Livre pensar é só pensar (Millôr Fernandes)

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2 thoughts on “Livre pensar é só pensar (Millôr Fernandes)

  1. Exterminadores do futuro

    Depois de quatro anos de trabalho árduo, em que os construtores tiveram que vencer obstáculos incomuns para contratar pessoal e garantir o suprimento das obras na extremidade oriental da Amazônia brasileira, começa a operar no próximo mês de junho a hidrelétrica de Jirau, em Rondônia.

    Junto com a usina de Santo Antônio, também no rio Madeira, quando atingirem a plena operação vão acrescentar, respectivamente, 3.750 MW e 3.150 MW aos atuais 80.000 MW de oferta de energia limpa da matriz brasileira.

    Atingindo esses níveis de produção, Jirau e Santo Antonio ocuparão, respectivamente, a quarta e a quinta posições dentre as maiores hidrelétricas do País, perdendo apenas para Itaipu, no rio Paraná (que é também a segunda maior do mundo, depois de Três Gargantas, na China), para Belo Monte no rio Xingu, que com todas as perturbações que atrasam a obra deverá estar produzindo em mais dois anos e Tucuruí, no rio Tocantins, que é a terceira no Brasil.

    Ambos os empreendimentos contaram com o forte apoio do governo federal, antes mesmo de começar as obras e durante a sua execução, para agilizar os procedimentos e superar restrições para a liberação dos licenciamentos ambientais, especialmente junto ao IBAMA.

    O presidente Lula, primeiramente para a obtenção da licença e depois intervindo em disputas trabalhistas, empenhou-se pessoalmente nessas ações e a presidente Dilma igualmente agiu de forma direta na remoção dos entraves burocráticos que surgiam à cada passo, retardando o andamento dos trabalhos de construção.

    Estas duas obras terão um registro especial pelo fato de que a determinação de realiza-las impôs uma derrota ao movimento de resistência à incorporação da Amazônia ao desenvolvimento brasileiro.

    Não é novidade que muitas dessas ações têm inspiração externa. As pessoas mais jovens não presenciaram, certamente, as tentativas bem orquestradas para impedir o aproveitamento – por brasileiros – das reservas minerais de Carajás, nem tomaram conhecimento das ações de marketing contra a construção da hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins, um empreendimento vital para o sucesso do projeto.

    Sobre essas organizações alienígenas, que usam como subterfúgio a defesa intransigente da natureza, diga-se que já no tempo da construção da hidrelétrica de Itaipu propagavam que seria um desastre ecológico, o que se mostrou o oposto, pois se tornou um dos espaços mais aprazíveis para os residentes em toda a região e para os programas turísticos de toda uma população do chamado cone Sul do continente.

    Os brasileiros fariam bom negócio desconfiando da motivação das campanhas que hoje mantêm permanentemente na mídia uma oposição feroz ao aproveitamento do potencial hidrelétrico do rio Xingu, onde se constrói a usina de Belo Monte e dos rios da bacia do Tapajós. Quando se lê que cidadãos de uma aldeia indígena, distante 400 quilômetros do trecho do rio Tapajós onde se pretende realizar a obra, se deslocaram (ou foram conduzidos…) até a cidade de Altamira, no rio Xingu, para “exigir” a paralisação de quaisquer estudos sobre obras “em todos os rios da Amazônia”, é lícito suspeitar que se trata de alguma armação de “caras-pálidas” que habitam outro hemisfério…

    Difícil mesmo é aceitar que existe motivação honesta em defesa do patrimônio ambiental amazônico (que deveria ser preservado “para o uso comum da humanidade”), no deslocamento de grupos que parecem extraídos de alguma série de filmes tipo “exterminadores do futuro” cujo roteiro de viagens foi tão mal estudado que se permitem cumprimentar silvícolas brasileiros como “legítimos descendentes do povo asteca”…

    (artigo de Delfim Neto transcrito do Diário do Comércio)

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