Líder indígena confirma tentativa de evangelização pelo novo chefe da área de índios isolados da Funai

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Pastor Dias, o homem certo no lugar errado

Matheus Leitão
G1 Política

Indigenistas da Fundação Nacional do Índio (Funai) relataram diversas vezes ao blog que o chefe da Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém-Contatados, o missionário Ricardo Lopes Dias, evangelizou indígenas da etnia Matses, da terra indígena do Vale do Javari.

A informação foi confirmada agora ao blog pelo indígena Marcos Dunu Mayoruna, da etnia Matses (também conhecida como Mayoruna). Segundo informado por Marcos Dunu, as reuniões evangelísticas aconteciam em Cruzeirinho, ao lado do Pelotão do Exército de Palmeiras do Javari, na área ao norte da terra indígena.

CONFIRMAÇÃO – “Sim, o Ricardo trabalhou em Cruzeirinho com o nosso povo Matses. Fez igreja lá com americanos. A Bíblia não é problema, mas a forma como eles agiam. Ele não é bem aceito lá até hoje. Ele fundou a ‘igreja’ lá [perto do quartel]. Até hoje os líderes da etnia estão chateados com o Ricardo”, afirma Marcos Dunu, irmão de um cacique da região.

Ricardo Lopes Dias é formado em antropologia e em teologia. Atuou como missionário na Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), organização que prega a evangelização de indígenas.

Apesar de não negar a função dele na MNTB, a Funai afirmou ao blog que “não procede que ele tenha fundado uma igreja não região”. Procurado, o órgão afirmou também que não houve tentativa de invasão em terras indígenas para estabelecer comunidade evangélica por parte de Dias Lopes.

CITADO PELA FUNAI – O indígena Marcos Dunu Mayoruna é o mesmo que chegou a ser citado pela Funai, em reportagem institucional, como apoiador do novo coordenador da área de índios isolados até por também ser evangélico. Como mostrou o blog, ele negou a outras lideranças que tenha dado suporte à nova diretoria.

Justamente essa postura evangelizadora de sua atuação na organização missionária MNTB fez com que sua nomeação para a coordenação-geral de índios isolados gerasse repúdio entre servidores e técnicos da Funai.

Processos na Justiça aos quais a MNTB responde informam, por exemplo, que o instituto “camufla” seus objetivos religiosos nas aldeias com ações de assistência.

ABERTURA DE BRECHA – Conforme divulgado pelo blog, o presidente da fundação, Marcelo Augusto Xavier, abriu uma brecha, seis dias antes da nomeação de Dias Lopes, para que o cargo de coordenador-geral de índios isolados pudesse ser ocupado por pessoas de fora do quadro da administração pública.

Antes da alteração no regimento interno da Funai, a coordenação estava regida pelas Funções Comissionadas do Poder Executivo (FCPE), o que obriga a nomeação de um servidor público concursado para o posto.

A nomeação de Lopes Dias para a coordenação-geral de índios isolados foi contestada pelo Ministério Público Federal. O órgão pediu à Justiça que suspendesse a nomeação do missionário caráter liminar (provisório) e, em seguida, revogasse de forma definitiva a portaria que publicou a nomeação de Dias Lopes.

DIZ A FUNAI – A juíza federal Ivani Silva da Luz, da 6ª Vara do Distrito Federal, decidiu, contudo, manter a nomeação de Ricardo Lopes Dias para a Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Funai.

Leia a íntegra da resposta da Fundação: “A Funai esclarece que não procede a informação de que senhor Ricardo Lopes Dias, atual coordenador da Área de Índios Isolados e de Recente Contato, tenha fundado igreja na região de Palmeiras e Cruzeirinho, no Vale do Javari. Cabe ressaltar que também não houve, por parte do antropólogo, nenhuma tentativa de invasão a terras indígenas para estabelecer comunidade evangélica. A experiência do antropólogo como missionário naquelas comunidades ocorreu no período de 1997 a 2007 com ações sociais, tudo feito de forma harmônica e consensual”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O presidente Bolsonaro também indicou dois evangélicos para a Diretoria da Ancine, ao invés de esperar Regina Duarte assumir a Cultura. Aliás, ele já deveria ter aprendido que misturar religião e política não é decisão apropriada. Foi justamente por isso que inventaram o Estado Laico. (C.N.)

20 thoughts on “Líder indígena confirma tentativa de evangelização pelo novo chefe da área de índios isolados da Funai

  1. Não tenho religião e nem sei que Deus é esse que falam por aí.

    Não obstante, entre a religião marxista que está sendo há tempos pregada aos índios, e a evangélica, fico com a segunda.

    Seja como for a evangélica serviu de rumo ao maior e melhor país do mundo, enquanto a primeira serviu para criar o maior império do terror de todos os tempos conhecido como URSS, causando genocídios e miséria nos países que se instala como ainda hoje na Venezuela.

  2. “Evangelizar” índios é etnocídio. Os povos indígenas, que vivem no atual território brasileiro, vivem aqui há milhares de anos. Os índios têm suas crenças religiosas, seus pajés, seus caciques, seus deuses, seu modo próprio de conceber o mundo e sua forma peculiar de vivência em suas comunidades.

    Antes do ano de 1500, estima-se que haviam 8 milhões de índios, mas não só o etnocídio como o genocídio em massa dos indígenas, desde a ocupação portuguesa até os dias de hoje, os indígenas brasileiros são estimados, hoje, em todo o território brasileiro, em apenas 80.000 índios, isolados ou não.

    Quando “evangelizados”, seja por jesuítas católicos, seja por pastores evangélicos, suas crenças e convicções se desagregam, nas diversas etinias. É etnocídio ! E desde a chegada dos portugueses, além do etnocídio, os indígenas foram escravizados, mortos, a tal ponto que a diminuição da população indígena, por via do genocídio, foi reduzida a patamares muito pequenos.

    Claro, do que estou enunciando, isto não começou no governo Bolsonaro, mas o governo Bolsonaro, comparado a outros governos no Século XX e no Século XXI é o governo que mais fomenta o etnocídio e o genocídio indígena. E estes pastores evangélicos, e mesmo os padres católicos, ao tentar “evangelizar” os indígenas, supondo que a religião cristã seja superior às crenças sobrenaturais e divinas dos índios, estão na verdade acabando com os costumes das etnias indígenas que, repito, vivem e se sustentam muito bem há milhares de anos antes da entrada de Pedro Álvares Cabral no Brasil, em 1500.

    Merecem, estes cretinos pastores e padres católicos, o repúdio de toda a população brasileira honesta e sã, excuídos aqui os bolsonaristas fanáticos, os evangélicos e católicos fanáticos, e os bandidos (milhões) que compõem a população brasileira.

    DEIXEM OS ÍNDIOS VIVEREM EM PAZ E À SUA MANEIRA.

    • Entre o evangelho de Cristo e o de Marx, prefiro o de Cristo .

      Claro, entre os pregadores socialistas e cristãos, a malandragem impera, mas os primeiros são piores, querem um país inteiro para escravizar, os segundos só querem grana para uso pessoal.

  3. Setores das FFAA garantem que muitos missionários estadunidenses não são missionários, são agentes do governo estadunidenses que vem para o Brasil, principalmente para a região da floresta amazônica para serem olhos e ouvidos do governo do Tio Sam.

    Como as FFAA brasileiras são totalmente desestruturadas e tem uma elite hierárquica militar corrupta, isso passa batido.

    Ao contrário de teoricozinhos da conspiração que aqui comentam, muitas vezes para desinformação, isso é do conhecimento de muitos dentro das FFAA.

  4. Prezado dr.Ednei,

    Comungo do seu pensamento quanta à violência de doutrinar indígenas conforme as religiões atuais.

    O Brasil dá a entender que não quer se libertar do passado. Teima em permanecer atrasado, desordenado, sem objetivos, sem planos de futuro … mas apenas e tão somente alimentar-se desta venenosa política, desta nociva e nefasta ideologia.

    Quando fomos descobertos, e os europeus viram que nesta terra habitavam selvagens, gente que não era “civilizada”, e com o tempo foi sendo constatado que a terra nova era muito maior que uma ilha, a religião católica enviou padres jesuítas para evangelizá-los.
    Uma verdadeira atrocidade!

    Depois, percebendo que milhares de indígenas eram massacrados pelos bandeirantes, que rompiam nossas matas em busca de ouro e pedras preciosas, aniquilando quem encontrassem pela frente, os padres até que tomaram providências junto à corte portuguesa para fosse proibido matar os tais selvagens, diante da carnificina produzida pelos tais Borba Gato, Fernão Dias, Raposo Tavares … que mataram mais de 30.000 indígenas!

    Diante deste genocídio étnico, os padres na terceira vez que pediram providência da corte lusitana foram atendidos, e se tornou proibido matar indígenas, e por decreto!

    Foi quando os padres formaram as reduções ou missões, onde certas comunidades absorviam até cinco mil selvagens, escravos negros, e até fugitivos brancos.
    Tornaram-se redutos autossustentáveis, pois havia agricultura, pecuária, alfabetização e, como não poderia deixar de ser, a evangelização.

    Mesmo com essa violência de adulterar a crença indígena, cultuada por muito tempo antes de os padres aportarem no Brasil, caso os jesuítas não tivesse se empenhado em protegê-los, o Brasil seria outro Estados Unidos, que simplesmente desapareceram com seus indígenas!

    Abomino a catequese obrigada, forçada, adulterando modos e costumes arraigados há séculos.
    Quem disse que um selvagem um aborígene, uma pessoa que desconhece este Deus que nos ensinaram, que não será “salvo” por que não foi batizado e não se converteu ao cristianismo?

    Muito antes do objetivo de catequizar, e que esconde segundas intenções quanto à exploração do solo indígena, evidentemente, a maior proteção que se pode dar é ensiná-los a se manter mais adequadamente, como fazem há tempos.
    Agricultura, pesca, pomares, artesanato, e que as tribos cultuem seus deuses sem qualquer intromissão!

    Afinal de contas, os cristãos não podem ser exemplos do “amor a Deus”, pelo contrário.
    Se éramos devorados pelas feras no Coliseu ou assados em fogueiras ou jogados de precipícios, durante o início do cristianismo e por 300 anos, aproximadamente, após este período de “adaptação” e de ampliação dos Ensinamentos de Cristo, a Igreja Católica Romana se transformou na única representante direta de Deus.

    E, dominou a Europa de tal maneira, que imperadores e reis não eram entronados sem autorização do Papa!
    Ao instituir a confissão como sacramento, no século IV, então a Igreja se tornou dona do Ocidente, de certa forma.
    Pois bem, diante de tanto poder e riqueza, nada melhor que campanhas intituladas de Cruzadas, para também comandar o Oriente Médio, expulsando os árabes principalmente de Jerusalém.

    Não bastassem essas caravanas da morte, a Igreja criou a Inquisição ou Santo Ofício, que
    teve duas versões:
    a medieval, nos séculos XIII e XIV, e a feroz Inquisição moderna, concentrada em Portugal e Espanha, que durou do século XV ao XIX.

    Historicamente, estima-se que tais atos de “purificação” – fogueira, esquartejamento, esfolamento, torturas … – mataram meio milhão de pessoas!

    Enfim, obrigar ou catequizar nossos indígenas através da coleção de livros, a Bíblia, entendo não ser a medida adequada, pelo fato que os catequizados pastores, bispos, padres, apóstolos, missionários, ministros … não possuem condições morais para exemplificar o significado de ser cristão, enquanto as tradições místicas indígenas certamente não têm essas contradições tão absurdas entre o dizer e o fazer!

    Acho que nossos aborígenes mais aprenderiam sobre cinismo e hipocrisia:
    “façam o que digo, mas não façam o que faço.”

    A começar, e já termino, a dificuldade de o indígena compreender o Deus espiritual divulgado, se o objetivo, a ânsia, o esforço, é pelo papel, pelo dinheiro??!!

    Abração, dr.Ednei.
    Saúde.

  5. Os bons e velhos clichés , no que refere aos evangélicos e católicos , para sustentar uma fantasia que carrega na mente sobre essas religiões cristãs.

    Aquelas coisas que contam por aí nas esquinas e até nas nossas escolas, sem nenhuma comprovação factual.

    Mentiras muitas vezes criadas, na sua maioria, por uma nefasta religião conhecida como marxista ou socialista, com o fim de ocupar seu lugar e escravizar os fiéis..

    “A História: manufatura de ideais…., mitologia lunática , frenesi de hordas e de solitários …., a recusa de aceitar a realidade tal qual é, sede mortal de ficções”.(Cioran)

  6. Sempre vai haver fiéis de Karl Marx, o Evangelizador, se contrapondo aos fiéis das Escrituras.
    A laicidade do evangelizador alemão é de enternecer o coração de um guarda de campo de concentração nazista.

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