Lindbergh no RJ, Afif no ministério, duas questões políticas

“Sou candidato!”

Pedro do Coutto

São sem dúvida duas questões políticas relevantes a candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo do Rio de Janeiro e a nomeação do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, para o ministério da Micro e Pequena Empresa, pela presidente Dilma Rousseff. No primeiro caso, o lançamento de Lindbergh representa o fim da aliança PT-PMDB na área estadual. No segundo caso, o alinhamento do PSD de Gilberto Kassab à reeleição da presidente Dilma Rousseff. Mas há outro ponto no caminho a considerar.

O Tribunal Regional Eleitoral, atendendo a uma representação da Procuradoria, mandou retirar do ar, na televisão, uma visível propaganda do senador ao governo do estado. O Globo noticiou na edição do dia 7.Lindbergh, ouvido pelo jornal, disse que vai recorrer. Mas o recurso, não cabe a ele, diretamente, e sim ao Partido dos Trabalhadores, já que a mensagem foi veiculada nas inserções que cabem ao PT no horário político gratuito. Ficou nítido, portanto, que a direção partidária apoia a candidatura do ex-prefeito de Nova Iguaçu e que levou a UNE às ruas na campanha pelo impeachment de Fernando Collor, criando a imagem dos caras pintadas.

Quem deve recorrer ao TRE contra a proibição, assim, é o PT. Pode obter êxito ou não, pois ficou evidente uma antecipação da campanha pela sucessão do governador Sérgio Cabral. Mas se isso é fato, de um lado, de outro a administração carioca e fluminense tem se mobilizado em favor da candidatura do vice Luiz Pezão. O PMDB abriu espaço para ele em mensagens institucionais que veicula. Elas por elas, portanto. Aliás, essa polarização dificilmente deixará de prevalecer nas eleições estaduais de 2014.

O PDT, como foi publicado, admite lançar o deputado Miro Teixeira como candidato. Ocorreria um fenômeno singular: os três candidatos ao Palácio Guanabara em luta na área estadual, mas convergindo para apoiar Dilma Rousseff no plano federal. A base da presidente da República, assim, não seria afetada no terceiro colégio eleitoral do país.

No primeiro colégio, São Paulo, a presidente com a nomeação de Afif Domingos procura nitidamente dividir a base paulista que tem no governador Alckmim a principal peça de sustentação para a conquista de votos do principal candidato das oposições, senador Aécio Neves, do PSDB, mesmo partido do chefe do Executivo paulista. Eduardo Campos, pelo PSB, dificilmente penetraria em São Paulo, sobretudo porque a estrutura partidária tucana é bem mais sólida que a do Partido Socialista. Isso de um lado.

De outro a investidura de Afif apresenta complicadores. Pois ele não pretende se licenciar do cargo, a exemplo do que fez o governador José Américo de Almeida, em 52, quando foi nomeado pelo presidente Getúlio Vargas ministro da Viação e Obras Públicas, atual pasta dos Transportes. É um precedente. José Américo licenciou-se do governo da Paraiba. Não parece ser esta, pelo que O Globo e a Folha de São Paulo publicaram. P Globo através de reportagem de Luiza Damé e Tatiana Farah. Ele, Afif, deseja acumular as duas funções. Administrativa e eticamente impossível. Pois em curto afastamento de Alckmin, tornar-se-ia ministro e governador ao mesmo tempo. A Folha de São Paulo publicou a seguinte declaração dele: vou solicitar que o governador avise antes de viajar para que eu possa deixar o país. Em tal hipótese assumiria o presidente da Assembleia Legislativa, Samuel Moreira. O governador o avisaria? E ele, ministro, avisaria à presidente da República? Uma situação difícil.

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9 thoughts on “Lindbergh no RJ, Afif no ministério, duas questões políticas

  1. Caro Pedro,
    Não entendo as omissões que vc faz ao nome do Garotinho, sem entrar no mérito, quando trata de eleição no Rio de Janeiro. Ele se elegeu o deputado mais votado do RJ,antes havia sido prefeito de Campos, governador, elegeu a esposa governadora, depois prefeita 2 vezes, elegeu a filha vereadora e depois deputada estadual, foi candidato a presidente obtendo 15 milhões de votos, com 1m de TV. Será que vc não o acha um candidato forte?

  2. Esse tal de Pedro do Couto só tem pose. E olhe lá! Além disso, confessadamente ele torce pelo Fluminense. Um péssimo exemplo a ser seguido. Politicamente, nem foi comentar as opções dele porque as respeito, embora discorde frontalmente.

  3. Se este sujeito for eleito (ainda mais numa dobradinha com o Anthony Molequinho) nós cariocas ainda sentiremos saudades de Dom Cabraleone e sua máfia.

    Quem viver, verá.

  4. Que é isso, companheiro?! Pior que batman (cabral) e robin (eduardo paes)- ou será coringa e pingüim? – é impossível. O “lindinho” fêz um governo tão “bom” em Nova Iguaçu (município da baixada fluminense) que fêz com que os moradores devolvessem o “trono” para o antigo “rei” do pedaço!
    Vade retro!

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  6. Desculpe, Leonardo Maia. Mas veja a declaração de renda e os bens de Garotinho e compare com os da máfia do Lindinho e do Cabralzinho e seus asseclas. Pare de ler só OGLOBO e a imprensa das Organizações GLOBO. Procure se informar melhor. Sei que pode não adiantar nada o que sugeri, mas pelo menos tentei.
    ab

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