Lideranças políticas defendem abertura de CPMI por atuação do governo Bolsonaro na pandemia

Saúde gastou cerca de 30% do prometido para enfrentar a pandemia

Mateus Vargas
Estadão

Presidentes de partidos de oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro defenderam nesta quinta-feira, dia 23, a abertura de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre a baixa execução de orçamento federal reservado para o combate à covid-19.

Em nota, os dirigentes políticos citam auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontou que o Ministério da Saúde gastou somente cerca de 30% do prometido para enfrentar a pandemia até o fim de junho. De R$ 38,97 bilhões reservados à pasta em ação do orçamento sobre pandemia, foram pagos R$ 11,48 bilhões.

SABOTAGEM – Os presidentes de siglas Roberto Freire (Cidadania), Carlos Lupi (PDT), Carlos Siqueira (PSB), José Luiz Penna (PV) e Pedro Ivo (Rede) assinam o documento. “Bolsonaro sabotou todas as medidas de contenção da pandemia, estimulando a crença em remédios comprovadamente ineficazes e o desrespeito ao isolamento social. Naquela fatídica reunião ministerial, manifestou inclusive o desejo de armar a população contra governadores e prefeitos, os mesmos a quem se destinava a maior parte dos R$ 39 bilhões em recursos emergenciais contra a pandemia”, afirmam eles.

Os dirigentes dizem que os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), precisam “deixar de lado a confortável posição de diálogo estabelecido com o governo” para instalar a CPMI. “Se a não liberação dos recursos teve, além da desídia, ação dolosa de retaliação a adversários políticos, contribuindo para a morte de milhares de inocentes, será ainda o caso de levar seus perpetradores ao Tribunal Penal Internacional de Haia”, afirma a nota.

Na auditoria, a equipe técnica do TCU afirma que não conseguiu identificar a estratégia de compras, logística, distribuição de insumos, além de desconhecer “critérios para transferência de recursos” do ministério. As respostas da Saúde ao tribunal teriam sido insuficientes, afirma o relatório.

PRAZO – O Tribunal mostra que o ministério gastou cerca de 12% do reservado para as próprias aplicações, como compras de insumos, cerca de 40% do prometido para transferir a Estados e ao Distrito Federal e, aos municípios, 33%. A partir deste levantamento, o TCU determinou nesta quarta-feira, 22, que o Ministério da Saúde, em 15 dias, mostre a “lógica de financiamento” dos fundos estaduais e municipais, mostre como definiu a estratégia de compras contra para a pandemia, e apresente documentos sobre planos de logística e distribuição de insumos.

O tribunal também determinou que, no mesmo prazo, o Ministério da Saúde reestruture comitês e gabinetes de crise. Segundo a auditoria, o esvaziamento destes órgãos, “aliado à troca de dois Ministros da Saúde durante a pandemia e à alteração de grande parte da equipe técnica, constituiu uma fragilidade na governança” na pasta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Acertadíssima a nota dos dirigentes ao citar que Bolsonaro sabotou todas as medidas de contenção da pandemia. Além de se inserir como garoto propaganda de um medicamento comprovadamente ineficaz e estimular a quebra do isolamento social, Bolsonaro ratificou em todos os momentos o seu caráter genocida, ao promover aglomerações, ignorar milhares de mortos e, mesmo infectado, circular de moto, a exemplo desta quinta-feira, e expor a sociedade. Ontem, além de romper a sua quarentena, levou os seus vírus para passearem e, sem máscara, conversou com garis. O Brasil não precisa de terremotos, avalanches ou outras tragédias naturais. Já temos Bolsonaro, presidente. Até quando ? (Marcelo Copelli)

17 thoughts on “Lideranças políticas defendem abertura de CPMI por atuação do governo Bolsonaro na pandemia

  1. Diz o título dum reggae de grande apelo social, de autoria do bom jamaicano, Albert Griffithis: “Give people what they want” : Dêem às pessoas o que elas querem”. Não daria para trocar esse “I” de CPMI e acrescentar “F”?

  2. Pois é;

    E esse cara ainda é favorito na corrida eleitoral de 2022, que, o site da veja divulga hoje.

    Vá entender esse esses eleitores brasileiro?!

    • O problema todo são os covardes que viram nulo…

      Bolsonaro foi eleito com o total de votos que representa com 30% do colégio eleitoral… o menor percentual de votos num candidato eleito da História.

    • Os simpatizantes de Bolsonaro, que parecem pétreos, têm perfis bem definidos, conforme esta sequência:
      -Cérebros Chipados ou Neuroprogramados: protestantes, militares e policiais (incluindo agentes de segurança privada e milicianos). -Cartéis Possuídos pela Ganância e pelo Egoísmo Grupal: empresários e agropecuaristas (latifúndiários, agricultores e pecuaristas)……
      Percebe-se, outrossim, que, em sua maioria, não são seguidores panurgistas; eles nutrem uma convicção na sua escolha pelo líder ou mito. A questão é: sabe-se lá qual convicção é essa?!
      “A ausência de uma liderança, nas diversas correntes ideológicas, nacionais; fez Bolsonaro, como se por decantação, sedimentar-se no fundo de um barco à deriva (Brasil), estabelecendo um lastro, para garantir o mínimo de estabilidade sobre um mar revolto, do qual, ele é a própria tempestade!”

  3. Das dezenas de pessoas que conheço e que votaram no Bolsonaro, apenas uma diz que votaria nele abertamente.
    Pelo menos quatro, não votariam.
    Outras não falam.

  4. Vale lembrar que ele recebeu a maioria dos votos para tirar o PT do poder…o meu mesmo foi com esta intenção.
    Em 2021 eu não votarei mais nele. Me decepcionou muito para quem vendeu o combate a corrupção aos quatro cantos do mundo …e ….não precisa mais falar, basta olharmos o cenário atual do país.
    Suely

  5. Votei no FHC para presidente após o mesmo ter comprado a reeleição; tinha certeza que ele ia “quebrar a cara” e não deu outra; eu não me perdoaria se ele perdesse por hum voto e eu não tivesse votado nele.
    Agora, uma anta(que me desculpe as antas) vive discursando que sofreu um golpe até no exterior e com nosso dinheiro.
    MC não vamos incentivar o impedimento do “coiso” se não será mais um “anta” a dizer que sofreu um golpe. Vamos deixa-lo cair de incompetência.
    Não se preocupe com o Brasil, pois ele já não existe.

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