Luciano Coutinho gastará em aluguel R$ 252 milhões, mais do que gastaria para construir o prédio anexo do BNDES (já projetado e orçado). Os funcionários estão estarrecidos.

Carlos Newton

O clima no edifício-sede do BNDES, no Rio de Janeiro, é de estarrecimento e revolta. Segundo o economista Mauricio Dias David, não se fala em outra coisa, com a “Rádio Corredor” antenada o tempo todo, divulgando a notícia do aluguel milionários de 19 andares num prédio próximo.

Os funcionários são de altíssimo nível, quase todos concursados (salvo os que entraram pela janela via Finame e Constituição de 88, além é claro, dos 25 assessores do presidente Luciano Coutinho). Por isso, não gostam de determinadas liberalidades com os recursos públicos do banco.

Eles acham inacreditável a notícia de que está sendo ou já foi firmado um contrato de aluguel de 19 andares do edifício Ventura, por 60 meses, para alojar setores do BNDES enquanto se faz a reforma do edifício sede. Valor total : 252 milhões… E isto em uma época em que o novo governo (ou melhor, o velho governo Lula/Rousseff) assume anunciando contenção e corte de despesas.

“My God”!, como diria Paulo Francis. O pior é que todos os funcionários sabem que a construção do edifício anexo (que está inteiramente projetado e orçado, e significaria um luxuoso prédio que se incorporaria permanentemente ao patrimônio do Banco) sairia pela metade (metade, sim!) desse valor.

Isso tudo está acontecendo na gestão do renovado e discreto economista Luciano Coutinho (não gosta de aparecer, prefere bastidores), que acaba de ser elogiado pela presidente Dilma Rousseff. Segundo O Globo de ontem, página 21, a chefe do governo proclamou que “Luciano Coutinho é muito no que faz”.

Sem a menor dúvida. Ele é um economista muito bom. Pena que não se preocupe em fazer economia com o dinheiro do erário. A presidente Dilma precisa com urgência saber quanto custou a recente reforma do 22º andar do prédio do BNDES. Ela também é economista e gosta de cálculos. Poderia fazer as contas para saber o valor do metro quadrado. Se o fizer, aposto que Luciano Coutinho será demitido no ato.

Se isso aqui fosse um país decente (ou tivesse um governo decente), algumas cabeças rolariam pelo 22º andar abaixo. Mas nossa realidade é outra. Como diz o Millor Fernandes , “ou acabamos com a corrupção neste país ou não me chamo Jader Barbalho”. Aliá, só está faltando o Jader nesse governo. O resto – Sarney, Lobão, Palocci, Novais, Jobim, Jucá & Cia – está todo lá.

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