Logo no primeiro dia, Lewandowski mostrou que a amizade a Lula fala mais alto do que a ética

Carlos Newton

Não dava para esperar nada diferente. O ministro Ricardo Lewandowski, que é o mais ligado a Lula, sendo amigo íntimo da família Silva, jogou na lata do lixo sua biografia, ao apresentar seu voto de ministro-revisor, no caso da questão de ordem urdida pelo ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, que tencionava desmembrar o processo do mensalão, para que o Supremo só julgasse os três réus com direito a foro especial.

A questão de ordem foi apresentada pelo ex-ministro da Justiça e advogado de um dos réus Márcio Thomaz Bastos logo na abertura da sessão. Bastos defendeu que os réus que não têm foro privilegiado possam ser julgados pela primeira instância.

O ministro-relator Joaquim Barbosa respondeu duramente, chamando Ricardo Lewandowski de desleal, vejam só o vexame e a que ponto chegamos nesse Supremo Tribunal que mais parece um Ínfimo Tribunal.

“Dialogamos ao longo desse processo e me causa espécie Vossa Excelência se pronunciar pelo desmembramento agora quando poderia ter sido feito há sete meses. Poderia ter trazido em questão de ordem”, disse Barbosa, que completou: “É deslealdade”, referindo-se ao voto de Lewandowski.

Até por volta das 17h, outros cinco ministros acompanharam o voto de Barbosa, constituindo maioria entre os 11 ministros. Também votaram contra o desmembramento Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cezar Peluso. E ficou desmontado o golpe armado pela dupla Thomaz Bastos/Lewandowski, que deviam estar disputando o vôlei de praia na Olimpíada, pois um levanta e o outro corta.

Pela proposta, dos 38 réus, só os três réus que tem mandato de deputados – João Paulo Cunha (PT), Valdemar Costa Neto (PR) e Pedro Henry (PP) – seriam julgados pelo STF. Os demais seriam submetidos aos tribunais de origem, isso demoraria anos e todos os crimes acabariam prescrevendo.

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