bastante rápido. As janelas da van foram cobertas com panos azuis para que não pudéssemos ver para onde estavam nós levando.

      Chegamos a um lugar cercado de montanhas onde havia vários soldados. Um oficial militar recebeu-nos; através dele ficamos sabendo que estávamos numa prisão militar perto da cidade de Dalian.

      A extração de um rim de uma pessoa viva

      Na manhã seguinte, depois que uma das enfermeiras, acompanhada de dois soldados, ter tirado amostras de sangue de uma pessoa, fomos chamados para entrar na van. Paramos num lugar desconhecido; soldados armados cercaram a van.

      Em seguida, quatro soldados carregaram um homem até a van e colocaram-no sobre um saco plástico preto de cerca de dois metros de comprimento.

      Os pés desse homem estavam fortemente amarrados com algum tipo de fio bem fino, mas bastante resistente. O fio estava fortemente amarrado ao redor do pescoço, que sangrava, e daí ia até os braços amarrados nas costas e aos pés. Isso impedia que a pessoa pudesse se mecher.

      Quando toquei as pernas da pessoa, pude sentir que elas estavam quentes.

      Os médicos e as enfermeiras rapidamente se vestiram para a cirurgia. Eu era assistente deles e fiquei responsável por cortar a artéria, a veia e a ureter [o canal que liga o rim à bexiga].

      A enfermeira cortou a camisa do homem e aplicou desinfetante no peito e na barriga três vezes. Em seguida, o médico, com o bisturi, cortou do subxifóide [abaixo do peito] até o umbigo. Vi as pernas do homem tremerem, mas sua garganta não pôde emitir sons.

      Então, quando o médico fez a incisão na pessoa, o sangue ainda circulava, o que indicava que a pessoa ainda estava viva.

      Rapidamente, os rins foram removidos. Eu cortei a artéria e veia. As ações dos médicos foram habilidosas e rápidas. Eles colocaram os dois rins em uma caixa termostática.

      Quando olhei para o rosto do homem, vi nele uma expressão de terror. Eu senti como se ele estivesse olhando para mim. Suas pálpebras se moviam. Ele ainda não estava morto.

      Fiquei atônito, minha mente ficou vazia. Meu corpo tremia, foi terrível!

      Eu me lembrei de ter ouvido na noite passada um militar conversando com o médico responsável e dizendo “…não tem nem 18 anos. É saudável, cheio de vida”. Falavam da pessoa que estava bem diante de mim?! Nós extraímos os rins de uma pessoa ainda viva. Foi horrível!

      Eu disse ao médico que eu não poderia continuar.

      Em seguida, outro médico, com um fórceps, arrancou completamente os globos oculares daquela pessoa.

      Eu não pude fazer nada. Eu tremia e suava; estava esgotado e perplexo.

      • Antigamente, nos meus tempos de criança, até padres diziam que os comunistas comiam criancinhas. Não estou aqui defendendo o comunismo, é bom que se diga, mas argumentar contra o comunismo como fazem os ultra-direitistas ou que os comunistas comem criancinhas, ou na mesma linha, que os comunistas arrancam órgãos para transplante em pessoas vivas, é de doer ! Insulta nossa inteligência. Há muitos motivos para se criticar o comunismo, a extrema-direita deveria debater seu contraponto em alto nível, expondo sua alternativa, e não a ficar inventando asneiras como essa.

        Li também o artigo que PC trouxe â Tribuna por um link. É outro conto negro da carochinha igual àquele em que os comunistas comem criancinhas. Consegue misturar Henrique Capriles, que é do partido de oposição a Chávez e depois a Maduro . Capriles foi o candidato (de centro-direita) que perdeu fraudulentamente a eleição para Maduro e coloca Capriles também, além de Maduro, como membro do Foro de São Paulo. O artigo é muito bem escrito, mas quem lê atentamente vê que é cheio de incongruências, por exemplo, o governo da Colômbia vive há décadas em guerra com as FARC. Mas o artigo diz que as FARC e o presidente da Colômbia estão unidos para implantar o comunismo não só na Colômbia, como também em toda a América Latina. E, pior, o comunismo castrista de Cuba, que já está moribundo e desmoralizado. Sinceramente, assim não dá ! Sugiro que o PC envie este link para o Olavo de Carvalho e para o deputado federal (PP-RJ) Jair Bolsonaro. Eles vão adorar !

  1. Perfeito.

    E para piorar o que disse o sr. Partoriza, a criação de vagas em setores de baixo valor agregado – serviços e comércios – não compensou a extinção de vagas no setor de maior valor agregado que é a indústria.

    Tomando só os últimos doze meses encerrados em junho/2015, a indústria fechou 662.991 vagas de trabalho formal, enquanto os setores de serviços e comércio abriram apenas 252.517 vagas de trabalho formal. Os dados são do CAGED.

    Sé para lembrar: quando Lula assumiu o governo a indústria era responsável por mais de 28% do valor agregado ao PIB brasileiro, hoje esta participação caiu para pouco mais de 22%.

    Isso é um absurdo e representa a total falta de entendimento e comprometimento desses governos com o futuro do país.

    E o pior é que o brasileiro assiste isso passivamente, sem ter condições de avaliar ou interpretar tais ações.

    Tanto assim que votou na manutenção do “status quo”.

    Uma vergonha!

    • Senhor Wagner Pires: tudo que vem acontecendo de ruim e para pior neste nosso país em todos os sentidos advém do Foro de Sao Paulo desde 1990. Já fui taxado de burro, ignorante e sabe lá mais o quê … hoje pouco opino leio e indigno-me ao ler e tentar interpretar as atuais notícias.

  2. Caro Jornalista,

    Anos atrás já falávamos desse assunto aqui.

    Citei até o caso de uma ferramenta para funilaria que comprei em uma loja de ferragens. Como queria uma que durasse, profissional, comprei de uma marca famosa, de tradição, que conhecia por décadas.
    No primeiro uso ela estragou, escureceu e empenou as lâminas… aço vagabundo!
    Então, desconfiado, fui a a embalagem com mais atenção:
    Lá estava a MALDITA ORIGEM, grafada em um canto da embalagem, em letras microscópicas: Feito na China.
    Só então percebi que a tênue marca que a ferramenta ostentava era feita ou por jateamento de areia ou por algum processo parecido com “stencil”, enquanto que nas ferramentas antigas a marca era em baixo relevo, feita quando o aço ainda estava quente…

    O empresário, dono da marca, deve ter feito o que já foi feito e está sendo feito em todo o país, principalmente na área de brinquedos, roupas, ferramentas e tecidos: demite todo mundo, contrata uma das milhares de indústrias chinesas para fabricar as ferramentas com a sua logomarca e passa a IMPORTAR LIXO. Sai mais barato e evita as despesas com a contratação de funcionários. Um amigo meu da área de venda de roupas fez isso.
    Meu amigo cismou de fabricar roupas, contratou um multidão de costureiras, mas, depois de algum tempo, percebeu que sairia mais barato, ao invés de comprar tecido nacional e fabricar por aqui, trazer tudo já feito da China. Demitiu todos, com exceção de algumas pessoas para lidar com a importação das roupas pelo computador…

    Não vou nem falar de uma ÁREA ONDE A ESCULHAMBAÇÃO É TOTAL NO PAÍS: A área de autopeças! Se existir algum órgão responsável pela fiscalização e controle de qualidade no país, ou os seus funcionários estão mortos ou devem está em sono eterno! Ou estão lucrando com a Robauto.

    Ao meu ver, para se destruir a indústria de um país como o Brasil, basta se seguir dois passos:
    -Primeiro deixe a moeda do país ficar supervalorizada para que seja mais barato importar do que fabricar por aqui; com isso, as indústrias – e os empregos – serão fechadas. Mas isso não será problema (por enquanto), pois a valorização da moeda garante uma importação barata! O senhores se lembram que no auge da valorização da moeda, no Plano Real, o Brasil importava coco?
    -Depois, quando as indústrias fecharem as portas, então é chegada a hora de se desvalorizar a moeda novamente. Como o país não pode pintar papel de “verde” e agora não terá indústria própria, terá que importar tudo o que precisar e será dependente, novamente e para sempre, das importações, só que agora MAIS CARAS…

    Abraços.

    Bem… Pelo menos é isso que está sendo feito com o país.

    • A fábula da cigarra e da formiga, feita de uma outra maneira: Enquanto havia muita oferta de dinheiro, o preço dos produtos primários alto e o dólar barato, o nosso presidente importava, cantava e esbanjava recursos, ao invés de diminuir o tal “custo Brasil”.
      Agora que o dólar ficou caro e “o quilo do ferro” barato, o país está dançando com uma mão na frente e outra atrás…

      • Ótimo!

        A queda no preço das commodities é mais uma variável de deterioração da economia nacional e fator de exposição não só da incompetência, mas, da irresponsabilidade de Dilma e Mantega na condução da economia no seu primeiro mandato.

        A desvalorização cambial, além de fatores externos, é, também, consequência da deterioração da conjuntura econômica e a insistência do governo em manter o desequilíbrio fiscal em favor da manutenção do partido.

  3. Quando Dilma, Temer, Lula, Renan, Os parasitas do PT, PMDB e base aliada acabarem com tudo. Os homens de bem desta terra farão algo para salvar o país. Não acredito no que leio nos jornais, não acredito no comportamento da igreja católica. Isso é democracia?????

    • Quanto a esses que o senhor enumerou, pegarão um jatinho para algum paraíso, onde guardaram fortunas, e ficarão de lá, só olhando a miséria e o caos que ajudaram a construir…

      A pátria dos ricos – e ladrões – brasileiros chama-se dólar.

  4. Somente uma revolução administrativa, seria capaz de nos tira desta situação.Temos que reduzir os gastos públicos, pensar em cada real que entra nos cofres públicos; como investimento que tem quer retornar para sociedade . Reduzindo essa gana do estado por imposto. O que levaria uma carga tributária menor, salários maiores e diminuição dos juros que nenhum país sério pagaria.

    • Essa enumeração é uma grande parte do início das solução dos problemas conjunturais do nosso país.

      Entretanto, seu anseio não será correspondido pela gerentona de lojinha de R$1,99 falida. É isso que o povo escolheu para o seu futuro…

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