Luciano Coutinho mentiu sobre o porto cubano, que não tinha garantia da Odebrecht

Resultado de imagem para porto de mariel chargesCarlos Newton

Oportuna reportagem de Danielle Nogueira e Jeferson Ribeiro, em O Globo, levantou o véu do mistério que cerca o financiamento do BNDES para que a Odebrecht construísse o moderno Porto de Mariel em Cuba, enquanto as exportações brasileiras continuam prejudicadas pela obsolescência dos principais portos do país. A matéria mostra que a Odebrecht, embora tenha auferido vultosos lucros sem o menor risco, na verdade nem estava interessada em fazer a obra e só entrou no projeto a pedido dos presidentes Lula da Silva e Hugo Chávez, da Venezuela, onde a empreiteira também fazia negócios bilionários, movidos a propinas.

Em depoimento na Lava-Jato, Emílio Odebrecht conta que teve uma primeira conversa sobre o projeto com o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que tinha interesse no porto pelo fato de Cuba ser um governo aliado. Ao responder se Lula teve ingerência sobre o BNDES para liberar o financiamento, Emílio disse que ‘não tem dúvida’ de que isso ocorreu. A suspeita de tráfico de influência de Lula em favor da Odebrecht é alvo de inquérito do Ministério Público Federal em Brasília”, diz a reportagem.

TUDO FACILITADO – O investimento de US$ 840 milhões (R$ 2,64 bilhões) foi financiado pelo BNDES com juros entre 4,44% e 6,91% ao ano, e 25 anos de amortização, o prazo mais longo já concedido na linha que financia projetos de engenharia no exterior.

Segundo o BNDES, o prazo de 25 anos para o crédito do porto foi aprovado no âmbito da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O banco diz ainda que “a operação contou com cobertura de Seguro de Crédito à Exportação (SCE) para 100% dos riscos políticos e extraordinários” e que a concessão do SCE teve lastro no Fundo de Garantia às Exportações (FGE), tendo sido aprovada pelo Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig) e pela Camex”, dizem os repórteres, acrescentando que recentemente o BNDES criou uma comissão interna para apurar denúncias feitas no âmbito da Lava-Jato e que constam de duas petições do Supremo Tribunal Federal, mas nenhuma delas está relacionada ao Porto de Mariel.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – A importante informação de Danielle Nogueira e Jeferson Ribeiro necessita de tradução simultânea. O financiamento ao Porto de Mariel é um dos maiores escândalos da história do BNDES, que mancha indelevelmente a trajetória do banco. Além dos juros de pai para filho e que não ficaram bem explicados (são de 4,44% ou 6,91% ao ano?), não houve nenhuma garantia.

Ao depor no Congresso Nacional, o então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que não existiria risco de inadimplência do governo cubano, porque a operação estava garantida pela própria Odebrecht. Era mentira, mas os dirigentes da empreiteira, por motivos óbvios, fingiram não ter tomado conhecimento da afirmação falsa de Coutinho perante os parlamentares, que também não procuraram confirmar oficialmente se havia ou não essa garantia supostamente oferecida pela Odebrecht.

QUEM GARANTE? – As duas garantias agora citadas pelo BNDES (Seguro de Crédito à Exportação e Fundo de Garantia às Exportações) também são uma conversa fiada, porque significam uso de recursos públicos para beneficiar um país estrangeiro e uma empresa privada nacional – no caso, a Odebrecht –, para que obtivesse elevados lucros na obra.

A direção atual do BNDES repete Luciano Coutinho e também está mentindo, porque cita o Fundo de Garantia à Exportação e o Seguro de Crédito à Exportação como se fossem garantidores de verdade. Mas acontece que o Seguro não tem recursos e usa o patrimônio do Fundo, constituído em 1999 mediante a transferência de 98 bilhões de ações preferenciais do Banco do Brasil e um 1,2 bilhão de ações preferenciais da Telebrás.

DINHEIRO DO POVO – Traduzindo: o financiamento à obra do Porto de Mariel só teve garantia do governo brasileiro. Quem avalizou a operação do BNDES em Cuba foi o Tesouro Nacional, através do Ministério da Fazenda, usando os recursos públicos da União (ou seja, do povo brasileiro), porque o Fundo de Garantia à Exportação é apenas um instrumento contábil do Ministério da Fazenda.

Ou seja, Lula mandou o BNDES de Luciano Coutinho financiar Cuba com garantia do Tesouro Nacional. Usou recursos públicos para beneficiar um governo “amigo” e uma empresa “amiga”, em operação garantida também com recursos públicos. Nunca antes, na História deste país, aconteceu algo semelhante. E o governo Temer agora procura sepultar o escândalo, mas a força-tarefa da Lava Jato logo irá desvendá-lo.

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PS – A matéria de O Globo citava empréstimo de US$ 686 milhões, mas o site do BNDES registra o total de US$ 840 milhões, aponta o comentarista Wagner Pires, corrigindo nosso texto original. (C.N.)

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10 thoughts on “Luciano Coutinho mentiu sobre o porto cubano, que não tinha garantia da Odebrecht

  1. As instituições estão funcionando ?!?!

    O MPF pediu em meados de abril a prisão de Claudia Cruz.

    Por que Moro ainda não prendeu a mulher do Cunha ?!?!

    As instituições tem que funcionar !

    Cadeia nela !

    • Lucas, bom dia,
      Moro é um enxadrista. É bombardeado por todos os lados.
      Só conseguiu sobreviver até agora e manter a Lava Jato porque sabe jogar xadrez.
      Tenho certeza que há motivos para não ter ainda prendido Cláudia Cruz.

  2. Por que a caixa preta do BNDES ainda não foi aberta??? Quantos interesses escusos ainda estão por trás dos imensos golpes dados pelo governo petralha nesse banco brasileiro de desenvolvimento???

  3. Até hoje não entendo por que financiar a construção de um porto em cuba. A única hipótese plausível é que isto simplesmente se resumiu em um toma lá dá cá entre os assassinos de cuba e os corruptos do pt. Uma parte deste dinheiro deve ter retornado de forma ilícita.

  4. Abaixo estão listadas algumas obras realizadas em países estrangeiros com os recursos concedidos pelo BNDES, na verdade, com dinheiro do povo brasileiro.
    Aqui nas terras de Pindorama, clamava-se por infraestrutura para alavancar o progresso e o desenvolvimento do Brasil, e os parceiros só enxergavam as necessidades dos outros países amigos dos detentores do poder.
    Quanta DESFAÇATEZ!
    1) Porto de Mariel (Cuba)
    Valor da obra – US$ 957 milhões (US$ 682 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht
    2) Hidrelétrica de San Francisco (Equador)
    Valor da obra – US$ 243 milhões Empresa responsável – Odebrecht Após a conclusão da obra, o governo equatoriano questionou a empresa brasileira sobre defeitos apresentados pela planta. A Odebrecht foi expulsa do Equador e o presidente equatoriano ameaçou dar calote no BNDES.
    3) Hidrelétrica Manduriacu (Equador)
    Valor da obra – US$ 124,8 milhões (US$ 90 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht Após 3 anos, os dois países ‘reatam relações’, e apesar da ameaça de calote, o Brasil concede novo empréstimo ao Equador.
    4) Hidroelétrica de Chaglla (Peru)
    Valor da obra – US$ 1,2 bilhões (US$ 320 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht
    5) Metrô Cidade do Panamá (Panamá)
    Valor da obra – US$ 1 bilhão Empresa responsável – Odebrecht
    6) Autopista Madden-Colón (Panamá)
    Valor da obra – US$ 152,8 milhões Empresa responsável – Odebrecht
    7) Aqueduto de Chaco (Argentina)
    Valor da obra – US$ 180 milhões do BNDES Empresa responsável – OAS
    8) Soterramento do Ferrocarril Sarmiento (Argentina)
    Valor – US$ 1,5 bilhões do BNDES Empresa responsável – Odebrecht
    9) Linhas 3 e 4 do Metrô de Caracas (Venezuela)
    Valor da obra – US$ 732 milhões Empresa responsável – Odebrecht
    10) Segunda ponte sobre o rio Orinoco (Venezuela)
    Valor da obra – US$ 1,2 bilhões (US$ 300 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht
    11) Barragem de Moamba Major (Moçambique)
    Valor da obra – US$ 460 milhões (US$ 350 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Andrade Gutierrez
    12) Aeroporto de Nacala (Moçambique)
    Valor da obra – US$ 200 milhões ($125 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht
    13) BRT da capital Maputo (Moçambique)
    Valor da obra – US$ 220 milhões (US$ 180 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht
    14) Hidrelétrica de Tumarín (Nicarágua)
    Valor da obra – US$ 1,1 bilhão (US$ 343 milhões) Empresa responsável – Queiroz Galvão *A Eletrobrás participa do consórcio que irá gerir a hidroelétrica
    15) Projeto Hacia el Norte – Rurrenabaque-El-Chorro (Bolívia)
    Valor da obra – US$ 199 milhões Empresa responsável – Queiroz Galvão
    16) Exportação de 127 ônibus (Colômbia)
    Valor – US$ 26,8 milhões Empresa responsável – San Marino
    17) Exportação de 20 aviões (Argentina)
    Valor – US$ 595 milhões Empresa responsável – Embraer
    18) Abastecimento de água da capital peruana – Projeto Bayovar (Peru)
    Valor – Não informado Empresa responsável – Andrade Gutierrez
    19) Renovação da rede de gasodutos em Montevideo (Uruguai)
    Valor – Não informado Empresa responsável – OAS (Seriam R$500,000,000,00).
    20) Via Expressa Luanda/Kifangondo
    Valor – Não informado Empresa responsável – Queiroz Galvão Como estes existem mais de 3000 empréstimos concedidos pelo BNDES no período de 2009-2014. Conforme mencionado acima, o banco não fornece os valores…

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