Livre pensar é só pensar (Millôr Fernandes)

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

2 thoughts on “Livre pensar é só pensar (Millôr Fernandes)

  1. Governo combaterá inflação tirando PIS e Cofins das passagens de ônibus

    O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou que o governo irá retirar a cobrança de PIS e Cofins sobre a passagem de ônibus. O ministro, no entanto, não deu detalhes sobre a medida. Mantega chegou há pouco ao Ministério da Fazenda.

    A confirmação ocorre após ter sido anunciado ontem um reajuste das tarifas de ônibus e metrô na cidade de São Paulo, de 6,6%, de R$ 3,00 para R$ 3,20, o que exercerá impacto de 0,06 ponto porcentual sobre a inflação de junho (IPCA).

    O governo irá publicar, nos próximos dias, uma Medida Provisória retirando a cobrança de PIS e Cofins sobre as passagens de ônibus. A medida será uma tentativa de evitar que o reajuste da tarifa de ônibus, trens e metrô em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro pressione a inflação.

    A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda informou que a retirada do PIS e da Cofins sobre as passagens de transportes coletivos entrará em vigor no dia 1º de junho. No incício do ano, houve uma negociação do governo federal com essas prefeituras para que a correção do preço das passagens fosse adiado para a metade do ano.

    (transcrito do Diário do Comércio)

  2. Já estamos batendo nesta tecla há muito tempo aqui na Tribuna da Imprensa. Agora, o economista Eduardo Gianetti é quem está com a palavra.

    …………………………………………………………………………………..

    Desafio brasileiro é a poupança

    Gianetti: ‘Com a macroeconomia robusta, temos condições de nos tornarmos um país desenvolvido’.

    Sob uma base macroeconômica estável, baixo desemprego e aumento de renda, a nova classe média recebeu cerca de 40 milhões de brasileiros e ficou deslumbrada com o consumo. Na próxima etapa desse processo, os gastos das famílias serão direcionados para educação, saúde e aplicações financeiras, na opinião de Eduardo Giannetti, economista, filósofo, escritor e professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). “Tivemos um bônus demográfico, o que é um desafio e uma oportunidade para todos nós.

    A taxa de fecundidade caiu e há mais pessoas vivendo no ápice da capacidade de produção e de geração de riqueza. Com a macroeconomia robusta temos condições de nos tornarmos um país desenvolvido”, afirma. Giannetti ministrou palestra em recente evento organizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Na ocasião, disse que os desafios para o Brasil ainda são a formação de capital físico e de capital humano. “Vamos depender de uma renda construída por outra geração no futuro. O grande desafio brasileiro hoje é melhorar a poupança”, diz. Na entrevista que se segue, ele analisa a economia e fala sobre os desafios que o País enfrenta em termos de aumentar a poupança e os investimentos.

    DC – Quais são as oportunidades e desafios para o brasileiro investir mais?
    Eduardo Giannetti – A sociedade passa por um momento mágico, em que a demanda por produtos de previdência está em alta e com financiamento à educação. A indústria de fundos precisa pensar em produtos adequados aos mais jovens e o desafio será expandir interesses de longo prazo. Na minha opinião seria preciso uma redução do crédito orientado [pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] e a poupança compulsória [do Instituto Nacional de Seguridade Social e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço]. O uso que o governo faz desse dinheiro é medíocre e não deixa a sociedade brasileira amadurecer. A indústria de fundos, por outro lado, precisaria ter mais acesso ao poupador externo. Mas isso não vai acontecer no governo da presidente Dilma.

    DC – Qual o desafio do pequeno investidor hoje?
    EG – Uma grande mudança que veio para ficar é a taxa de juros abaixo de dois dígitos. O mundo do alto retorno, baixo risco e melhor liquidez não existe mais. Quem tem aplicações no Brasil age como quem vai a uma festa muito boa, mas mesmo assim fica perto da porta. É preciso aprender que o maior retorno também significa menor liquidez.

    DC – Além disso, o investidor também precisará entender mais de aplicações. Qual é sua opinião?
    EG – Sim, as pessoas tendem a subestimar a taxa real, o valor que elas têm cumulativamente ao longo do tempo. Para a pessoa física é muito mais difícil ver o crescimento exponencial. A maioria não intui o que cumulativamente dobra o capital. A mágica do juro composto é difícil de levar em consideração ao longo de um horizonte de tempo.

    DC – Mas isso não está relacionado à dificuldade de se ter uma visão de longo prazo?
    EG – Sim, mas além de alongar prazos, é preciso poupar mais cedo no cenário de juros baixos. Em um cálculo que fiz é possível perceber a diferença. Um jovem que começa a poupar aos 18 anos aumenta o seu capital em 65 vezes até os 60 anos de idade. Quem começa aos 25 anos, mesmo guardando mais, aumenta o capital em 11 vezes ao atingir 60 anos de idade.

    DC – E quem não tem mais esse tempo?
    EG – A mensagem é que tem de poupar uma parcela maior da renda. Quem quiser ter a mesma aposentadoria terá de fazer um esforço maior porque o rendimento é menor. E tem de começar a fazer isso o quanto antes. O desafio aumentou um pouco.

    DC – O que é preciso para que aumente a formação bruta de capital fixo, os investimentos de forma geral?
    EG – O problema é o microgerenciamento da economia, com muitas mudanças setoriais e de regras do jogo, subsídios e todo tipo de interferências caso a caso. Isso mina a possibilidade de a economia crescer. Hoje a economia cresce aquém da medida e, ao mesmo tempo, há o problema de inflação e deterioração das contas externas. Tudo indica que a economia está com excesso de demanda e falta de capacidade de oferta. Além disso há baixa poupança [em torno de 14% a 15% do PIB] e de formação bruta de capital fixo [investimento, na ordem de 18% do PIB]. Isso condiciona o País a crescer de 3% a 3,5% ao ano.

    DC – Qual a perspectiva que o senhor vê para para o aumento dos investimentos, de forma geral?
    EG – Existem coisas positivas acontecendo. Tivemos o leilão de áreas de petróleo, que atraiu investimento surpreendentemente robusto. Acho também que o novo marco regulatório para o investimento em infraestrutura, embora muito atrasado, está começando a sair do papel e a mobilizar recursos. Os estoques de bens de capital no Brasil ainda estão baixos agora, o que significa que será preciso investir mais à frente. Acho que estamos voltando a um nível de normalidade, depois de termos ficado abaixo dela durante dois anos. Não podemos é nos satisfazer com essa normalidade, que ainda é medíocre. Temos de pensar em alavancar para investir mais.

    DC – Vivemos uma dificuldade histórica de aumentar a poupança. Com o bônus demográfico há uma oportunidade. O senhor acha isso possível?
    EG – A possibilidade de aumentar a poupança existe. A grande questão é saber se os incentivos serão dados. Além disso, o tempo está passando. O Brasil já perdeu boa parte desse período e ele não vai durar para sempre. As gerações mais novas terão de se dar conta que, no futuro, serão menos brasileiros trabalhando para sustentar um contingente grande que vai envelhecer. Essa mensagem, em algum momento, é que deveria ser transmitida para a próxima geração.

    (transcrito do Diário do Comércio)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *