Lindbergh critica o governo no caso dos royalties do petróleo e aproveita para denunciar Ideli Salvatti.

Carlos Newton

Impressionante a coragem do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) na defesa dos interesses do Estado do Rio de Janeiro, batendo de frente com o governo federal e com o seu partido. Lindbergh, que na semana passada participou de um protesto organizado pela família Garotinho em Campos, disse que fará todas as alianças necessárias para rejeitar o projeto dos royalties. E culpou o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pelo movimento para tirar recursos dos estados produtores, como o Rio, para beneficiar o Maranhão e outros estados.

Em entrevista ao excelente repórter Chico Otávio, de O Globo, Lindbergh abriu o coração. Advertiu que não recuará da posição contrária à redistribuição dos royalties do petróleo, apesar da pressão do governo Dilma Rousseff. E atribuiu à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que está tentando enquadrá-lo, as insistentes notas publicadas na imprensa, dando conta de que estaria queimado com a presidente por brigar contra o projeto,

Sobre sua participação em um ato ao lado de Garotinho e Rosinha, deu a seguinte justificativa: Sou do PT e apoio o governo Dilma com empenho. Mas sou também, antes de tudo, um senador eleito pelo Rio de Janeiro. Minha função constitucional é defender o meu estado. Neste caso (da redistribuição dos royalties), o governo (Dilma) está errando”, disse o senador.

Na entrevista a Chico Otávio, o parlamentar exibiu grande conhecimento sobre a situação do Rio, mostrando como Sarney prejudicou o Estado, em 1989, quando era presidente e criou os critérios do Fundo de Participação, e como agora Sarney tenta prejudicar de novo, na redistribuição dos royaties do petróleo.

Apresentando dados impressionantes e irrefutáveis. Lindbergh mostrou os prejuízos que os governos estaduais têm em relação ao governo federal, inclusive no caso da renegociação das dívidas, e aconselhou a presidente Dilma a tomar providências para evitar uma crise federativa.

Traduzindo tudo isso: Lindbergh foi presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), mas, ao contrário da atual diretoria da entidade, não admite cabresto. Seu posicionamento livre e desassombrado em relação ao PT e ao governo é um exemplo de que a política pode se renovar para melhor. Ainda resta esperança.

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